
Associados a esse local e a essas novas correntes, os Xutos e Pontapés surgem como a mais destacada dessas bandas. Com a entrada de um novo guitarrista - o virtuoso João Cabeleira - a banda começa a aprofundar as características únicas do o seu som, ao mesmo tempo que vão cimentando um estatuto com sucessivos concertos.
A pedrada no charco foi o álbum "Cerco" (de 1985) e as diversas
canções editadas em singles e colectâneas na altura. Foi precisamente na tourneé de apoio a esse álbum que os Xutos gravam "1º de Agosto no RRV". Gravado ao vivo naquela sala, o concerto passa pelos melhores temas do disco que promovia, como o eterno "Homem do Leme", o hit da altura, "Barcos Gregos", e a pérola que é "Conta-me Histórias". Constam também outras canções contemporâneas a esse trabalho, e que nele poderiam estar, como: "Esquadrão da Morte", "Remar Remar" e "1º de Agosto". A isto somam-se os primeiros sucessos do grupo como "Sémen", "Avé Maria", "Morte Lenta"... e até a versão da "Minha Casinha", que já era interpretada em concerto. O álbum - editado oficialmente em 2000 - é um autêntico manual do "som à Xutos", com toda energia e personalidade que se tornariam a sua imagem de marca.

Um ano depois daquele concerto, o grupo edita o álbum "Circo de Feras", ainda sob o tom de revolta, de rebeldia e de não alinhamento que caracterizava as suas canções prévias. O talento para a composição assim como os traços mais característicos do grupo, como a voz de Tim, os riffs de Cabeleira, e a pujança de Zé Pedro e Kalú, estão lá todos. Sem esquecer o sax de Gui. "Não Sou o Único", "Contentores", "Circos de Feras" e "Vida Malvada" são temas que ficaram para a história dos Xutos, para além de outros como "N'América", "Esta Cidade" etc.
Depois desta fase, o grupo cimentou a carreira que todos conhecem, com clássicos como "88" ou "Dizer Não de Vez", até alcançar o estatuto da melhor banda portuguesa de todos os tempos. Mas a essência da sua música nasceu aqui.
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