28 de abril de 2011

A história dos FAITH NO MORE

Consideradas uma das bandas mais revolucionárias e criativas de sempre, os Faith No More nasceram em 1982 quando Roddy Bottum (teclas), Mike Bordin (bateria) e Billy Gould (viola-baixo), que já tocavam juntos, recrutaram Jim Martin para a guitarra. O nome vem de um trocadilho com a sua antiga banda (Faith The Man), no entanto muitos fãs interpretam o nome como uma espécie de lema da agnóstica geração x.

Diversos músicos ocuparam a vaga de vocalista nesta fase até ter ficado Chuck Mosley, que participaria nos dois primeiros discos da banda: We Care a Lot, de 1985, e Introduce Yourself, de 1987. Mosley foi demitido em 1988 oficialmente por ser alcoólico e ter causado problemas nalguns concertos. Mike Patton, que em pouco tempo se tornaria a figura mais emblemática do grupo, entrou nos Faith No More poucas semanas antes das gravações do disco "The Real Thing" por indicação de Jim Martin, que havia ouvido uma demo da banda de Patton, os Mr. Bungle.

O álbum "The Real Thing", lançado em 1989, é um verdadeiro divisor de águas na carreira do grupo, com canções mais bem resolvidas e com o carisma de Mike Patton a contribuir para transformar os Faith No More num grande sucesso comercial. A canção grandemente responsável pela transição foi "Epic" que, com seu arranjo grandioso que faz jus ao título, vocalização rap e refrão orelhudo, chegou ao 9º lugar no top de singles da Billboard e um vídeo clip exibido à exaustão na MTV. Com mais dois singles de sucesso, "Falling to Pieces" e "From Out Of Nowhere", o disco The Real Thing chega a lugares de destaque nos tops de vários países, assim como o álbum ao vivo "Live At Brixton Academy" gravado e editado pouco depois.

Sob grande expectativa, o novo álbum, "Angel Dust", foi lançado em 1992 e apontava para outras direções. O trabalho era um caldeirão de especiarias - um cruzamento de múltiplos estilos, sons e estados de espírito - que acabava por soar, apesar de tudo, muito coeso pelo espírito de aventura e arrojo que transmitia. Mike Patton participou no processo criativo do disco e pôde exercitar todo o seu experimentalismo e gosto pelo bizarro. Musicalmente, a banda mostrava evolução, incorporando elementos eletrónicos e sons de sintetizador mais diversificados, proporcionando uma atmosfera cinematográfica a algumas canções. O álbum deu início a uma nova corrente que acabaria por influenciar grande parte do espectro musical: o crossover, o romper das fronteiras entre os estilos musicais - do rock com a dança, do metal com o hip hop, etc. O lugar privilegiado dos Faith No More nos tops era garantido pelos singles "Midlife Crisis" e "A Small Victory". O 4º single de "Angel Dust" foi para uma canção que inicialmente não estava no álbum: "Easy", cover dos Commodores, que se tornou noutro grande sucesso.

 
"Angel Dust" rendeu mais uma tourneé gigantesca pelo mundo onde o grupo, além de se promover em concertos próprios, actuou em festivais e nas 1ªs partes de Metallica e de Guns N' Roses. Ao invés de encarar o compromisso como oportunidade de atrair novos públicos, os Faith No More eram eles próprios, provocando a audiência com sessões de garrafada, insultos e piadas sarcásticas. O público mais superficial não entendia a postura contra-cultura do grupo, mas acabou por ser esta a fazer crescer um verdadeiro culto à volta dos Faith No More.
Com a saída de Jim Martin, logo após a tour, foi contratado Trey Spruance, colega de Patton nos Mr. Bungle, para gravar o novo álbum. Posteriormente, os Faith No More convocam o então roadie Dean Menta para fazer o trabalho da guitarra na tour. "King for a Day… Fool for a Lifetime" foi um novo passo para a banda: o som passou a ser mais crú e mais pesado, incluindo agora menos electrónica. As canções eram concisas e directas, apesar de muito diferentes entre si, continuando a revelar um alto nível de inspiração. Temas como "Ricochet", "Evidence", "King For A Day" e "Just A Man" tornaram-se clássicos dos FNM tal como outros mais pesados, como "The Gentle Art Of Making Enemies", dedicada a Jim Martin, e "Digging The Grave", que não deixam de revelar grande qualidade. A este lançamento é atribuído o título de precursor do género nu metal, com várias bandas deste estilo a citarem-no como influência no método de composição e delineação sonora.
Entretanto, os trabalhos paralelos dos integrantes dos Faith No More cresciam. Patton entrou de cabeça en projectos avant-garde, o baterista Mike Bordin tocou com Ozzy Osbourne e Roddy Bottum estreou o projecto, Imperial Teen. Os rumores sobre um possível fim da banda tomavam proporções maiores e coube ao baixista Billy Gould segurar a bandeira do quarteto. Partiu dele a iniciativa de convidar o amigo John Hudson, da banda System Collapse, para assumir as guitarras no novo disco a ser gravado.


