10 de Fevereiro de 2012

Discos: TRIVIUM - "IN WAVES"

Nos últimos anos têm surgido na área musical do metal uma série de grupos a apostarem em fórmulas previsíveis, para além de uma influência que tem surgido nesta nova geração: a voz ...à boys band. A moda começou com os Linkin Park, num registo nu-metal, mas depois contagiou o metal mais tradicional: é o caso de bandas como My Bloody Valentine ou a tentativa de excremento feito música Avenged Sevenfold, que beneficiaram muito da adesão do público jovem feminino e suas hormonas à solta. O fenómeno fez até confundir géneros nobres, como o emocore e o metalcore, com o estilo que aqueles grupos praticavam.
Uma banda relacionada, de alguma forma, com esta fornada de "vozes joviais" mas que, no entanto, sempre se destacou pelas ótimas críticas que grangeou, foram os Trivium. No entanto, desde que surgiram, anunciados como uma lufada de ar fresco no reino do metal, têm-se arrastado na edição de álbuns algo previsíveis. O seu mais recente trabalho vem no entanto dar sinais de que algo parece mudar. Um maior cuidado com a composição das canções, partes vocais mais variadas e uma produção irepreensível, faz deste um dos álbuns mais poderodosos do ano transacto.
Neste trabalho, os Trivium aprimoram a sua síntese de heavy clássico com thrash, de peso com acessibilidade, e de agressividade com melodia. Assim temos grandes clássicos como a Dusk Dismantled (um groove pesado à Pantera), A Skiline's Severance (poderosíssimo), Watch The World Burn (um sintonia perfeita peso/melodia), Black (groove-thrash puro), para além dos singles mais acessíveis, In Waves e Built To Fall.
Apesar de não ser a revolução no metal, estamos na presença de um dos bons discos que surgiu nesta área nos últimos anos e talvez seja a luz no túnel que os Trivium precisavam para abandonarem o piloto automático que a sua fantástica técnica permite começarem a fazer álbuns fundamentais que possam ficar para a história.

30 de Janeiro de 2012

Os melhores álbuns de sempre: THE LAST SHADOW PUPPETS - "THE AGE OF UNDERSTATMENT" (2008)

O cantor da banda Arctic Monkeys, Alex Turner, formou, juntamente com o então cantor da banda The Rascals, Miles Kane, os The Last Shadow Puppets que lançam o álbum The Age Of The Understatement a 21 de Abril de 2008. Uma semana após o seu lançamento, o álbum já ocupava a primeira posição como o mais vendido no Reino Unido. A banda chegou a ser indicada ao Mercury Prize, o prémio que nomeia o melhor álbum britânico no ano.
O álbum é curto, com canções igualmente concisas e diretas, e não tem rasgos técnicos extraordinários. Mas o que é certo é que a mistura de rock'n'roll romântico, inspirado nos anos 50 início de 60, misturado com os admiráveis arranjos de James Ford, dos Simian Mobile Disco, cria uma atmosfera única que nos conquista de cada vez que se ouve este trabalho.
Efetivamente, a orquestralidade à John Barry assenta que nem uma luva nas composições da dupla e transporta-no para um cenário cinematográfico, um mundo de sonho e de aventuras. Ao mesmo tempo o álbum é bastante enérgico - fruto da juventude e da origem musical dos integrantes do projeto - não se deixando enredar pelo baixo ritmo do estilo musical em que se inspira.
Pelo seu som único e pelo carácter refrescante, este álbum merece figurar nesta rubrica de "Os melhores álbuns de sempre".
Apesar de oficialmente os The Last Shadom Puppets serem um projeto de um só álbum, os seus membros têm admitido recentemente fazer um novo disco. A ver vamos.

25 de Janeiro de 2012

Review: MASTODON AO VIVO EM LISBOA

Uma noite mágica foi a que se viveu noite de 22 de Janeiro no Coliseu de Lisboa com os Mastodon e as suas viagens sonoras. Um alinhamento irrepreensiel, com óbvio destaque para o último álbum, e uma execução técnica perfeita. O público esteve um pouco parado, fruto, talvez, das últimas incursões mais psicadélicas da banda, e o som de palco não esteve propriamente à altura dos acontecimentos. No entanto, foi uma noite histórica, com a estreia dos Mastodon como cabeça de cartaz em Lisboa. Venham mais!

Alinhamento: Dry Bone Valley, Black Tongue, Crystal Skull, I Am Ahab, Capillarian Crest, Colony of Birchmen, Megalodon, Thickening, Blasteroid, Sleeping Giant, Ghost of Karelia, All the Heavy Lifting, Spectrelight, Curl of the Burl, Bedazzled Fingernails, Circle of Cysquatch, Aqua Dementia, Crack the Skye, Where Strides the Behemoth, Iron Tusk, March of the Fire Ants, Blood and Thunder, Creature Lives (With members of Red Fang on backing vocals).



13 de Janeiro de 2012

Discos: MASTODON - "THE HUNTER"

Os Mastodon actuam no próximo dia 22 de Janeiro no Coliseu de Lisboa.
Considerado por várias listas como um dos melhores de 2011, o mais recente trabalho dos Mastodon é, mais uma vez, demonstrativo de uma criativdade e imaginação raros no panorama musical actual. Desta vez, os norte-americanos surpreendem fãs e crítica apresentando uma colecção de canções curtas de forte pendor psicadélico. Se o álbum anterior, "Crack The Skye", era dominado por longas composições em que os momentos mais mágicos ficavam diluidas, agora cad riff serve de mote para uma canção de duração média com métrica mais convencional. Desta forma, cada parte é apreciada por si ao constiuir um riff ou um refrão forte, sendo cada tema mais memorizável. No todo, é mais fácil ter a noção do talento do grupo.

O som mais metal parece algo posto de lado em prol de canções de sonoridade mais rock, mas com a personalidade e a admirável técnica dos Mastodon. Black Tongue, Curl Of The Burl, Dry Bone Valley, All The Heavy Lifting possuem nuances de 70's, stoner e de grunge mas a sua originalidade fá-las de outro campeonato.

Há espaço para temas mais estranhos, como Blasteroid ou Octopus Has No Friends, e a vertente imagética e psicadélica, que esteve sempre latente, aperece ainda mais acentuada, como nos espectaculares Stargasm, The Sparrow e no tema título. A intro de Creature Lives chega mesmo a conter uma citação propositada a Pink Floyd.

As vozes aparecem mais límpidas do que nunca com Brent Hinds (guitarrista) e Brann Dailor (baterista) em destaque, mas Troy Sanders (baixista e voz e principal) continua com os seus hurros de pirata em dia de tempestade. Bill Kelliher continua com a sua exclusividade à guitarra.

O facto das canções já não terem aquela estrutura progressiva e a falta de petardos de energia (como Blood and Thunder, Circle Of Cysquatch ou Crystal Skull) de outros álbuns podem ser para alguns, como este escriba, pontos em desfavor deste "The Hunter". Em todo o caso, esta nova aventura dos Mastodon revela que a banda continua excitante, cativante e a apostar na qualidade e profundidade da sua música, em contra-corrente ao que é, infelizmente, cada vez mais comum hoje em dia.






2 de Janeiro de 2012

OS ÁLBUNS MAIS ESPERADOS DE 2012

BLACK SABBATH: os inventores do metal regressam aos discos 34 anos depois da saída do seu vocalista original e com ele de volta: Ozzy Osbourne.
MINISTRY: depois do sucesso e inspiração dos seus últimos trabalhos, Al Jourgensen foi "obrigado" a reunir de novo a sua banda, uma das mais interventivas da actualidade e talvez a melhor do industrial-metal.
SOUNDGARDEN: os vetereanos do grunge já tinham regressado aos concertos e este ano têm agendado um novo álbum que, a julgar pelos aperitivos, promete.
VAN HALEN: outro regresso dos horizontes da memória é o de David Lee Roth aos Van Halen. Já não cantava com a banda desde a altura em que lançaram o seu maior sucesso, o tema Jump, em 1984.
THE CULT: Com Bob Rock ao lema da produção, aguarda-se sempre o melhor de um novo álbum deste espectacular grupo. Algumas canções foram já interpretadas ao vivo.
DOWN: Phil Anselmo, Pepper Keenan e cª têm agendada para este ano nova dose de narcóticos auditivos de raíz clássica.
LAMB OF GOD: um dos pesos pesados do metal actual têm álbum anunciado para este ano.
TESTAMENT: os veteranos do thrash metal têm também disco novo na calha.
MUSE: um dos maiores sucessoas da pop actual, prometem novos sucessos e tourneés estonteantes.
MADONNA: a senhora ícone da pop anunciou um novo trabalho para este ano.
ORELHA NEGRA: ao nível da música portuguesa, temos prometido um álbum deste projecto que junta membros de várias bandas como Cool Hipnoise, Spaceboys, entre outras.
SÉTIMA LEGIÃO: não é um regresso aos discos mas um regresso aos palcos desta que é uma das melhores bandas portuguesas de sempre e onde militou, entre outros, Rodrigo Leão.

