20 de dezembro de 2009
Os melhores álbuns de sempre: THE LAST SHADOW PUPPETS - "THE AGE OF UNDERSTATMENT" (2008)
9 de dezembro de 2009
Prodigy no pavilhão Atlântico: EUFORIA ELECTRO PUNK
Na primeira parte tivemos um dos projectos mais originais que surgiram no Reino Unido nos últimos anos. Os Enter Shikari oferceram ao público três quartos de hora da sua curiosa mistura de emo-core e electrónica, numa actuação que respirou energia e originalidade. Mostrando músicas do seu primeiro álbum, destacou-se principalmente o trabalho do guitarrista e a inovação das canções. Se aprofundarem a sua veia mais experimental e não derivarem para o rock mais banal, de certeza que vai se ouvir falar muito neles.
Depois tivemos um dj set de um convidado dos Prodigy que apostou no tipo de música que mandava nessa noite: o rock misturado com a dança.

Se o início já tinha sido esfusiante, com a segunda música provoca novo momento de euforia:"Breathe" põe toda agente ao pulos. "Omen" foi muito bem recebido e entoado por muitos dos presentes, bem como "Poison", com muitas partes diferente em relação à gravação original embora tenha sido dos temas que careceu de melhor som. As alterações ou melhorias de arranjos de temas antigos foi uma contante e tudo para melhor. Com "Warrior's Dance" o público entra de novo em ebulição com o tema a soar muito mais pesado do que em disco. Aliás as músicas do último álbum soam bem melhores ao vivo. A seguir veio a melhor parte do concerto com "Firestarter", numa versão próxima do original ao contrário de outros concertos, encadeada com "Run With The Wolves" com Keith Flint, que recuperou o seu penteado mais popular, naturalmente em destaque. "Voodoo People" surge com um intermezzo rock a acentuar o estilo mais agreste dos Prodigy actuais.
O sensaboroso tema título do último trabalho surgiu numa abordagem totalmente diferente com Maxim a intercalar vocalizações com gritos de incentivo ao público, e depois, sem paragens, inicia-se "Diesel Power" que agora beneficia de uma ladainha tipo celta a encher mais o tema. Em "Smack My Bitch Up", Maxim incentiva os presentes a agacharem-se para saltarem no momento do refrão e foi neste clima que o grupo abandona o palco por breves instantes. Não demoraram muito até voltarem com "Take Me To The Hospital", outra do último muito bem recebida, "Out Of Space" e "No Good". Para o fim executaram o saudoso "Their Law", com os seus graves a abanar as estruturas do recinto.
O concerto pecou por escasso o que se insere no espírito "curto e directo" da banda mas que sabe a pouco tendo em conta a extensa discografia da banda. Ou seja, um verdadeiro concerto raw, como o grupo gosta de dizer, em que o estatuto de música de dança ou de djeeing se encontra bastante diluído. Numa altura em que já não são "A" banda da moda, os Prodigy acabam mesmo assim por garantir um espectáculo bombástico, único e personalizado, mostrando ser os dignos representantes da música electrónica-dance no grupo das maiores bandas globais.
25 de novembro de 2009
THE MISSION: A história
23 de novembro de 2009
Massive Attack ao vivo em Lisboa: O ESPÍRITO DO TEMPO
O primeiros quatro temas do alinhamento, assim como uma boa parte deste, é constituído por temas desconhecidos do público. Assim desfilaram composições que se distinguem pelo seu experimentalismo, bem como pelo seu ambiente soturno mas nem por isso menos atractivo. As novas canções, para além da dos novos sons que trazem, distinguem-se também pela maior diversidade rítmica, procurando fugir ao estereótipo trip-hop.