Em pleno auge da onda da música eletrónica, foi escolhido o produtor Roli Mosimann, para produzir "Album Of The Year". Essa influência eletrónica viria a marcar algumas faixas do álbum, como o magnífico "Stripsearch", bem como gerar uma gama de remixes  dos temas do trabalho. Notou-se também uma preocupação em em destacar os teclados novamente, como nos espectaculares "Last Cup Of Sorrow" e "Ashes To Ashes". O legado mais metal apareceu em faixas como "Collision" e "Got That Feeling". Em geral, o álbum apura a arte em fazer boas composições, condensando os excessos de Mick Patton e focalizando agora a diversidade estilística na arte de fazer grande canções, como "Helpless", "Pristina", etc. Tudo isto mantendo o estilo inconfundível dos FNM (não sendo necessario chocar para isso acontecer). Em suma, mais um clássico.
Os últimos meses da primeira vida dos Faith No More caracterizaram-se por grandes elogios às suas actuações ao vivo onde mezclavam canções novas com material antigo e continuando a arrecadar uma leva impressionante de fãs.
Mas os diferentes carácteres criativos dos seus membros vieram ao de cima, tomando proporções insuperáveis, e foi anunciado, perante a surpresa geral, o encerramento de actividades da banda, tão somente 2 semanas depois dos seu últimos concertos ... no Porto e em Lisboa (!!) curiosamente.
11 anos depois, em Maio do ano passado, os FNM retomaram actividades estando em tourneé quase initerrupta desde aí, com concertos lotados um pouco por todo o Mundo.
O legado desta banda é indiscutível, tendo influenciado dezenas de artistas da atualidade, não sendo raro encontrar músicos que referenciam os álbuns do FNM como dos melhores da década de 90. Acima disso, há também o espírito da canção desafiadora, do não-conformismo com o sucesso fácil que os Faith No More viveram na pele e fazem questão de trazer para os terrenos mainstream.

10 de abril de 2011

Os melhores álbuns de sempre: SENSER - «STACKED UP» (1994)

Nos inícios da década de 90, o cruzamento do rap com o metal começou a ganhar um novo dinamismo. Da mesma maneira, inúmeros projectos apostavam na mistura de estilos como a sua imagem de marca. Na Londres da época estava-se na ressaca do shoe-gaze mas a dance-música arrancava decididamente para uma época de ouro. E foi na capital britânica que um grupo de freaks de origens diversas formaram os Senser que se estrearam em 1994 com um álbum assombroso chamado "Stacked Up".
Este disco traduz-se na mistura de uma miríade de estilos de entre os quais o rap, o metal, a dance-music, entre outros. Servidos por músicos de eleição, entre os quais dois excelentes vocalistas, o álbum assenta em excelentes canções e letras que respiram o espírito da época. Tudo polvilhado com inúmeros pormenores electrónicos - cortesia de vários elementos da banda que criaram e executaram os samplers - dando uma atmosfera densa e colorida ao todo do trabalho. O bom gosto da produção a nível de sintetizadores assim como a sessão rítmica - dançável, criativa e rigorosa ao mesmo tempo - são dois pormenores decisivos para a genialidade deste disco.
O primeiro tema "State Of Mind" revela de imediato ao que vem este grupo. Heitham Al-Sayed - um dos rappers mais rápidos a debitar palavras do planeta - declara com raiva no seu "british" perfeito «...my state of mind, they won't change me!».
O segundo tema, "The Key", é simplesmente perfeito, com o sintetizador em regime "sobe e desce", um ritmo a roçar o dub e Al-Sayed mais calmo na palavras, para depois aparecer a voz de Kerstin Haigh num refrão verdadeiramente orgásmico. Uma palavra ainda para o video-clip desta canção que manifesta a influência da cultura rave/neo-hippie nos Senser.
Em "Switch" o ritmo do baixo e da bateria faz tremer o assento de qualquer cadeira. Esta é, provavelmente, a maior aproximação ao hip-hop no álbum todo (os Da Weasel passaram por aqui?),no entanto, a melodia imprimida pela vocalista nalgumas partes e a riqueza sonora está a milhas de certos minimalismos daquele estilo.
"Age Of panic" é ainda hoje o hino dos Senser. Sob uma base que mistura electrónica e guitarra em power chord, o vocalista traça o retrato do estilo de vida das sociedades modernas. Um autêntico "petardo" sonoro. "What's Going On" começa com um riff à Slayer (!!!) que é depois admiravelmente acompanhado por um ritmo hip-hop. O refrão é dos mais orelhudos do disco.
Depois, temos canções de base rap-metal misturadas com outras de outros estilos, como o house de "Door Game" ou o lounge de "Peace" - por sinal um título extremamente adequado ao tema que é. Já na parte final, "Eject" é o regresso ao rap-metal mais agressivo com o refrão a alcançar mesmo um ritmo hardcore. De repente, a meio da música, os dois vocalistas, em cânticos orientais, entram num duelo em espiral ascendente, num todo de pôr qualquer pessoa em pele de galinha.