26 de Dezembro de 2011

OS MELHORES ÁLBUNS DE 2011

Aqui ficam alguns dos melhores álbuns de 2011 segundo o UNIVERSO DA MÚSICA.
Machine Head - "Unto The Locust"
Trivium - "In Waves"
Mastodon - "The Hunter"
Red Hot Chili Peppers - "I'm With You"
Jane's Addiction - "The Great Escape Artist"
Fleet Foxes - "Helplessness Blues"
PJ Harvey - "Let England Shake"
Foo Fighters - "Wasting Light"
Devin Townsend - "Ghost"
Black Keys - "El Camino"
Adele - "21"
Buraka Som Sistema - "Komba"
Paus - "Paus"

20 de Dezembro de 2011

Rubrica "Os melhores álbuns de sempre": THE CULT - «LOVE» (1985), «ELECTRIC» (1987), «SONIC TEMPLE» (1989)

Estávamos em 1985 e, depois de vários trabalhos, em nome próprio ou com outros, em que se destacaram como pontas de lança do movimento gótico, os The Cult arriscam em lançar "Love" que marca claramente uma evolução para outras sonoridades. A produção, bastante admirada ainda hoje, foi uma pedrada no charco para altura, com o disco a soar como se de uma actuação ao vivo se tratasse, mas num local com muito eco , tipo uma igreja, o que lhe conferia uma aura de mistério. Basicamente, "Love" é um cruzamento de rock gótico mais obscuro com a energia do rock pós-punk mais optimista, feito por bandas como os U2 iniciais, Chameleons, Big Country,etc; acrescentando-lhe ainda influências do rock psicadélico dos anos 60. Tudo embrulhado num formato bastante acessível com ritmos surpreendentemente dançáveis (!?). Aqui aparecem pela primeira vez o estilo de canções gothic-pop depois popularizado por bandas como os The Mission, Gene Loves Jezebel, Héroes del Silencio, etc. É o caso de temas como "Nirvana", "Rain", "Hollow Men" e do hit "She Sells Sanctuary". "Love" marca também a reabilitação do efeito wha-wha na guitarra rock, que desde Jimi Hendrix praticamente só era usado noutros estilos. A canção "The Phoenix" é, neste particular, sublime, com um solo demoníaco que se estende ao longo de todo tema. Para completar, temos os temas mais calmos, "Brother Wolf..." e "Black Angel", marcados pelo forte romantismo (no sentido literário do termo), para além desse grande hino geracional que é "Revolution".
Depois da tour de "Love", os The Cult contratam o produtor Rick Rubin, então com um auspicioso início de carreira, e gravam aquilo que é capaz de ser a maior pirueta na carreira de uma banda. "Electric" é quase o contrário do disco anterior apesar de igualmente inspirado. Os ecos, o ambiente nocturno e o psicadelismo são agora substituídos por um som seco, directo e distorcionado, como se estivessem a tocar na nossa sala de estar. Numa linhagem AC/DC, todos os riffs são um verdadeiro murro no estômago, puro e duro. "Wild Flower", "Lil' Devil" e "Love Removal Machine" são clássicos intemporais , para além de outros como "Peace Dog", "Bad Fun" e "Outlaw", igualmente míticos, sem esquecer aquela que será, porventura, a melhor versão do clássico "Born To Be Wild". Com este álbum, e a tour que se seguiu, os The Cult conquistaram uma enorme base de fãs nos EUA sendo das bandas britânicas mais famosas do outro lado do Atlântico nas últimas décadas. Indispensável para qualquer motard que se preze, "Electric" colocou também os The Cult como um grupo incontornável para os fãs do metal/hard n'heavy.
Em 1989 é lançado o trabalho que acaba por ser uma espécie de síntese dos 2 anteriores e o álbum mais bem sucedido em termos de vendas dos The Cult. "Sonic Temple" representa o hard-rock na sua perfeição: composições talentosas, técnica soberba, letras inspiradoras, e uma produção espectacular (Bob Rock faz aqui o seu trabalho prévio ao Black Album dos Metallica). O guitarrista Billy Duffy e o vocalista Ian Astbury têm aqui as melhores prestações de sempre. Apesar de superficialmente o álbum ter a ver com a corrente hard-glam então em voga, a verdade é que estas canções e todo o alinhamento está muitas milhas à frente de tudo o que se ouvia e é, na prática, uma paradigma do que de melhor já se fez e fará na música rock. Desde os temas mais fortes e imediatos, como "Sun King", "Fire Woman" e "Sweet Soul Sister", até aos mais mid tempo, como "Edie" e "Wake Up Time For Freedom", não há nada que falhe neste disco. Quiçás o momento alto do álbum seja a sequência "Soul Asylum"/ "New York City" /"Automatic Blues": dois épicos, profundos e poderosos, com sucessivas camadas de guitarra e refrões dramáticos, intercalados por uma rockalhada no melhor estilo que retrata na perfeição o ritmo agitado daquela metrópole. Grandioso!
Os The Cult têm tido uma carreira de altos ("Beyond Good And Evil" de 2001 é um deles) e alguns baixos, algumas interrupções de carreira e a associação a outros projectos (como a participação de Astbury nos Doors XXI), para além de alguma intermitência na sua popularidade. Em todo o caso, os 3 álbuns aqui referidos ditaram modas e movimentos, influenciaram inúmeras bandas e, por isso, fazem parte da história da (boa) música.
(Nota: clicar nos links com o nome dos álbuns para ouvir)


12 de Dezembro de 2011

Perdidos no tempo: MORITURI

Criadores de uma música de excepcional qualidade, os Morituri foram uma banda que existiu na segunda metade da década de 80, tendo feito algum furor no underground lisboeta. Praticavam uma música extremamente avançada para a altura, tendo sido dos primeiros (do Mundo se calhar) a cruzar estilos tão díspares à época como o gótico, o metal, o punk e o rock sinfónico. Anteciparam até movimentos e correntes que viriam a surgir anos depois, como as bandas de metal operático ou black sinfónico (proporções à parte, claro).
A sua carreira foi curta e, lamentavelmente, não deixou nenhum registo discográfico editado comercialmente. Assim, cancões de grande talento como "Tédio", "Luzes Vermelhas", "Viver A Sua Vida ", "Crime no Paraíso", entre outras, ficaram, por isso, esquecidas no tempo.
Dos grupos que fizeram parte do boom criativo da segunda metade da década de 80 e que nunca chegaram a editar nenhum disco, e não foram poucos, os Morituri serão, por ventura, o caso mais emblemático dessa injustiça.
Para conhecer a banda, consulte-se o seu My Space: http://www.myspace.com/morituri1986

4 de Dezembro de 2011

Discos: JANE´S ADDCICTION - "THE GREAT ESCAPE ARTIST"