A cenografia de palco, constitída por um ecrã de leds que recortava os músicos de apoio - que incluiu dois bateristas, um teclista , baixo e guitarra - revelou-se extraordinário. Cada canção sugeria um novo motivo para as imagens, fossem apenas imagens abstractas, iluminações psicadélicas, sugestões de paisagens e as mais variadas informações escritas ...em português (thank you!). Numa das músicas, números estatísticos que comparavam o mundo desenvolvido com os países menos desenvolvidos apareciam no ecrã. Noutra, eram citações de personalidades como Che Ghevara ou Mandela; noutra, apareciam títulos de notícias (algumas sobre futebol que suscitaram aplausos ou apupos conforme o gosto),... enfim uma panóplia de informação que exigia ao público permanente concentração ao mesmo tempo que sustentava o perfil cinemático deste estilo musical.
Para os encores tivemos o apontamento curioso (mas apenas isso) que é "Splitting The Atom", do EP com o mesmo nome acabado de editar, o já referido "Unfinished Sympathy" e um surpreendente "Marrakesh", com um final intenso e hipnótico com o ecrã a passar imagens frenéticas e coloridas de simbologia oriental e não só. "Karmacoma", com novos e mais ricos arranjos, marcou a despedida finda a qual todos os participantes e músicos subiram ao palco para os agradecimentos.
Os Massive Attack aproveitam a sua música aparentemente calma e relaxante para despertar consciências e, acima de tudo, permanecer na crista da onda, não só a nível sonoro como a recriar lírica e visualmente os grandes temas e questões do mundo actual, para além de oferecer um espectáculo que respira modernidade.
10 de novembro de 2009
Rammstein ao vivo: ...E LISBOA PEGOU FOGO