Este álbum veio reformular a cartilha de inúmeros estilos, sendo percursosr, até de movimentos que mais tarde iriam esplodir, como o tecno-rock e o nu-metal. Quanto aos Senser, eles continuam, embora tenham editado apenas mais dois álbuns desde aquele, afectados por diferendos internos, fruto talvez do perfil instável de artistas. A qualidade mantém-se, apesar da pouca promoção, mas longe da genialidade daquele primeiro trabalho. É como se as condições que permitiram gerá-lo tivessem sido únicas, irrepetíveis, fruto do acaso...

25 de março de 2011

Os melhores álbuns de sempre: THE STONE ROSES - «THE STONE ROSES» (1989)

No último ano da década de 80, uma revolução estava a ter lugar na música pop com epicentro no Reino Unido. À explosão das raves e da música tecno/house aliava-se uma mudança de paradigma da música mais convencional. Havia várias cisões que estavam extremadas que necessitavam de ser ultrapassadas: aquela entre a música comercial e a música alternativa, a música alegre que era superficial e a música criativa que era por tradição soturna e, por fim, a música para dançar e a música rock apenas para ouvir. Os primeiros passos para ultrapassar essas barreiras foram dados por esses monstros sagrados que dão pelo nome de New Order, entre outras bandas, tal como por algumas editoras consagradas à música verdadeiramente nova, como a mítica Factory Records. Desta onda nasceu o que viria a chamar-se o shoe-gaze ou o rave'n'roll, que iria influenciar o estilos musicais por todo o Mundo, aliando o ritmo e a alegria à música pop/rock relevante.
Desta fornada de bandas, aquela mais representativa e inspirada (naquela altura) foi, sem sombra de dúvida, os Stone Roses. Depois de vários singles e de concertos a abarrotar, os Stone Roses lançam em Abril de 1989 o seu primeiro álbum: uma colecção de belíssimas canções, leves e ricas ao mesmo tempo, de elevar a alma no dia a dia; cometendo até o pecado de deixar de fora excelentes temas (recuperados depois em colectáneas e álbuns de raridades posteriores).
O som aliava vozes delicadas da escola hippie dos anos 60 (Simon & Garfunkel, Byrds), riffs altamente imaginativos a meia distorção e uma sessão rítmica extremamnte versátil e precisa. As canções tal como as letras repiram paz, amor e felicidade por todos os poros, constituindo autênticas injecções de boa disposição, não deixando de ser autênticas pedradas no charco à época, apesar da óbvia inspiração psicadélica.
Desde a idílica "I Wanna Be Adored", à descarga de "She Bangs The Drums", a paz de espítito de "Waterfall", até aos hinos que são "Made Of Stone" e "Iam The Resurrection" (esta com direito a jam no final).
Um álbum para história que chegou a colocar os Stone Roses num patamar comparável a uns Beatles. Infelizmente a banda acabaria por se desagregar, no meio de drogas e de tiques novo-riquistas, e o segundo álbum só viria muito mais tarde e sem a mesma frescura. O seu legado influenciou inúmeras bandas desde toda a onda brit-pop (que afogou o shoe-gaze num lodo de auto-citação) até à música pop em geral (os próprios U2 nos anos 90 reconheceram ter alguma influencia deste estilo musical). Em suma, a música, tal como a conhecemos hoje, não seria provavelmente a mesma sem esta banda e este álbum.