Já lá vão duas décadas desde que os Jane's Addiction se tornaram um nome fundamental na história da música, não só pela inovação e influência do seu som como também pelas portas que abriram às bandas e editoras independentes nos EUA. Desde aí, muita coisa se passou, desde um longo interregno, ao crescimento de um culto, até ao regresso às tours e aos discos. O seu álbum de originais anterior - "Strays" de 2003 - representava uma súmula do seu som: guitarras pujantes, ritmos afunkalhados e a voz "celestial" de Farrell No entanto, dado os anos que tinham passado, o trabalho foi mal entendido por uma razão principal: a característica crossover já não tinha a urgência destes tempos - demasiado pesado para os ouvintes "alternativos", pouco convencional para ser metal. A compartimentalização da música do século XXI  já não tinha a ver com a explosão de criatividade e mistura de estilos do início dos 90.
Assim, os Jane's Addiction regressam neste "The Great Escape Artist" à sua origem natural: o rock alternativo ou, pelo menos, ao lado mais inovador e descomprometido da música. Logo na primeira audição verificamos que oo grupo andou a ouvir muito pós-punk e gótico dos anos 80. Os The Chameleons e os The Sound andaram por aqui, nomeadamente nos sons e melodias da guitarra de Navarro. Mas desenganem-se aqueles que pensam que o álbum está virado para ambientes obcuros. Os Jane's Addiction continuam a ser aquela banda exuberante e sonhadora.
Underground (uma declaração de intenções sobre o não-alinhamento da banda) e Irrisitible Force (sobre o poder da espiritualidade) são os candidatos mais fortes a constituírem hinos nos seus concertos. End Of The Lies mantém a toada rock e Words Right Out Of My Mouth cheira a punk. Mas o resto do álbum é esencialmente calmo e com a referida influência gótica, conforme demonstram canções como I'll Hit You Back e Twisted Tales, apesar dos refrões declaradamente alegres. Por sua vez, temas como Broken People revelam que o grupo continua a destilar talento.
Dave Navarro apresenta aqui uma viragem no seu som característivo de guitarra que, apesar de inovador e surpeendente, aperece bastante mais contido que noutras ocasiões. Stephen Perkins abandona os habituais break beats e aposta mais no pormenor e em ritmos calmos - Splash A Little Water On It chega a ser quase trip-hop. Mas argamassa que une o todo é o trabalho de Perry Farrell - com a qualidade que nos tem vindo a a habituar nos seus projectos paraleos (Porno For Pyros e Satellite Party) bem como na sua carreira a solo (especialmente no fantástico "Songs Yet To Be Sung"). A nível lírico, Farrell continua a equilibrar realismo com misticismo asumindo o seu estatuto de guru das vibrações positivas.
Com pontos menos fortes de "The Great Escape Artist", pode-se apontar a curta duração dos temas e o pouco espaço para as partes instrumentais, algo que as capacidades técnicas e criativas dos seus instrumentistas exigiriam. Assim, apostou-se em canções de formato acessível e consumo mais imediato que, sendo algo novo num álbum inteiro, não faz inteiramente jus ao passado da banda. Assim temos um trabalho que acaba por não ser tão marcante como outros álbuns de Jane's Addiction mas que, ainda assim, representa uma fuga para a frente e uma continuação no desbravar de novos caminhos que este grupo já nos habituou.





25 de Novembro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: U2 - "ACHTUNG BABY" (1991)

20 anos depois, os U2 comemoram a edição de Achtung Baby com a reedição remasterizada do álbum em 3 versões diferentes, uma normal e duas com originais e remisturas da época.
Estávamos no final da década de 80 e os U2 tinham alcançado o seu pico de fama com o multi-platinado "The Joshua Tree" e o posterior filme e disco "Rattle And Hum", onde a banda decide revisitar as raízes do rock n' roll e da América. Para trás tinha ficado o primeiro período, mais juvenil mas com grande originalidade, e as experiências sonoras da fase de "The Unforgettable Fire". A imagem dos «4 gajos porreiros», simples, sinceros, a lutar por boas causas, e até com uma carga religiosa, era a sua imagem de marca.
Surpreendentemente, a partir daqui tudo, muda. A cortina de ferro cai e os U2 vão gravar a Berlim para respirar o ar dos tempos, Bono e The Edge declaram que andam a ouvir o shoegaze, a mistura de rock e música de dança na altura na berra no Reino Unido, alguns elementos passam por dificuldades nos seus relacionamentos, a banda volta a assentar arraiais na Europa depois de vários anos nos EUA. E nasce "Achtung Baby".
Os primeiros dados a surgir ao conhecimento do público deixaram meio Mundo boquiaberto a questionar-se se se tratava da mesma banda: do visual arrojado de onde sobressaía os gigantes óculos escuros de Bono, dos temas a denotarem um ritmo anormalmente dançável para os padrõs do grupo, a atitude da banda - na pose das fotos, nas entevistas e nos clips - e até a curiosa capa do disco. Tudo parecia propositadanete diferente, houve até quem se desiludísse com a nova atitude propositadamente teatral, cheia de mensagens subliminares, mas, ao mesmo tempo, notava-se uma coerência estética, artística e criativa, como nunca até ali se tinha visto no grupo.

A temática base que atravessa o álbum é a questão da sociedade hipermediatizada, a era da informação. Isso é notótio em canções como "Zoo Station", "The Fly" e "Even Better Than The Real Thing". Mas, por outro lado, há toda uma panóplia de temas muito inspirados que nos levam para outros cenários. O mundo das paixões e das relações é retratado sem falsos pudores em temas como "Who's Gonna Ride Your Wild Horses", "Love Is Blindness", entre outros; "Mysterious Ways" retrata  o jogo da sedução e da sensualidade enquanto que "Until The End Of The World" e "Acrobat" são mais filosóficos e existencialistas. E depois temos aquele tema elevado a uma espécie de hino de união da humanidade que é "One" (mas que poderá ter outras leituras como a temática da solidão e do flagelo da Sida).
"Achtung Baby" é um excelente retrato dos tempos actuais, mas, para além desse realismo, possui com uma sonoridade e uma produção cálida e rica, que alarga os horizontes do ouvinte. É música - no sentido artístico/cultural do termo - no seu melhor.
Depois do lançamento deste disco foi sendo desenvolvido um conceito de concerto revolucionário: a Zoo TV. Cada concerto da banda era como se fosse uma emissão de televisão em que a audiência era bombardeada por dezenas de mesagens em ecrãs gigantes, com temas diversos conforme a canção, ao mesmo tempo que a banda e o cenário obedeciam a uma espécie de performance em que Bono desempenhava o papel de vários alter-egos e até os próprios temas antigos conheciam outras sonoridades.
Tudo isto foi evoluindo para os álbuns seguintes "Zooropa" e "Pop", que tiveram também um conceito - a nível de letras, de música e de touneé - muito coerente, criativo e teatral. No fundo, o grande feito de "Achtung Baby" foi fazer com que a nova atitude dos U2 - talentosa, arrojada, irónica, crítica e até, pasme-se, intelectual - chegasse até às massas.
Desde o início do século para cá os U2 voltaram à imagem simples e bem comportada de antigamente mas, apesar das grandes produções, os álbuns soam mais insípidos a nível lírico e musical, de aí o facto das novas gerações os compararem a outros grupos que quase roçam a mediocridade. Mas a história e os períodos áureos dos U2 permanecem para quem os quiser ouvir e isso ninguém lhes tira.
 

19 de Novembro de 2011

MACHINE HEAD AO VIVO NO COLISEU DE LISBOA - Review

A passagem dos Machine Head por Portugal superou qualquer expectativa. O concerto de Lisboa rebentou a escala a todos os níveis. Primeiramente a nível da produção: um som bombástico, com grande definição e volume, e um show visual admirável proporcionado pelos ecrãs gigantes. Depois pela banda, que tanto a nível da composição, da técnica e da performance em palco se encontra num excelente momento de forma.

Ao som dos cânticos gregorianos, os Machine Head entram em palco com a imparável I Am Hell, e logo aí se viu que o som estava a quilómetros das bandas da 1ª parte. A parte final do tema, em tons épicos, desenrolou-se com o cenário repleto de imagens de chamas, num todo espectacular.


Be Still An Know e Imperium continuaram a fase inicial do espectáculo com o público, em delírio, a entoar os temas ou em mosh nas partes mais aceleradas. Os dois guitarristas mostravam uma execução perfeita mostrando que a via dos solos e das harmonias é uma aposta ganha. Aliás, notou-se que os Machine Head, ao contrário da maior parte dos grupos que têm um guitarrista solo ou dois que solam à vez, adoptam a modalidade dos dois guitarrists solarem ao mesmo tempo em sintonia, o que cria um som muito melódico que casa bem com as partes mais densas e pesadas.


Antes de intepretar o single do último álbum, Locust, Robb Flyn fez um discurso alusivo à letra enquanto que as imagens dos ecrãs provocavam um efeito semelhante a uma nuvem (de gafanhotos no caso). O riff foi entoado pela plateia em registo "oooh, oooh, ooh", para além das partes vocais - o que foi uma constante ao logo do espectáculo. Aesthetics of Hate foi dedicada a Dimebag Darrell e a casa veio abaixo com o mosh. Clássicos como The Blood, the Sweat, the Tears (mudado para Beers), Old, entre outros, foram muito bem recebidos por um público muito heterogéneo a nível etário.
 