O concerto iniciou-se com o pavilhão Atlântico às escuras enquanto o ruído de obras acontevia e o palco, do qual só se perspectivava um muro negro, começou a abrir brechas, numa alusão, talvez, ao recente aniversário da queda do muro de Berlin (recorde-se que os Rammstein proveêm da ex-RDA). "Rammlied", "B*****" e "Waidmanns Heil" deram início às hostilidades com o show cénico já característico do grupo. O poderosíssimo "Keine Lust" e o tecno-metalaleiro "Weisses Fleish" foram os primeiros clássicos a desfilar. De resto, tudo o que a gente poderia querer de um concerto dos Rammstein: chamas, labaredas, explosões e inúmeras nuances cénicas e de luzes. Nem faltou um suposto intruso a ser atingido pelo lança-chamas do vocalista, correndo depois pelo palco em chamas, num truque que deve ter assustado os mais desprevenidos. Em "Wiener Blut" bonecas de plástico descem do tecto numa atmosfera macabra, em "Ich Tu Dir Weh" o vocalista sobe um pequeno elevador para dar um banho de fogo de artifício ao teclista e em "Feuer Frei" assistiu-se à já tradicional luta de "lança-chamas faciais".
Depois do fantástico tema título do último álbum, assistiu-se a um desfilar de êxitos como "Benzin", "Links 2 3 4", "Du Hast" - com raios laser e foguetes a passar por cima da plateia - e "Pussy" - com Tll Lienderman em cima de um foguete a enviar espuma para o público até uma explosão de confetis na primeira despedida do palco.
Nos encores assistimos a um fantástico "Sonne", com luzes alaranjadas a crias um fantástico ambiente, "Ich Will" entoado por todos, o velhinho "Seemann" e o assobio do épico "Engel" para as despedidas.
Em suma, um concerto grandioso que confirma os Rammstein como a banda rock-metal com melhor produção em palco do Mundo. Uma espécie de Pink Floyd do metal.
Nota negativa para grande parte do público presente, mais preocupado em filmar o concerto em vez de nele participar mostrando-se, por isso, muito estático para concertos desta natureza.
Na primeira parte tivemos os gótico-industriais, Combichrist, que surpreenderam positivamente. Esperemos ouvi-los mais vezes nos próximos tempos.
5 de novembro de 2009
Discos: RAMMSTEIN - "LIEBE IST FUR ALLE DA"
Os Rammstein começaram a cimentar o seu estatuto através dos seus espectáculos, literalmente incendiários, em que a vertente visual assumia um importante papel. A sua fama era mais notória na Alemanha e a sua música caracterizava-se por ser uma mistura uma espécie de crossover tecno-metal com influências de algum rock industrial - nomeadamente bandas como Ministry. Quando a fama começou a bater à porta, o grupo cerrou fileiras e resolveu apostar em temas de mais qualidade e densidade. Com o álbum "Mutter" os Rammstein deram um novo impulso à sua carreira, com temas com outra estrutura, procurando efectuar bons temas metal, no sentido lato do termo, enérgicos, acrescentando uma nova vertente melódica, patente nos refrões orlhudos e nos aranjos épicos. "Reise Reise" continuou essa evolução, apresentando temas de maior qualidade, enquanto que em "Rosenrot" se pressentiu já alguma estagnação, apesar de alguns pontos altos. Posto isto, a banda dedidiu fazer uma paragem tendo-se dedicado a outros projectos, como os Emigrate do guitarrista Richard Kruspe.
Ao fim deste tempo, pode-se dizer que a paragem foi frutuosa pois os Rammstein apresentam-nos aqui um trabalho de grande nível. Logo àbrir, "Rammlied" mostra a maior novidade a nível técnico com reflexo no som geral da banda: a bateria tem agora duplo bombo, que acompanha os power chords das guitarras na perfeição. Ou seja, a agressividade característica soa amplificada. Sinistros sons electrónicos fazem a introdução para o segundo tema, "Ich Tu Dir Weh" é na certa um novo hino nos concertos da banda. Outro dado assinalável: a voz de Till Lindemann está muito mais eclética, sendo as suas opções melódicas muito mais diversificadas do que até aqui.
"Waidmanns Heil" é apenas uma boa réplica de "Feuer Frei", mas "Haifisch" é diferente de tudo o que o grupo já fez , uma espécie de electro-ska clashiano. "B*******" é uma grande canção à Rammstein e "Frühling in Paris" é uma versão de Edit Piaf, num estilo folk semelhante a outros temas que a banda já fez. "Pussy", o single de avanço, é já um hit com o som único e personalizado do grupo em acção. Para o fim, ficamos talvez com dois dos temas mais fortes de todo o álbum: o espectacular tema título e ainda "Mehr", metal limpo e mecânico, com uma produção irrepreensível a roçar a perfeição, no fundo a mistura que é o segredo da banda.
Na tendência ascendente que tem caracterizado a sua carreira, os Rammstein dão outro passo em frente com este novo trabalho, em termos de qualidade, talento e, possivelmente, sucesso, afirmando-se cada vez mais como uma das bandas mais destacadas do planeta.
2 de novembro de 2009
António Sérgio: a voz que marcou uma era
Numa altura em que as rádios e a tv só passavam música pop comercial, numa autêntica ditadura do “gosto”, foi ele o responsável em Portugal por muitos terem conhecido bandas que hoje são consensualmente das melhores de todos os tempos. Através daquele programa histórico chamado "Som Da Frente", António Sérgio foi, provavelmente, a pessoa em Portugal que primeiro deu a conhecer a música dos U2, The Cure, The Cult, Joy Division, New Order, Bauhaus, Depeche Mode, Cocteau Twins, etc. Através do seu "Lança Chamas" foi também responsável pela introdução da palavra metal no vocabulário de muitos melómanos, numa altura em que só se ouvia o hard-rock politicamente correcto e que um homem com cabelo comprido era apontado na rua (meados de 80).
Apesar de todo o talento na investigação e divulgação musical que continuou a ter ao longo dos anos, essa importância histórica e geracional na divulgação da música é o traço mais meritório de todos na carreira de António Sérgio. Não o esqueceremos sempre que ouvirmos boa música!
10 de outubro de 2009
Discos: ALICE IN CHAINS - "BLACK GIVES WAY TO BLUE"

26 de setembro de 2009
The Cult ao vivo: O ROCK DEVIA SER SEMPRE ASSIM

10 de agosto de 2009
Faith No More no festival Sudoeste: ABENÇOADA LOCURA ÉPICA!