18 de março de 2011

Os melhores álbuns de sempre: MEGADETH - «RUST IN PEACE» (1990)

Numa altura em que a sua banda rival – os Metallica - se afirmava como o expoente máximo do chamado metal, e do thrash metal em particular, Dave Mustaine, líder dos Megadeth, decidiu fazer uma jogada de mestre. Apesar a crescente, mas relativa, fama mas que o seu grupo vinha alcançando, contratou para a guitarra solo e para a bateria – os dois lugares decisivos das bandas deste estilo – dois músicos excepcionais. A saber: Marty Friedman, um estudioso da guitarra eléctrica especialista no estilo “exotic metal” caracterizado por escalas e harpejados de tonalidades orientais ou com influências do flamenco, muito baseado em meios tons e dissonâncias; e Nick Menza, um baterista thrash por excelência com uma técnica de duplo bombo acima da media. Junto a estas novidades foi tomado um cuidado redobrado na elaboração dos temas que continuam a ser complexos mas agora com uma fluência melódica muito mais inspirada. Resultado, este colosso da música metal que dá pelo nome de "Rust In Peace".
Desde o início pujante de Holy Wars, passando pela dúzia (!!) de solos de Hangar 18, pelos recortes harmoniosos de Lucretia até ao groove de Polaris. Este album acaba por constituir uma autêntica Bíblia para os entusiastas de solos de guitarra eléctrica, onde o virtuosismo se casa na perfeição com a originalidade e a inspiração e o ouvinte fica estonteado com tamanha demonstração de força e talento.
Um exemplo da genialidade deste disco pode ser comprovada, por exemplo, num dos temas menos conhecidos do alinhamento, “Five Magics” onde a partir de um início calmo feito tensão e silêncio a canção arranca num crescendo que passa por diversos estilos (como, por exemplo, a valsa(!!!??)) para acabar num rodopio impressionante temprado com um solo em tapping.
A partir deste disco o metal mais poderoso ganhou uma profundidade que não se conhecia alcançando um novo patamar de qualidade e, por conseguinte, de (bons) ouvintes.



26 de fevereiro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: MACHINE HEAD - «BURN MY EYES» (1994)

Na altura da edição deste seu primeiro álbum, os Machine Head era um bando de anti-sociais pertencentes a gangs dos subúrbios de San Francisco. Neste trabalho, o ambiente quotidiano dos quatro elementos do grupo, com toda a sua carga intensa e violenta, é retratado em forma de música com este resultado: um som brutal como até então nunca se tinha ouvido, ritmos extremamente elaborados do mais rápido ao mais calmo, e riffs cheios de balanço e muito criativos. Em geral, respira-se uma atmosfera obscura e profunda mas extremamente poderosa, feita de silêncios, mudanças de ritmo, breaks pujantes, tudo bate certas na altura certa, uma autêntica máquina de adrenalina. A afinação muito mais grave do que o habitual das guitarras adensa o clima intenso do disco, a produção roça a perfeição e a voz alcança aquilo que poucos conseguem: cantar com raiva e, ao mesmo tempo, soar bem, passando pela melodia pró-grunge e chegando, em algumas partes, ao susurro (!!!??). Se a isto aliarmos as letras de intervenção, abordando temas como, a política, corrupção, drogas, religião e a street culture, ficamos com um autêntico cocktail explosivo em forma de música. Um clássico.



10 de fevereiro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: TESTAMENT - «LOW» (1994)