 
O momento mais surpreendente da noite acabou por ser o tema Darkness Within que ao vivo ganha outra dimensão com as imagens projectadas no ecrã, os breakes de McClain executados com mestria e o público a corresponder admiravelmente cantando a letra toda. Arrepiante!

No último tema antes de saír, Robb Flyn instalou a confusão quando na parte do meio de Ten Ton Hammer apelou os presentes para formarem um gigante circle pit que ocupou a plateia quase toda do Coliseu. Nada de estranhar nos concertos destes californianos. O encore foi repartido pelo tema de maior fama do penúltimo álbum, Halo, entoado em uníssono e com novo desfile de solos  admiráveis e sucessivas mudanças de parte; e pelo hino Davidian que proporcionou mais uma sessão de correria, pontapés, saltos e crowd surfing.

Com adopção de elementos mais melódicos e harmoniosos no seu som, os Machine Head fecharam uma espécie de círculo: o seu som parece agora "completo", a pujança, o groove e os tons graves conjugam-se agora com a técnica, os agudos e uma maior musicalidade. Ao mesmo tempo, alargam a sua base de fãs sem precisar de se vender. Ou seja, um caso sério de sucesso com qualidade e um espectáculo de um nível como há poucos actualmente.

Na primeira parte, tivemos os Darkeste Hour - com o melhor som da 1ª parte e a merecerem ser seguidos de perto. A banda do inenarrável Dez Fafara, os Devildriver, agitou as hostes mas, infelizmente, o som que saía das colunas estava muito mauzinho. Agurdemos regresso mais bem sucedido. Por fim, antes dos cabeça de cartaz, actuaram os Bring Ne The Horizon, de som e estética mais próxima do hardcore, com a voz agressiva a correspoder ao estilo, mas misturando alguns pormenores mais inovadores como a voz limpa e algumas partes calmas.

8 de Novembro de 2011

Discos: MACHINE HEAD - "UNTO THE LOCUST"


Os Machine Head a 17 de Novembro no Coliseu de Lisboa e a 18 de Novembro no Coliseu do Porto.
Os Machine Head têm sido considerados, quase unanimemente, como uma das melhores bandas do universo do metal na última década e meia. Tanto que se dão ao luxo de ter os consagrados Sepultura a abrir os concertos da sua mais recente tour, ou merecem os comentários mais elogiosos de personalidades como James Hetfield (que chegou a actuar com eles ao vivo) ou Kerry King (que os considerou uma banda imprescindível num eventual "Big 4" de bandas modernas). Desde o seminal primeiro álbum "Burn My Eyes" (de 1994) que o grupo esteve sempre, no fundo, na crista da onda, ditando estilos ou seguindo-os da forma mais talentosa - conforme a altura e o álbum de que falemos. Neste sentido, a edição de um novo álbum de originais dos Machine Head assume sempre particular relevância e neste caso, depois de ouvido e digerido o trabalho, com plena razão de ser. Um trabalho cativante e talentoso, enérgico e bombástico mas com grande cuidado nos pormenores e nuances, e com tão só 7 mas grandes composições (mais 2 versões na edição deluxe).

Logo a abrir o álbum temos a faixa I am Hell, com a sua intro em cântico gregoriano, revelando aquela que - segundo o vocalista, guitarrista e líder da banda - foi a maior influência deste trabalho: a música clássica. Mas nada de sustos, já que depois de uma pequena parte pesadíssima, em tons marciais, o tema deriva para um riff estonteante em ritmo hardcore de deixar apardalado o mais incauto. Um corropio de solos e partes diferentes compõem o tema que acaba em tons mais melódicos. Uma das melhores composições de sempre da banda de deixar qualquer um sem respiração.

Um riff em tapping, de inspiração medieval introduz-nos para a segunda canção, Be Still And Know, num ritmo apesar de tudo mais calmo. Para além do peso característico da banda, nota-se um elemento mais melódico que o habitual que percorre o disco todo: é a influência do heavy mais tradicional - NWOBHV , power metal, etc. - para além da já referida música erudita.

Locust é primeiro o clip deste novo trabalho e é já um dos hinos do grupo, algo como a perfeita  canção metal: início em tons góticos, riff e refrões contagiantes e uma parte tema brutalíssima na melhor tradição Machine Head. Nem se fale do solo de arrepiar com as duas guitarras em harmonia. A letra é uma metáfora que, segundo Robb Flyn, se refere às pessoas gananciosas e ao seu poder na sociedade actual.

A seguir, temos This Is The End que é puro thrash-metal e mais um pedaço de talento para o reportório da banda, apesar do refrão levemente comercial fazer lembrar as novas bandas de metalcore de voz imberbe. O início cita nitidamente Metallica. Por sua vez, Darkness Within é o tema mais calmo do disco mas, ainda assim, consegue surpreender. Pearls Before Swine é mais um daqueles registos thrash progressivo que os Machine Head nos têm habituado nos últimos trabalhos; cada parte da música é altamente criativa e o riff final estaria mesmo a pedir uma continuação. Para terminar, temos a canção eventualmente mais power metal que os Machine Head já compuseram, Who We Are, uma espécie de final em tom festivo.

Em suma, mais um trabalho talentoso do quarteto californiano, um marco na música metal, que só peca por ser escasso. As grandes composições têm a vantagen de não nos cansarem e de descobrirmos pequenos pormenores à medida que vamos ouvindo o álbum mais vezes. Mas chegamos ao fim e ficamos a querer mais. Se calhar é propositado. Se calhar é bom sinal.

2 de Novembro de 2011

Moonspell ao vivo: NUNCA A ALMADENSE FOI TÃO INCRÍVEL

No passado dia 31, noite de Halloween, o mítico local de concertos Incrível Almadense assistiu a uma das suas noites mais gloriosas. Os Moonspell aproveitaram a "noite das bruxas" para efectuarem um concerto-celebração dedicado ao seu primeiro álbum, "Wolfheart" (de 1995), e não podiam tê-lo feito de melhor forma: sala apinhada, público em êxtase, um palco maior do que o habitual naquele espaço, um show de luzes espantoso, várias surpresas especias e uma banda em plena forma.

O alinhamento foi irrepreensível com a totalidade dos temas do álbum a ser debitada pela ordem do disco, excepto Ataegina que surgiu a meio do alinhamento. Este tema foi dedicado pelo vocalista ao espírito de festa dos portugueses e o público correspondeu com cânticos e braços no ar - uma constante de todo o concerto, aliás.

A segunda parte do concerto correspondeu aos trabalhos prévios e imediatamente posteriores a "Wolfhert", o que assentou que nem uma luva no ambiente que se vivia na sala, dando uma sensação de máquina do tempo, como se estivéssemos a viver alguma das grandes noites que os Moonspell ofereceram no passado. A diferença, para melhor, é o cada vez maior profisionalismo da banda - e de Fernando Ribeiro como mestre de cerimónias em particular.

Para abrilhantar o concerto, ainda houve dança do ventre e outras coreografias magníficas por um grupo de bailarinas "vampirescas" a acompahnhar as partes mais ambientais dos temas executados, para além de duas cantoras bastante intervenientes nos temas desta fase da banda.

Em suma, um espectáculo memorável como há poucos, com partes de arrepiar tal a química transmitida e "trocada" com o público.

Alinhamento: Part I - Wolfshade, Love Crimes, Of Dream and Drama, Lua D'Inverno, Trebaruna, Ataegina, Vampiria, An Erotic Alchemy, Alma Mater; Part II - Tenebrarum Oratorium (Andamento I), Opus Diabolicum, Goat On Fire, Opium, Awake!, excerto de um novo tema, Mephisto, Full Moon Madness.



25 de Outubro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: MOONSPELL - "WOLFHEART" (1995)

Os Moonspell actuam no proximo dia 31 deOutubro na Incrível Almadense.
"Wolfheart" é o álbum de estreia da banda portuguesa Moonspell, lançado a 4 de Janeiro de 1995. Depois do criativo EP, embora extremo, "Under The Moonspell", os Moonspell apostam num trabalho influenciado pelo esoterismo, pelas lendas tradicionais e pelo mistério. Este imaginário traduz-se num conjunto de temas coerentes no seu conjunto mas que reflectem múltiplas influências: desde o gothic metal, black metal, hard rock e rock sinfónico. Essa mistura de referências produz, no entanto, um trabalho fresco e novo, algo que nunca tinah sido ouvido até ali. 