Os Faith No More regressaram a Portugal para uma actuação no festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar, no passado dia 8 de Agosto. Ao contrário do publicitado, a audiência não estava conquistada à partida. Tirando uma boa fatia de público que se concentrou à frente do palco, havia uma atitude de expectativa em grande parte dos presentes no Festival.
As desconfianças aumentaram quando a banda entra em palco de fato a rigor com o tema, muito easy-listening, "Reunited" de Peaches & Herb. Mas quem é fã de longa data já sabe o que a casa gasta, pois logo em seguida atacam "Land Of Sunshine" uma das canções que mais simbolizam o estilo aventureiro e louco da banda de San Francisco. A mutação nota-se ainda mais no vocalista Mike Patton. De crooner romântico passa para esgares metaleiros em questão de segundos.
O teclista Rody Button solta um «como 'fuckin' vais» e Mike Patton canta uma versão integralmente em português de "Evidence". Fantástico, apesar da pronúncia.
Os hits "Last Cup Of Sorrow", "Ashes To Ashes" e "Midlife Crises" foram muito bem recebidos, com o vocalista a deixar o público cantar o refrão nesta última sem nenhum instrumento a acompanhar. Com as calmas "Easy" e "I Starded a Joke" a audiência entrou em delírio, acompanhando as coreografias de Patton.
A atitude o vocalista é sempre jocosa e provocante, como quando se meteu com um espectador que envergava uma máscara de cirugião. De resto a referência a Portugal e as provocações bem humoradas ao público foram uma constante. Espectacular é a energia em palco de Patton em conjugação com o admirável nível vocal, por vezes melhor ainda do que nos discos, para além de todos os pequenos pormenores, ruídos etc. e da presença e sentido de comunicação que são contagiantes. Apesar da importância do cantor, os músicos são também de uma qualidade excepcional, nomeadamente Billy Gould, com os seus riffs de baixo e passagens, que juntamente ao rigoroso Mike Bordin na bateria asseguram a base rítimica e boa parte da criatividade deste grupo. O teclista, por seu lado, mantém a sua importância na música da banda, para além dos backing vocals e de substituir às vezes Patton como comunicador oficial do grupo. O guitarrista John Hudson mantém a postura discreta, mas nem por isso deixa os seus créditos por mãos alheias no que respeita à impecável execução dos temas.
Na parte final da canção "King For A Day", o grupo deriva para um improviso, com Patton a manipular a caixa de efeitos de voz e a sonoridade geral a aproximar-se de um ambientalismo psicadélico que nunca tínhamos ouvido antes, o que pode significar um prenúncio de novas abordagens num eventual regresso do grupo aos originais.
O final da actuação principal foi já em êxtase, com a totalidade do público rendido e conquistado,desfilando "Be Agressive", o fantástico "Epic" e "Just A Man" com Patton a envergar um chapeu de palha atirado por um espectador e a descer até junto da plateia incentivando os presentes a cantar.
Para o encore ticvemos um inenarrável "Charriots Of Fire" de Vangelis, com Patton a simular um atleta em câmara lenta, um espectacular de "Stripsearch", com os teclados bem salientes ao contrário de outros temas em que pareceram um pouco baixos, e "Ugly In The Morning", um tema que exmplifica bem o "som Faith No More": sessão rítmica deambulante (impossível ficar quieto), mudanças de ritmo rápidas, e a voz a alternar a melodia com palavras de ordem berradas. «Do you want some 'mais'?» atirava o frotman. Depois do instrumental "Midnight Cowboy", com Patton a acertar umas ao lado na gaita («aouch!»), o vocalista anuncia que tem que redimir-se e executam "We Care A Lot" com a garra toda e a audiência a correponder entoando o tema quase todo. O público, à semalhança das outras saídas de palco, ainda gritou e cantou mas a banda depediu-se ao som de «olé, olés».
O futuro dos Faith No More ainda é uma incógnita mas, para já, o regresso foi mais que justificado, efectuando uma actuação de encher o olho que deve ter deixado as gerações mais novas de boca aberta tal a energia e criatividade transmitidas. O que mais impressiona neste grupo é o seu conceito que se pode classificar de "música total": beneficiando da versatilidade dos seu vocalista e dos talento dos seus músicos, os Faith No More são daqueles raros artistas que apostam em preencher a paleta inteira de gostos de um ouvinte médio. Do funk e do metal ao easy-listening e ao rock sinfónico, os Faith No More abarcam todos estes estilos, tudo com muita coesão e um elevado sentido pop que acaba por ser o que atrai as multidoões.
25 de julho de 2009
Perdidos no tempo: MORITURI