Uma das bandas mais carismáticas do rock pesado dá pelo nome de Testament. Originários da Bay Area (os arredores de San Francisco) - à semelhança de outros ícones seus contemporâneos de geração e estilo musical como os Metallica, os Megadeth e os Slayer, os Testament foram pioneiros no que se viria a chamar o thrash metal, aquele estilo de música que se caracteriza pelo desenvolvimento da técnica do power chord na guitarra eléctrica como fio condutor de uma música que se caracteriza também pela velocidade, pela adopção de melodias de cariz obscuro apostando mais no poder do som e pela exploração do solo de guitarra e do duplo bombo na bateria (vide o caso dos Metallica da fase Master of Puppets ou da maior parte dos álbuns de Slayer). Se se quer conhecer Testament na sua fase mais thrash, comece-se então por um trabalho chamado "First Strike Stills Deadly" que nada mais é que a regravação de temas dos 2 primeiros álbuns (editados originalmente a meados dos anos 80) com a produção do ano de 2001 e com resultados assombrosos. No entanto, o álbum original mais cuidado, mais diversificado, mais audível por qualquer ouvinte e, conforme se pode verificar passdo este tempo, com um grau de inovação apreciável, é "Low". Nesta altura, os Testament tinham sofrido várias alterações na sua formação e desta apenas resistiam o vocalista Chuck Billy e o guitarrista Eric Peterson. Assim, numa altura que o metal tinha ganho um novo balanço a nível de popularidade (1994) , bebendo em bandas que revolucionavam este estilo musical e dominavam os tops (Pantera, Sepultura) ou que começavam a despontar (Machine Head), os Testament resolveram apontar baterias noutra direcção diferente da que os tinha conduzido à situação de estagnação em que se esncontravam no início da década de 90. Neste sentido, foram buscar músicos de excepção nestas lides: James Murphy, conceituado guitarrista dos Death que se caracteriza pela sonoricdade peculiar dos seus solos, Joey Tempesta, que também tocava nos White Zombie e que actualmente faz parte dos The Cult (!!!), e Steve Di Giorgio, dos Sadus.
Com esta formção, os Testament arrancaram para um álbum inspiradíssimo que para além da energia constante em grande parte dos temas, proveniente de riffs demolidores e da produção excelente para a altura, contém um lado mais ambiental e profundo gerada pelo carácter exótico da guitarra de Murphy e da introdução de partes calmas, em doses com porção ideal, que tornam este disco muito variado, excitante, sem perder o seu lado poderoso. A introdução da vertente ambiental neste disco (sem cair na balada hard-rock fm de outros tempos) misturada com a variedade rítimica é das coisas mais espectaculares deste trabalho e sem paralelo no metal da altura, excepção feita a outro disco desta época chamado "Arise", dos Sepultura.
O tema título, apesar de ter honras de video-clip, é mais uma canção no meio de outras que apesar de apostarem na simplicidade do trinómio riff (talentoso sempre)-tema-refrão têm sempre uma parte instrumental ou de solo que deixam a cabeça a andar à roda, tal a técnica e a imaginação empregues - veja-se o caso de Legions, Hail Mary ou Dog Faced Gods. A diversidade rítmica é também uma característica deste álbum que confere mais entusiasmo e força ao caráter da música, em vez de um ritmo constante que acaba por se tornae aborrecido ao fime de algum tempo mesmo que seja "sempre à'brir". Em certos temas chega a ser dançável, como no caso de All I Could Bleed (influência funk-metal?) ou tornar um tema ainda mais espectacular com um pára-arranca constante, como acontece em Chasing Fear. Os temas calmos marcam presença de forma irrepreensível, e impecavelmente produzidos, e a técnica dos novos elementos fica patente no instrumental em que aparece mais nítida uma nuance que paira sobre todo este disco: o oriente. Aprofundando o que certos grupos desta área já vinham experimentando, os Testament recorrem, neste trabalho, a melodias de óbvia inspiração árabe, indiana, ou afins, nos solos, dedilhados, riffs e até em certas temáticas das letras.
Com este álbum os Testament renasceram para um novo fôlego na sua carreira. Para os não fundamentalistas do old school é capaz de ser mesmo a masterpiece desta banda americana, permanecendo ainda e sempre actual, pelo menos para quem gosta de música diversificada, talentosa e bem produzida.

22 de janeiro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: THE YOUNG GODS - "HEAVEN DECONSTRUCTION"

Em 1996, um ano depois do lançamento do  álbum mais bem sucedido da sua carreira, "Only Heaven", os The Young Gods editam um disco que apresentado como uma espécie de álbum de remisturas daquele trabalho. No entanto, na prática, é certo que  utiliza sons utilizados naquele álbum prévio, para além de otros que ficaram de fora nas mesmas sessões de gravação/experimentação,  mas, de resto, não tem nada a ver: são outras canções, totalmente instrumentais e num estilo totalmente novo e radical nos Young Gods e na música em geral.