Um elemento fundamental do álbum é o folk metal, presente, sobretudo, em "Trebaruna" e "Ataegina" cantadas em português - lingua usada também no refrão de "Alma Mater" - mas também na pequena e deliciosa peça chamada "Lua de Inverno". O trabalho começa com o hino "Wofshade", talvez o tema mais pesado de todo o disco, avançando para "Love Crimes" e o seu refrão poderoso apimentado por uma bela voz feminina. Em seguida segue para o maravilhoso "Of Dream And Drama" (Midnight Ride). Mais à frente encontramos o inevitável "Vampiria" que narra a vertente romântica do história original de Drácula.


A canção "An Erotic Alchemy" é uma autêntica releitura de Sisters Of Mercy, inspirada e com citações de Marquês de Sade. Um dos melhores temas da banda entretanto (quase) esquecido. "Alma Mater", ao contrário, é o tema que os Moonspell interpretam sempre ao vivo, dedicado à "alma" e às raízes que, no caso deles, são Portugal.


Podiamos citar nesta rubrica o álbum "Irreligeous" por muitos considerado a obra prima da banda pela sua óptima colecção de canções, ou outro álbum mais recente como, por exemplo, "The Antidote". Apesar disso, a escolha recaiu em "Wolfheart" porque foi um álbum feito com muita "alma" - o que faz com que seja muito autêntico e criativo - e aquele que criou o imaginário de Moonspell, . Ao mesmo tempo, acaba por ser o álbum mais aberto (que não comercial) a outros estilos e, por isso, mais fácil de ser apreciado por qualquer ouvinte.


17 de Outubro de 2011

The Mission ao vivo em Lisboa - Review

Artigo:Jorge Blanch
Foto: Rafalex

Os The Mission regressaram a Portugal para mais dois concertos, desta vez na Tourneé de comemoração do 25º aniversário da banda.
Para além da efeméride, e de isso implicar um revisitar dos principais temas da banda, existia igualmente o interesse extra de poder rever,para além do líder Wayne Hussey, o baixista e o guitarrista originais, CraigAdams e Simon Hinkler, respectivamente.
Em Lisboa, no passado Sábado, a presença massiva de públicoque lotou a sala TMN, mostrou o porquês da banda ter marcado uma geração.
O reconhecimento da banda por parte do nosso público ficou bem patenteado pela excelente recepção, entre outros temas, às "bandeiras" góticas, Wasteland, Severina, Naked and Savage ou Tower of Strenght, ou temas pop como o apoteótico Butterfly On A Wheel ou Like a Child Again (só com Wayne na guitarra numa versão acústica).
Contámos, no entanto, com um péssimo som da sala que impossibilitava a audição perceptível dos instrumentos, algo que não conseguiu minimizar o facto de estarmos na presença desta enorme e marcante banda e da autêntica celebração a que assistimos.

8 de Outubro de 2011

THE MISSION: A história

Os The Mission actuam no próximo dia 14 de Outubro no Porto e a 15 de Outubro em Lisboa.

Em 1986, Wayne Hussey (então apenas guitarrista) e Craig Adams (baixista) deixam a banda seminal do rock gótico, The Sisters Of Mercy, formando os The Mission. As primeiras edições da banda - como os singles "Serpent Kiss" e "Stay With Me" - atingiram de imediato o top britânico, bem como de outros países europeus, sendo rotulada como a "next big thing". Os concertos encontravam-se esgotados e não demorou para que o grupo assinasse um contrato com a Phonogram Records.

O álbum de estréia “God's Own Medicine” é editado e alcança o 14º lugar do top britânico sendo aclamado por toda a crítica. Pegando na matriz gótica de que descendem e no som característico da guitarra solo de Simon Hinkler, os The Mission adoptam um som mais acessível e ligeiro, piscando o olho ao hard rock e à pop mais vanguardista, para além de acrescentar o ritmo do punk - um pouco ao jeito do que faziam bandas como os The Cult da altura e os primeiros U2.

Os álbuns seguintes foram "The First Chapter" (espécie de colectânea de singles e ep's prévios ao primeiro álbum) e "Children", que continuaram na senda de sucesso, sendo aclamados também nos Estados Unidos e por todo o continente americano. Nos seis anos seguintes a banda lançou seis álbuns e 10 grandes sucessos incluindo verdadeiros clássicos como “Wasteland”, “Tower Of Strength”, “Severina”, “Beyond The Pale”, “Deliverance” e “Butterfly On A Wheel”. O total mundial de discos vendidos chegou a 3.000.000 de unidades. Durante este período, os The Mission aumentam a sua reputação como uma das melhores e mais excitantes bandas ao vivo no mundo com recepções calorosas, aceitação por parte da imprensa, e uma fanática audiência de seguidores um pouco por todo o Mundo. Dois dos pontos altos da carreira do grupo foram as sete noites consecutivas no lendário Astoria Theatre em Londres e as actuações no famoso Reading Festival por duas vezes. Tocaram junto com U2, The Cure e Robert Plant.

Em 1994, a banda rescindiu contrato com a Phonogram depois de inúmeras disputas jurídicas. Montaram o selo “Neverland”, com distribuição da Sony Dragnet da Alemanha. Após dois anos, mais dois discos, a banda decide fazer um descanso sabático. Em 1999, com um espírito revigorado, os The Mission reúnem-se novamente e, depois de alguns bem sucedidos concertos, empreendem uma cansativa e espetacular tour mundial (Recon 2000) incluindo memoráveis aparições nos festivais Eurorock e M'era Luna. A tour culminou com uma tour européia em Novembro/Dezembro de 2000 e com a assinatura de um novo contrato com a Playground Recordings. Pouco depois, editam “AurA”,  produzido pelo próprio Wayne Hussey, tendo o tema “Evangeline” como hit principal.

Depois de mais alguns anos de descanso, onde o vocalista e líder da banda aproveitou para efectuar várias tourneés a solo que passaram pelo nosso País, a banda anuncia em 2011 o seu regresso aos concertos.

 

28 de Setembro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: NIRVANA - "NEVERMIND" (1991)

O álbum "Nevermind" dos Nirvana é considerado como um dos álbuns mais importantes da história da música, e mesmo da cultura pop. Este clássico, para além de iniciar o "grunge", representou uma grande quebra estilística no que era vulgar ouvir-se e produzir-se na altura e constituiu, à luz da sua influência, uma mudança de pardigma na história do rock.

Depois de uma década em que a ascenção do video-clip e do mercantilismo na música cristalizou os estilos e atrofiou gradualmente a imaginação, o sucesso massivo dos Nirvana representou uma lufada de ar fresco no mainstream e um regresso ao back to basics (não será inocente a semelhança com o nome de outro álbum fundamental da música: "Nevermind The Bollocks" dos Sex Pistols).

No entanto, a importância deste trabalho teve razões diversas e dimensões diferentes. Nos Estados Unidos, o sucesso dos Nirvana abriu a porta ao conhecimento dos inúmeros estilos underground e alternativos, até aí muito reprimidos pelo conservadorismo da sociedade e do materialismo da indústria. É a partir de "Nevermind" que muita da população americana começa a ouvir pela primeira vez bandas pós-punk e vanguardistas, maioritariamente europeias. Na Europa, por seu lado, os Nirvana representaram a quebra da fronteira que existiu nos 80's entre música comercial e música underground; nesse aspecto, foram até acompanhados por otros grupos menos acessíveis que começaram nesta altura a obter sucesso massivo apesar de ignorados pelas televisões e as rádios.

Acima de tudo, este álbum é contituido por grandes canções rock, cantadas com toda a garra, da calma à  distorção estridente, com influência diversa mas mantendo uma personalidade própria. Se a influência do garage rock, do punk, e dos padrinhos Sonic Youth e Pixies é notória, a introdução de ritmos diversificados (influência do rave'n'roll da altura?) e o talento de composição fizeram a diferança.

Nesse aspecto, o talento de Kurt Cobain emerge pelas belas melodias que criou e pelo ritmo que imprimia às composições (as bandas de Dave Grohl nunca tiveram aquela diversidade), já para não falar das letras mordazes deste disco - que muito espelhavam a chamada "geração X".

Outro factor decisivo nos Nirvana, e que fez escola, foi a voz. A explosão de "Nevermind" iniciou, ou deu destaque, a um naipe de grandes vocalistas - Layne Staley (AIC), Scott Weiland (STP), etc. - e mudou definitivamente as vocalizações da música rock (acabando com o paradigma Robert Plant).