Dos grupos que fizeram parte do boom criativo da segunda metade da década de 80 e que nunca chegaram a editar nenhum disco, e não foram poucos, os Morituri serão, por ventura, o caso mais emblemático dessa injustiça.
Para conhecer a banda, consulte-se o seu My Space: http://www.myspace.com/morituri1986
12 de julho de 2009
Festival Alive: 5 ESTRELAS E 1 SOL

A abrir as hostilidades, no palco principal, estiveram os portugueses Ramp, que regressaram aos grandes concertos depois de um largo período de reduzida ou quase nula actividade. A banda fez questão de lembrar isso mesmo ao dar as boas vindas "novamente" aos Metallica, eles que já tinham feito a 1ª parte dos norte-americanos há precisamente 10 anos (um dos pontos altos da sua já longa carreira para além de outros como, por exemplo, a presença no Ozzfest). A banda, em jeito de festejo, realizou uma actuação onde executaram os seus temas mais conhecidos com toda a sua energia e com grande receptividade por parte do público. Ficamos à espera de mais concertos, se possível, na preferência deste escriba, com maior destaque para o clássico "Intersection".

Muito mosh e muita e locura aconteceram durante o concerto de Lamb Of God. A intensidade e o peso da música fizeram desta a actuação mais pesada do dia. O grupo aproveitou o facto do tempo de actuação ser curto para brindarem os presentes com as melhores canções do seu catálogo desde o fantático "In Your Words", do último álbum, até ao velhinho "Now You've got Something To Die For". O peso e os ritmos extremamente balanceados não dã hipótese de deixar algum corpo quieto. Fantástico também é observar como a influência de uns Pantera perdura nas novas bandas passados todos estes anos.
Os Machine Head já são uma banda consagrada, conforme se viu pela recepção calorosa de grande parte do público. Um ano depois da actuação no Rock In Rio, o grupo apresentou um alinhamento que inclui muitos dos grandes temas da sua carreira - como "Struck A Nerve" ou "Bulldozer", para além da recuperação de "Beautiful Morning", que consta do jogo "Guitar Heroe - Metallica". Este facto fez com que todo o tempo do espectáculo tenha decorrido em apoteose constante, com hits atrás de hits, refrões entoados e mosh do palco até à mesa de som. Nem a presença em palco da mãe «100% portuguese» de Phil Demmel faltou. E Robb Flyn continúa um verdadeiro mestre de cerimónias.
Os Slipknot não deixaram os créditos por mãos alheias e efectuaram também um grande concerto. Começando com os clássicos "(Sic)" e "Eyeless", o grupo apostou numa mistura dos seus temas mais conhecidos, como "People =Shit" e "Psychosocial", com outros mais técnicos, como "Sulfur" ou "Disasterpiece". O público mais chegado ao palco notou-se ser mais jovem do que quele mais adepto de outras bandas, entoando em coro temas como "Duality" e "Wait And Bleed". "Surfacing" e "Spit It Out", com Corey Tyler a mandar o público agachar-se, foram os temas para acabar em beleza (??).
Os Metallica, como banda mais esperada, foram recebidos em delírio e corresponderam com um concerto impecavelmente bem executado. Ao contrário do que se estava à espera, algumas canções do último álbum ficaram de fora e as maiores novidades acabaram por ser "Broken, Beated & Scared", "Cyanid", "All Nightmare's Long" e "The Day That Never Comes", para além da recuperação do esquecido "Holier Than Thou". De resto, o grupo aposta em agradar aos convertidos que agradecem o conservadorismo dos seus ídolos e entram em êxtase com clássicos como "Blackened", "For Whom The Bell Tolls", "Fade To Black", "One", "Master Of Puppets" e "Fight Fire With Fire". O final com "Enter Sandman" foi apoteótico, com fogos de artifício, tal como o final do encore com "Seek And Destroy", com a maior parte dos presentes a entoarem o refrão.
Depois deste dia, e perante a reacção do público em relação às bandas, pode-se concluir que há espaço para um festival na área do rock/metal com grandes nomes (o Ermal aposta mais na quantidade do que na dimensão comercial das bandas). Vamos ver quem se arrisca a fazê-lo.... sem trazer cá os Metallica.
Para ler a crítica aos outros dias, consultar:
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&m=5&fokey=bz.stories/48591
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&m=5&fokey=bz.stories/48633
20 de junho de 2009
Perdidos no tempo: XMAL DEUTSCHLAND