Os Nirvana não descobriram a pólvora - houve outras bandas magníficas no início dos 90's em que a música moderna mudou muito, os estilos se cruzaram e se desfizeram numa miríade de sub-estilos. Mas o sucesso que Nevermind alcançou e a feliz fórmula de bons temas com originalidade q.b., para além do destino trágico do seu vocalista (que nestes casos, já se sabe, aumenta o mito), fizeram deste disco uma dos mais fundamentais da história.







15 de Setembro de 2011

Novos vídeos no canal do You Tube "DynamindPortugal"


Novos vídeos - inéditos e não oficiais - de clássicos da música têm sido publicados no famoso site de vídeo You Tube, mais concretamente no canal "DynamindPortugal". Para além dos video-clips de edição de autor, destaque-se as imagens de concertos que ocorreram no nosso País, desde os mais recentes aos mais antigos.

A página pode ser consultada directamente aqui ou através do endereço: http://www.youtube.com/user/DynamindPortugal

8 de Setembro de 2011

Discos: SEPULTURA - "KAIROS"

Os Sepultura editaram recentemente o álbum "Kairos" que acaba por ser dos melhores trabalhos da banda desde que o vocalista Derrick Green entrou para o grupo, em 1998. Isto deve-se a vários factores.
O primeiro deles é a produção que alcança uma qualidade por vezes arredia de alguns trabalhos do banda. A bateria mostra-se integrada no resto dos instrumentos e as guitarras soam bem cá para cima.
Em segundo lugar, nota-se que banda apostou em compor temas de qualidade, que valem por si, e não deitou cá para fora a primeira coisa que se lembrou esperando que a fama da marca Sepultura faça o resto, como se calhar aconteceu nalguns trabalhos anteriores. O guitarrista e principal compositor, Andreas Kisser, aposta em partes instrumentais mais extensas e num regresso aos solos que, por qestões estilísticas, tinham andado arredados de grande parte das composições da banda.
Depois, nota-se francos progressos de outros elementos como Derrick Green, aqui a efectuar a sua melhor performance, com a voz típica agressiva a soar melhor do que nunca, por mérito próprio mas também devido à produção, para além de algum experimentalismo, como no tema Dialog. Depois temos Jean Falabella que, pr fim, mostra aqui todo o seu potencial que prometia nos concertos ao vivo, quer em termos de criatividade quer na rapidez tecnicamente perfeita.
Do álbum destacam-se canções como Mask (poderosíssimo), Seethe, Born Strong (daria um bom single/clip), Spectrum e Embrace the Storm. Para além da excelente versão de Just One Fix dos Ministry, que ganha em força e técnica o que perde em espectacularidade em relação ao original.
Tendo em conta a desilusão que foi o anterior "A-Lex", depois da saída de Igor Cavalera e do prometedor "Dante XXI", receava-se que o grupo teria chegado a um beco sem saída. Afinal os Sepultura conseguem abanar uma pouco as coisas e, embora o trabalho não chegue ao nível dos hinos de "Chaos A.D." e das extensas composições de "Arise", apresenta-se num plano bastante aceitável, ao nível do historial do grupo. 



2 de Setembro de 2011

Discos: RED HOT CHILI PEPPERS - "I'M WITH YOU"

Os Red Hot Chili Peppers regressaram. Com novo guitarrista, os Peppers acabam de lançar o álbum "I'm With You" e prometem uma tourneé mundial.Que dizer do novo disco? Apresenta-se ao nível do que de melhor sabe fazer a banda, pelo menos a avaliar pelos seus últimos trabalhos: boas canções, simples, originais q.b. e apelando à boa desposição e descontracção. Em relação aos álbuns anteriores, antes das longas férias que grupo tirou, o disco apresenta-se mais ritmado, com canções mais aceleradas e explorando novos territórios em termos do que tem sido o som à Red Hots.
No entanto, nem tudo são rosas. O estatuto de estreante do guitarrista sente-se demasiado e a guitarra, embora sempre presente, acaba por não se evidenciar ao longo do disco. De facto, os temas andam muito em redor do baixo de Flea e da voz de Anthony Kiedis e as partes instrumentais acabam por rarear parecendo que falta algo ao disco. Resta saber se isto se deve à recusa da banda em dar mais protagonismo ao novo elemento se por incapacidade deste.
Para além disso, saúde-se o regresso de uma das melhores bandas do mundo em termos comerciais e que consegue trazer alguma qualidade real ao maistream.



25 de Agosto de 2011

Discos: DEVIN TOWNSEND - "DECONSTRUCTION" / "GHOST"

Devin Townsend actua no próximo dia 6 de Agosto no festival Vagos Open Air (perto de Aveiro).

O musico Devin Townsend acaba de editar nada mais nada menos do que dois álbuns em simultâneo. Espelhando a sua interminável veia criativa e a sua abrangente personalidade, os dois discos são diametralmente antagónicos: "Decontruction" mais na linha que Devin nos habituou mas, ao mesmo tempo, supreendente e único; e "Ghost" que é uma peça de música ambiental de deixar qualquer um de boca aberta, ao nível do que de melhor se faz neste estilo. Se no álbum anterior - o multi platinado "Addicted" - Devin Townsend tinha sintetizado o seu talento em magníficas canções rock, originais e acessíveis, agora voltou a baralhar tudo outra vez.
"Decontruction" é, dos dois trabalhos, aquele que se enquadra na discografia mais normal do músico, dentro da área rock/metal. No entanto as características do disco superam tudo o expectável: canções extensas e progressivas, melódicas e pesadas num estilo épico e teatral, um corropio de ritmos, guitarras poderosas e solos intermináveis. Uma autêntica sinfonia de ópera metal. Aliás, um dos elementos mais fortes,  presente ao longo de todo o álbum, são os coros de música clássica - cortesia da Orquestra Sinfónca de Praga que colaborou no disco.  A voz de Devin Townsend impera sobre este caldeirão, com a sua vasta paleta de registos que vão desde a fala de personagem de desenho animado até às vociferações mais ruidosas. O humor não falta aqui, presente nas letras e em determinados samples utilizados. 
O génio louco mostra mais uma vez o seu talento apesar do disco ser difícil para o ouvinte comum. Com o peso utilizado e as composições longas, Devin Townsend afasta-se novamente e propositadamente do mainstream. Mas isso só comprova a sua autenticidade. De qualquer forma, temos um trabalho único de técnica e imaginação como há poucos.
"Ghost", por seu lado,constitui uma agradável surpresa mas por outros motivos. Trata-se de uma pérola de beatitude, um autêntico nirvana musical. Este álbum coloca Devin Townsend ao nível dos maiores músicos de estilo instrumental e ambiental (o Vangelis que se cuide!). Contrariamente ao seu mais recente álbum de cariz ambiental - "Ki" de 2008 - que era mais experimental e quase só com guitarra, este trabalho transporta-nos para outro nível fruto das suas agradávesis canções, da profusa utilização de sintetizadores, flautas, e da voz de Devin, aqui na sua vertente mais melódica e sem esgares, melhor do que nunca. Um autêntico soporífero musical que nos leva para outros mundos, de sonho e beleza.


10 de Agosto de 2011

Devin Townsend no festival Vagos Open Air - Review

No fim de semana de 5 e 6 de Agosto decorreu o festival Vagos Open Air, dedicado às sonoridades mais metal mas também com muitos outros estilos à mistura como o progressivo dos Opeth, o rock calmo dos Tiamat ou o gótico dos Anathema.
No segundo dia, também bem servido de concertos, o destaque foi para Devin Townsend que se estreou em Portugal com um concerto arrebatador, por 2 motivos principalmente: a música magnífica e grandiosa, e a empatia criada com o público fruto do humor e boa disposição do músico.
O humor é uma constante em Devin Townsend, basta ver a intro do espectáculo - que acompanhou o check sound - em que várias imagens de clássicos do cinema, fotos de famosos etc. desfilavam com a cara do músico colada às mesmas, enquanto que as colunas debitavam excertos de músicas pop como Barbie Girl e outros "atentados" - um momento verdadeiramente hilariante.
O concerto em si foi perfeito: um alinhamento irrepreensível, executado na perfeição por todos os músicos, a voz fantástica de Devin e a sua característica presença em palco - que passa por uma forte comunicação com o público, pela sua simpatia e simplicidade e também a sua mímica apalhaçada (no bom sentido). É fantástico como é que este músico consegue ter um desempenho impecável em palco ao mesmo tempo que adopta uma atitude como, por exemplo, se estivesse a beber um café ali na esquina com os amigos. A arrogância e os estereótipos "metaleiros" não têm lugar aqui, apenas uma naturalidade que desafia preconceitos e uma "good vibe" permanente. A energia do músico e do resto da banda é contagiante: mais de hora e meia sem interrupções e sempre olhos nos olhos com o público. A música, bem como a voz de Devin Townsend, é o que se sabe: uma montanha russa, do ambiental à intensidade, derrubando barreiras e misturando estilos com grande coerência. E ainda houve magníficas imagens nos ecrãs gigantes durante a actuação.
Um concerto memorável que ficará para a história e que deixa muita água na boca por mais. Essencial para qualquer fã de música em geral: não perder o próximo o concerto de Devin Townsed em Portugal!

Alinhamento: 
Addicted!, Supercrush!, Kingdom, Deadhead, Truth/OM, By Your Command, Pixillate, Bad Devil, Stand, Juular (com Ihsahn, o vocalista dos míticos Emperor), Color Your World, The Greys, Deep Peace.

Vídeos:
Video 1  Video 2   Video 3   Video 4

26 de Julho de 2011

Discos: GNR - "Voos Domésticos"

Os veteranos da música portuguesa GNR acabam de editar um álbum com novas versões de alguns dos seus melhores temas. No fundo, trata-se de novas leituras de canções, com outros arranjos, outras vocalizações e outra produção.
Tendo em conta que é composto por canções já existentes, o álbum até surpreende agradavelmente. Primeiro, evita a armadilha de efectuar versões jazzísticas (e afins) dos temas, algo que se tem vulgarizado nos dias que correm. Segundo, porque a banda se esforçou por mudar propositadamente as canções, sem "assassiná-las", fazendo com que algumas quase que pareçam ser novas composições. Por fim, os elementos sonoros e o clima geral do álbum injectam frescura e modernidade nos versões originais que, à luz deste disco, acabam por nos soar realmente um pouco datadas.
O som geral do disco acaba por ser uniforme, bastante etéreo  e atmosférico, com bastante electrónica e sintetizador  - o regresso a um elemento que foi sempre fundamental na carreira  da banda -  que nos remete para a sonoridade que se ouve nas grandes produções internacionais. O álbum tem os seus pontos fracos como, talvez, o volume da voz um pouco acima do resto e a óbvia má escolha do tema para o video-clip e alguns temas com menos interesse.
Em suma, um disco para redescobrir banda como se de um original se tratasse ou, no caso das gerações mais novas, um bom cartão de visita. 

20 de Julho de 2011

Jane's Addiction ao vivo no Optimus Alive - Review

De todos os grupos míticos do rock, já quase todos passaram pelo nosso país (sim até o desejado Ozzy com os seus Black Sabbath em 1973, por incrível que pareça). No entanto, daquela importante fornada que revolucionou a música na transição dos 80's para os 90's faltava ver um dos grupos charneira do chamado funk metal e que trouxe novos ritmos e sonoridades ao rock: os Jane's Addiction.
Foi no passado dia 9 de Agosto que a banda de Los Angeles actuou no palco do festival Optimus Alive em Algés. Dançarinas suspensas sobre o palco, fumos e um som potentoso, o show dos Jane's Addiction é rock no seu melhor: arrojo, provocação, inovação de mãos dadas com espectáculo, asumpção de um rock n' roll lifestyle franco e sem compromisssos.
Apesar do passar dos anos continuam carismáticos: Perry Farrel é a estrela da companhia com a sua voz ambígua, seduzindo completamente a atenção da audiência. Dave Navarro, é o às da guitarra, promovido a improvável socialite (nos EUA pelo menos) mas que continua a assumir a sua condição de roqueiro não abdicando de explorar novos caminhos na sua banda de sempre.
No fundo essa dualidade faz parte dos Jane's Addiction: ao mesmo tempo, são a banda rock que dá espectáculo, com solos de guitarra, psicadelismo, que apela à paz, ao amor, à revolta e ao não conformismo; mas que tem, também, uma personalidade própria que a faz única, imprevisível e excitante!
Aguardemos, pois, o próximo trabalho da banda, que pela amostra vai trazer novidades, e por um prometido regresso para breve (de preferência com um concerto mais longo).

Alinhamento:
Mountain Song, Ain't No Right, Had a Dad, Ted, Just Admit It..., Just Because, End to the Lies, Three Days, Been Caught Stealing, Ocean Size, Stop. Encore: Jane Says

Vídeos:
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16 de Julho de 2011

Os melhores álbuns de sempre: MORCHEEBA - "WHO CAN YOU TRUST ?"

Em 1996, a música electrónica mais experimental, nomeadamente proveniente do Reino Unido e da Europa continental, começa a ganhar adeptos. Neste particular, o trip hop surge como género inovador que seguindo premissas do dance e do hip hop, aposta num som mais orgânico que inclui a utilização de instrumentos convencionais. Surgido em 1992 com o álbum "Blue Lines" dos Masive Attack, o estilo foi seguido por várias bandas, como os também famosos Portishead. Os Morcheeba pegaram na cartilha daquelas 2 bandas, por vezes difíceis de digerir, e deram o um toque pessoal mais acessível. Partindo de influências clássicas - Hendrix, Floyd,... - os irmãos Paul e Ross Godfrey acrescentam uns toques de djing hip hop, sons étnicos e todos as ambiências do estilo musical atrás referido. Tudo unificado pela voz cálida e inconfundivel de Skye Edwards. À época, a vocalista cantava unicamente no seu registo mais grave e intimista, o que casava na perfeição com a batida arastada e hipnótica que o grupo praticava na altura, longe dos êxitos pop posteriores.
Se há álbum perfeito para ouvir numa noite fria, silenciosa, no calor de uma lareira, com certeza ele será "Who Can You Trust?". Desde a entrada de "Moog Island", qual casa dos feitiços onde penetramos, passamos por melodías perfeitas como "Trigger Hippie", "Tape Loop" ou "Never An Easy Way", pelo toque clássico de "Howlig" e "Col" e pelas narcóticas "Small Town" e sobretudo "Who Can You Trust?", um longo instrumental que nos põe a flutuar qual THC auditivo. Todo o disco é percorrido uma sensação de silêncio, de sussurrares, de ruídos estranhos e wha-whas borbulhantes. Tudo soa coeso como se de uma trip se tratasse.
Na altura, este álbum foi inovador na forma como misturava as suas influências. Hoje em dia, para além de se gostar mais ou menos do resto da carreira dos Morcheeba, vale a pena ouvir este trabalho como uma peça única e intemporal que vale por si.

Os Morcheeba actuam dia 23 de Julho no CCB em Lisboa e a 22 em Lagoa.