Com "Tocsin", de 1985, afirmam-se como um dos expoentes da corrente gótica / pós-punk embora facilmente identificáveis pela voz de Anja, mas também por belas canções em que a preponderância da violabaixo se misturava com os teclados e a guitarra, que alternava distorção com som limpo reverbado.
A carreira dos XMAL DEUTSCHLAND atinge o seu auge com o álbum Viva, em 1987. Dois anos depois, o álbum "Devils", em inglês e com um som mais comercial, representou uma mudança que não foi bem recebida pelos seus seguidores acabando por ditar o fim da banda.
5 de junho de 2009
Concerto - AC/DC: IGUAIS A SI PRÒPRIOS

Surpreendente mesmo, no meio disto tudo, é a disposição física destes sexagenários que aceitaram regressar ao activo apesar de tudo o que isso implica: extrema energia destilada, tanto ao nível da execução musical como da postura dos músicos em palco. Tal como a sua música, os AC/DC continuam iguais a si próprios, E os fãs, pelos vistos, não quereriam que fosse de outra maneira.
10 de maio de 2009
Perdidos no tempo: KING CRIMSON por Alexandre Quintela

Quando lançaram In The Court of The Crimson King, debut album, receberam rasgados elogios de críticos e público em geral, mas mais surpreendentemente da comunidade musical. Pete Townshend dos The Who foi dos músicos que classificaram o disco como sendo uma obra-prima. O som assentava numa união da energia e improvisação do jazz com riffs extremados e proto-metal, aliado a um imaginário literário muito bem delineado por Pete Sinfield. Pessoalmente e atendendo à genialidade e rigor técnico, é daquelas bandas que me ultrapassam, sendo sem dúvida uma banda do meu top five além de grande fonte inspiradora.
Muito bom e percursor de sonoridades actuais..e datado de 1969.
25 de abril de 2009
Os melhores álbuns de sempre: YES - "CLOSE TO THE EDGE"
Chegados a 1972 numa fase de profunda interacção harmoniosa entre os músicos atestada pelos

Na sua melhor formação de sempre constavam Jon Anderson (voz), Chris Squire (baixo e back vocals), Steve Howe (guitarra e back vocals), Rick Wakeman (teclados e alguma excentricidade barroca) e Bill Bruford (bateria).
Na faixa título a banda apresenta uma composição épica e difusa, assente numa estrutura clássica em quatro andamentos – embora também com traços que vão desde groovie a pastoral - onde cada detalhe técnico dos diferentes instrumentos se evidencia. Todo o álbum, mas a letra da faixa título em particular, parece ter sido inspirado no livro Siddharta de Hermann Hesse em estreita sinergia com a propensão espiritual conferida por Jon Anderson.
As invulgares marcações dos tempos aliadas à complexidade dos arranjos, além do cunho musical erudito e virtuoso, são as características que melhor definem a inovação que consistiu “Close To The Edge”, considerado por muitos o ponto mais elevado do Rock Progressivo.
O tema “And You and I”, é uma autêntica ode bucólica onde Howe executa com guitarra de 12 cordas temperada com mellotron em crescendo, resultando num momento muito melódico. De sublinhar o poder de síntese de Wakeman.
O tema que encerra o álbum, “Siberian Khatru", é mais acessível desde logo pelos emblemáticos riffs que contornam a música mas também por configurar um curioso cruzamento místico com cadência quase funk. É uma das malhas mais conhecidas e que, resultando muito bem ao vivo, seria a música de abertura de maior parte dos concertos dos YES.
Em Junho de 1972, depois de concluído todo o trabalho de estúdio o baterista Bill Bruford deixa subitamente a banda para se juntar aos King Crimson, pois ansiava por um outro tipo de abordagem mais experimental do progressivo. Desta forma o baterista substituto, Alan White, igualmente uma grande contratação, iniciou a nova digressão europeia, de onde resultaria um grande registo ao vivo, “Yessongs”, gravado em finais de 1972.
6 de abril de 2009
Discos: MASTODON - «CRACK THE SKYE»