6 de Julho de 2011

THE CHEMICAL BROTHERS: A história

The Chemical Brothers é uma dupla de música eletrónica do Reino Unido composta por Tom Rowlands e Ed Simons (também chamados Chemical Ed e Chemical Tom). Inicialmente chamavam-se "The Dust Brothers", referência a uma dupla de produtores musicais que usavam o mesmo nome, mas devido à sua popularidade e possibilidade de retratações legais acabaram mudando seu nome em 1995. Junto com The Prodigy, Fatboy Slim, The Crystal Method e outros artistas, foram os pioneiros do break beat.
Em 1992, Rowlands e Simons começaram então a trabalhar como DJs, passando hip hop, techno e house. Após a escassez de material de hip hop para mixagens, passaram então a produzir suas próprias faixas. Utilizando um sistema Hitachi, um computador, um sampler e um teclado, gravaram "Song to the Siren", que foi lançado por sua própria editora. Enviaram a gravação para o DJ local Andrew Weatherall, que fez adaptações e relançou "Song to the Siren" em Maio de 1993.
No final de 1993, completaram o EP 14th Century Sky, que foi lançado em Janeiro do ano seguinte, contendo temas como "Chemical Beats", que marcou o som da banda e o estilo definido como break beat ou big beat. Este trabalho foi seguido por outro EP, "My Mercury Mouth", ainda em 1993.
Em Outubro de 1994 tornaram-se DJs residentes em clube influente de Londres, o Heavenly Sunday Social Club tendo sido convidados a remixar faxias de Manic Street Preachers e The Charlatans, além de "Jailbird" do Primal Scream e "Voodoo People" do The Prodigy.
Em março de 1995, a dupla começou sua primeira turnê internacional, que incluia os Estados Unidos e festivais pela Europa. Na mesma época o grupo Dust Brothers original ameaçou legalmente o grupo pelo uso indevido do nome, e então Rowlands e Simons decidiram mudar para "The Chemical Brothers". Em junho lançaram o quarto single, Leave Home, sendo o primeiro com a nova identidade.
Em Julho de 1995 a banda lançou seu álbum de estréia Exit Planet Dust, título esse inspirado pela mudança do nome. Entraram nas paradas do Reino Unido em nono lugar. O álbum acabou por vender mais de 1 milhão de cópias no Mundo e, logo após o seu lançamento, o grupo assinou contrato com a Virgin Records.
A faixa dos Chemical Brothers com participação nos vocais de Noel Gallagher, guitarrista da banda inglesa Oasis, "Setting Sun" foi lançada em outubro de 1996, chegando ao primeiro lugar do top de singles em vários países. Representantes legais dos Beatles entraram em contato com a banda para alegar plágio da canção "Tomorrow Never Knows", e a gravadora Virgin Records teve que contratar um especialista para provar que a canção não era plágio da obra psicadélica da década de 1960.
Em março de 1997 a dupla lançou nova faixa, "Block Rockin' Beats", que tornou-se primeiro lugar no Reino Unido, ganhando posteriormente um Grammy por melhor Rock Instrumental.
A 17 de Abril de 1997 foi lançado o segundo álbum, Dig Your Own Hole, gravado no estúdio da própria banda em Londres, e cujo título foi retirado de um graffiti na parede de fora do referido estúdio. Teve boa aceitação tanto pela crítica quanto comercialmente. A banda passou então a realizar tourneés intensivamente, particularmente nos Estados Unidos.
Em 1998 o grupo concentrou-se na tarefa de DJ, e em Setembro foi lançado o álbum de mixagens Brother's Gonna Work It Out, contendo faixais de artistas influentes no som da banda tais como Renegade Soundwave, Meat Beat Manifesto e Kenny 'Dope' Gonzales.
O terceiro álbum, Surrender, foi lançado oficialmente em Junho de 1999, contando com participações de Noel Gallagher, Jonathan Donahue dos Mercury Rev e Hope Sandoval dos Mazzy Star.  "Hey Boy, Hey Girl", mais orientado ao house, torna-se o grande hit da banda. Um dos destaques, "Out Of Control", tinha vocalizações de Bobby Gillespie dos Primal Scream e Bernard Sumner dos New Order, atingindo o primeiro lugar no Reino Unido. Outra faixa que recebeu bastante atenção foi "Let Forever Be", amplamente devido a seu videoclip inovador dirigido por Michel Gondry.
Em 2000 faziam tourneés com concertos gigantes, com canções "Out Of Control" e "Hey Boy, Hey Girl" recebidas em apoteose. Em Dezembro a banda faz também algumas primeiras parte de concertos de U2 em estádios. No ano seguinte começaram os trabalhos com o novo álbum, levando pouco a pouco as faixas a público, mesma estratégia utilizada nos álbuns anteriores. A dupla ainda remixou a faixa de Fatboy Slim "Song For Shelter", presente no álbum Halfway Between the Gutter and the Stars.
O álbum Come With Us,  lançado em Janeiro de 2002. Foi menos aceite que os anteriores, mas, ainda assim, alcançou o primeiro lugar do top no Reino Unido na primeira semana de lançamento, vendendo 100 mil cópias.
No final de 2002 começaram a trabalhar em novo material, incluindo "The Golden Path", uma colaboração com Wayne Coyne, vocalista e líder do The Flaming Lips incluída numa colectãnea do grupo.
Em 2004 os Chemical Brothers começaram a trabalhar em Push the Button, lançado em janeiro do ano seguinte. "Galvanize" foi o primeiro single, sucedido de "Believe" e "The Boxer". Tanto o álbum quanto "Galvanize" ganharam o Grammy em 2006.
We Are the Night, um álbum mais experimental, foi lançado em 2 de julho de 2007. Colaborações de outros músicos incluíram Klaxons (em "All Rights Reversed"), Midlake (em "The Pills Won't Help You Now"), Ali Love (em "Do It Again") e Willy Mason (em "Battle Scars").
Further é o último trabalho lançado em 2010 pelos The Chemical Brothers e representa um regresso á música de dança pura e dura, com batida techno e temas bastante extensos. É na tour de promoção a este disco que Portugal os recebe no próximo dia 8 de Julho.

25 de Junho de 2011

Rubrica "Os melhores álbuns de sempre" - JANE'S ADDICTION - "NOTHING'S SHOCKING" (1988) / "RITUAL DE LO HABITUAL" (1990)

Em meados dos anos 80 surgem em Los Angeles os Jane´s Addiction e logo de início se verificou que estávamos em presença de uma banda especial. A nível musical, o som era altamente criativo, misturando funk, hard rock, punk e algum do rock alternativo que, à data, ecoava na Europa. A imagem era excêntrica, nomeadamete o vocalista Perry Farrell (também pintor/escultor pop e surfista) com os seus visuais bizarros, as suas entrevistas provocantes, a lançar farpas a tudo o que fosse conservador e opressor de direitos. Depois, durante anos, a sua forma de expressão foi quase sempre em concertos, começando por estar ligados aos "happenings" de juventude e de artistas, às universidades e a eventos de desportos radicais. Não foi de estranhar que o seu primeiro álbum - "Jane's Addiction" (1986) fosse gravado ao vivo em concerto.
Mas foi com o seu primeiro álbum de estúdio, "Nothing's Shocking" que a banda provou que era um caso sério no rock em geral, com as suas magníficas canções e a produção irrepreensível. A guitarra de Dave Navarro prova ser fundamental no som da banda, Stephen Perkins prova ser o baterista mais inovador da sua geração - revolucionando o ritmo amorfo do rock da altura - o baixo de Eric Avery traz tanto a influência funk como a pós-punk para a banda, e a voz de Farrell, ambígua e única no Mundo, com as suas reverbações, dá uma atmosfera celestial e grandiosa ao grupo. Do calmo ao pesado, do alegre ao obscuro, o álbum passa por inúmeras tonalidades. A começar nas letras, que passam por temas como a celebração de vida de Ocen's Size e Up The Beach, a liberdade individual do magnífico Mountain Song, a religião em Had a Dad, a política em Idiot's Rule, o sexo na visão de um psicopata no psicadélico Ted, Just Admit It... e o hino dedicado à amiga prostituta que dá nome à banda, Jane Says.
Em 1990, os Jane's Addiction sobem um degrau e editam o álbum "Ritual de lo Habitual" que começa com a intro «Nós temos mais influência nos vossos filhos que vocês!» ...revelador. O disco divide-se, essencialmente,  em duas partes: uma com temas na linha do álbum anterior mas com grande inspiração - como Stop, Ain't No Right e No One's Leaving - e outra constituídas por longas composições, mais calmas e hipnóticas - como é o caso do hino Three Days (uma metáfora religiosa para falar sobre o amor livre) e de Then She Did. No meio existe o (talvez) maior hit da banda, Been Caught Stealing, e para finalizar a inesperadamente romântica, Classic Girl.
Os Jane's Addiction separaram-se ano e meio depois, com um concerto final em que o vocalista actuou tal como veio ao Mundo (!!). Voltariam intermitentemente em 1997, para uma bem sucedida tour, em 2001-2004, com outro álbum de originais, e agora desde 2009 com mais um trabalho na calha.
A sua influência ultrapassa gerações e estilos e foi tanto musical (influenciou o grunge, o nu-metal, o rock alternativo, etc.), como a nível da atitude em palco e fora dele, como também ao nível da indústrial musical, especialmente a americana, ao demonstrarem que as editoras e os músicos independentes podiam ter sucesso; isto para além do contributo de Perry Farrell ao inventar e organizar o conhecido festival itinerante Lollapalooza. No que a estes dois discos diz respeito, ambos foram autênticas pedradas no charco que abriram novos rumos ao rock.

Links para vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=ZwI02OHtZTg

http://www.youtube.com/watch?v=1kAIMlISHhU

http://www.youtube.com/watch?v=tFW37YmqfKY

http://www.youtube.com/watch?v=Ek6N_-O19do