"Oblivion", "The Czar", e o fantástico épico "The Last Baron", são bons exemplos desta nova sonoridade num todo que não ultrapassa as 7 faixas mas que está repleto de partes e mudanças.
18 de março de 2009
"Priest Feast" no Pavilhão Atlântico: ALMAS NEGRAS


Com os Megadeth, a história foi outra. Ao som da intro de "Sleepwalker" Dave Mustaine e seus rapazes entram a matar para um concerto verdadeiramente arrasador. O som que saía das colunas estava claramente mais definido que o grupo anterior e os Megadeth aproveitaram para mostrarem que ainda são um dos melhores do mundo neste estilo. Logo ao segundo tema "Wake Up Dead" verificamos que as mudanças de elementos do grupo serviu para que este esteja, porventura, na sua melhor forma de sempre. O ritmo a que foram debitados os temas foi imparável, praticamente sem interrupções e recorrendo a passagens entre uma música e outra. O quarto tema, depois de um trio de temas totalmente desvairados, foi o mais calmo "A Tout Le Monde", executado com tal intensidade que não se notou nenhuma quebra na energia debitada do palco. Temas mais curtos como "Sweating Bullets" ou o inevitável "Symphony Of Destruction" serviram para preparar a audiência para o massacre final (no melhor sentido): "Hangar 18", "Peace Sells" e "Holy Wars", interpretadas na perfeição. Assombroso!
2 de março de 2009
Discos: U2 - «NO LINE ON THE HORIZON»

"Get On Your Boots" é uma grande canção, dos singles mais inovadores - e por isso polémico - que os U2 já produziram. "Unknown Caller" é radiosa, "Stand Up Comedy" é zepelleniana, "Magnificent" faz lembrar, a espaços, os primeiros álbuns, "Fez" revela vontade de inovar enquanto que "Moment Of Surrender" é um bom exemplo da vertente calma que os U2 sempre praticaram. "Breathe" é o tema que melhor sintetiza o som actual da banda: rock misturado com um refrão típico à U2 com una pozinhos de electrónica.
O ambientalismo estimulado pelos velhos comparsas Brian Eno e Daniel Lanois faz bem à música do grupo, acabando por gerar um bom resultado, próximo do que nos habituaram no passado. Ou seja, um saudável regresso, como que a dizer "estamos para lavar e durar".
Resta-nos esperar pela tourneé, por bilhetes mais baratos e, já agora,... disponíveis (!!!)
17 de fevereiro de 2009
Soulfly ao vivo em Lisboa: BATALHA CAMPAL

"Blood Fire War Hate" foi o início e o prenuncio do que viria a seguir: uma autêntica "batalha campal", no palco e na plateia. Com o Coliseu quase cheio, o ritmo geral do concerto balançou entre temas mais groove e trauteáveis, como "Seek And Strike" e "The Prophecy", e outros mais rápidos como "Doom", "LOTM" e o imparável "Frontlines". Na bagagem a banda trouxe também hinos de Sepultura - como "Territory", "Refuse/Resist", "Troops of Doom", "Roots Bloody Roots" e um massivo "Inner Self"- mas não só. Houve surpresas, como a execução de "Sanctuary", dos Cavalera Conspiracy, e o muito bem conseguido "Red War", do projecto Probot de Dave Grohl em que Max participa. Houve ainda, em jeito de homenagem, pequenas citações a Slayer e a Metallica.
O encerramento deu-se, primeiro, com "Unleash", com o Richie Cavalera (dos Incite) em dueto com Max, e depois, para encerrar o encore, um raivoso "Eye For An Eye".
O som estava fenomenal, o que é de admirar naquela sala, com grande destaque para as guitarras, bem longe da indefinição dos primeiros tempos deste grupo. O jogo de luzes foi também soberbo.
Das bandas da primeira parte, releve-se os W.A.K.O., que deram um bom espectáculo, apesar do som não ter sido o melhor, e que provaram ser uma das bandas nacionais que mais promete. Quanto aos Incite, do enteado de Max Cavalera, apesar da sua apurada técnica e profissionalismo, mostraram carecer ainda de alguma diversidade no seu alinhamento.