"Heaven Deconstruction" é tão só e apenas um dos melhores álbuns de música ambiental de todos os tempos, extraindo o melhor que este estilo oferece - paisagens sonoras, profundidade, inovação, surpresa - e evitando as suas armadilhas - o aborrecimento e o excesso de repetição. Isto para além da relação subliminar com os estilos mais undergroud da música trance e chill out. O álbum não tem, praticamente, um só som de percussão. É unicamente constituído por sons etéreos e planantes nunca ouvidos até à data, fruto da imaginação e trabalho de pesquisa de Franz Treichler (o vocalista e principal compositor) e Al Comet (o teclista manipulador de sampler).
Como se sabe o sampler é um instrumento que obtém e reproduz qualquer som da realidade, podendo depois transformá-lo em algo totalmente novo que nunca tenha sido ouvido. Pois reza a lenda que os sons usados em "Only Heaven" e depois neste "Heaven Deconstruction" foram obtidos... numa banheira (!!?). Isto não espanta na medida que os The Young Gods foram pioneiros na utilização deste tipo de tecnologias e sempre se destacaram por isso.
Ouvindo este álbum (com atenção e num ambiente propício) não podemos deixar de experimentar uma sensação de um certo misticismo, uma espécie mergulho no subconsciente, uma sensação de ligação à grandiosidade do universo e da existência. São paisagens desérticas e belas, um autêntico filme sonoro que se desenrola na nossa mente e que nos dá uma sensação de paz e conforto inigualáveis. Para ouvir e chorar por mais. Mas o que é certo é que nem os próprios The Young Gods atingiram (até agora) a genialidade apresentada nesta altura, e neste álbum em particular.
Resta dizer que se querem adquirir o álbum, pode não estar em nome de The Young Gods mas com o nome com que inicialmente foi editado, a saber: An Instrumental Experimental Side Project Of The Young Gods :)

10 de janeiro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: LOVE AND ROCKETS – «THE SEVENTH DREAM OF A TEENAGE HEAVEN» (1985)/ «EXPRESS» (1986)

Nesta rubrica de "Os melhores álbuns de sempre", vou falar aqui de dois discos que na verdade funcionam como um. O primeiro mais intimista, misterioso, inebriante, uma autêntica “trip” alugionogénica em forma de música. O segundo, é a continuação dessa viagem elevada a um patamar de maior intensidade e energia.

Depois do demantelamento dos Bauhaus em 1983, volvidos apenas 5 anos e 4 álbuns de originais, formaram-se os Love and Rockets constituídos por: Daniel Ash (voz e guitarra), David Jay (voz e baixo) e Kevin Haskins (bateria).

“If There’s A Heaven Above” é um início perfeito para o primeiro álbum da banda (de 1985) a fazer lembrar uma espécie de Pink Floyd (fase psicadélica) modernizados. “Private Future” prossegue com o tom intimista do álbum. A viola de 12 cordas de Ash e os coros celestiais dos dois vocalistas são a imagem de marca do disco. “Dog Of A Day Gone-By” é uma muralha de guitarras e tambores a sustentar os coros em êxtase. Já “The Game” é opressivo e obscuro. O tema título, «The Seventh Dream Of A Teenage Heaven», remete para as profundezas dos mistérios da existência. «Saudade» é o final perfeito, um soberbo tema instrumental que só podia ter esta palavra portuguesa como título.

“Express”, gravado um ano depois, inicia-se com o experimental “Angels and Devils” para em seguida entrarmos em “It Could Be Sunshine”, enérgico e intenso, polvilhado de sons e efeitos electrónicos que, de resto, são uma constante em todo o álbum fornecendo um elemento “psicadélico” a todos os temas. A cada audição há um novo pormenor a descobrir. “Kundalini Express” é o hino da banda com a letra a apelar à união dos seres e às filosofias orientais . “All In My Mind” tem um dos refrões mais contagiantes de todos os tempos. “Life In Laralay” é uma homenagem ao riff puro e duro. “Ball Of Confusion” é uma versão totalmente tranformada de um tema obscuro de Ike & Tina Turner. “Holiday On The Moon” é uma espiral em crescendo, com um começo simples e acabando num autêntico remoinho de sons. “Yin And Yang” é mais outro tema que revela a atracção da banda pelo oriente. “Love Me”, outra grande canção em que os arranjos, em conjugação com a voz, arrepiam literalmente. A versão slow de “All In My Mind” revisita o lado calmo do primeiro disco e “An American Dream” é um épico lindíssimo, dirigido ao mais íntimo de cada ser, aos seus sonhos e sentimentos.
No fundo, é essa a sensação que fica depois ouvir este conjunto de canções espalhadas pelos dois álbuns: mensagens de vida sussuradas a todos sentidos.
Links:

2 de janeiro de 2011

Os melhores álbuns de sempre: NIRVANA - "NEVERMIND" (1991)

O álbum "Nevermind" dos Nirvana é considerado como um dos álbuns mais importantes da história da música, e mesmo da cultura pop. Este clássico, para além de iniciar o "grunge", representou uma grande quebra estilística no que era vulgar ouvir-se e produzir-se na altura e constituiu, à luz da sua influência, uma mudança de pardigma na história do rock.

Depois de uma década em que a ascenção do video-clip e do mercantilismo na música cristalizou os estilos e atrofiou gradualmente a imaginação, o sucesso massivo dos Nirvana representou uma lufada de ar fresco no mainstream e um regresso ao back to basics (não será inocente a semelhança com o nome de outro álbum fundamental da música: "Nevermind The Bollocks" dos Sex Pistols).

No entanto, a importância deste trabalho teve razões diversas e dimensões diferentes. Nos Estados Unidos, o sucesso dos Nirvana abriu a porta ao conhecimento dos inúmeros estilos underground e alternativos, até aí muito reprimidos pelo conservadorismo da sociedade e do materialismo da indústria. É a partir de "Nevermind" que muita da população americana começa a ouvir pela primeira vez bandas pós-punk e vanguardistas, maioritariamente europeias. Na Europa, por seu lado, os Nirvana representaram a quebra da fronteira que existiu nos 80's entre música comercial e música underground; nesse aspecto, foram até acompanhados por otros grupos menos acessíveis que começaram nesta altura a obter sucesso massivo apesar de ignorados pelas televisões e as rádios.

Acima de tudo, este álbum é contituido por grandes canções rock, cantadas com toda a garra, da calma à  distorção estridente, com influência diversa mas mantendo uma personalidade própria. Se a influência do garage rock, do punk, e dos padrinhos Sonic Youth e Pixies é notória, a introdução de ritmos diversificados (influência do rave'n'roll da altura?) e o talento de composição fizeram a diferança.

Nesse aspecto, o talento de Kurt Cobain emerge pelas belas melodias que criou e pelo ritmo que imprimia às composições (as bandas de Dave Grohl nunca tiveram aquela diversidade), já para não falar das letras mordazes deste disco - que muito espelhavam a chamada "geração X".

Outro factor decisivo nos Nirvana, e que fez escola, foi a voz. A explosão de "Nevermind" iniciou, ou deu destaque, a um naipe de grandes vocalistas - Layne Staley (AIC), Scott Weiland (STP), etc. - e mudou definitivamente as vocalizações da música rock (acabando com o paradigma Robert Plant).

Os Nirvana não descobriram a pólvora - houve outras bandas magníficas no início dos 90's em que a música moderna mudou muito, os estilos se cruzaram e se desfizeram numa miríade de sub-estilos. Mas o sucesso que Nevermind alcançou e a feliz fórmula de bons temas com originalidade q.b., para além do destino trágico do seu vocalista (que nestes casos, já se sabe, aumenta o mito), fizeram deste disco uma dos mais fundamentais da história.

30 de dezembro de 2010

OS MELHORES ÁLBUNS DE 2010

Cá vai uma lista de alguns bons álbuns deste ano. Deixa o teu voto em "Comentários".

Mnemic - "Sons Of The System" - Link para resenha
Devin Townsend - "Addicted" * - Link para resenha
Nevermore - "The Obsidian Conspiracy" - Link para resenha
The Young Gods - "Everybody Knows"
Stone Temple Pilots - "Stone Temple Pilots" - Link para resenha
Sevendust - "Cold Day Memory"
Jamiroquai - "Rock Dust Light Star" - Link para resenha
The Chemical Brothers - "Further"
Arcade Fire - "The Suburbs"
The National - "High Violet"
Mão Morta - "Pesadelos em Peluche"
Linda Martini - "Casa Ocupada"
* Editado no final de 2009 mas "digerido" em 2010

Concertos do ano:
U2 - Estádio Municipal de Coimbra - Link para resenha
 The Chameleons - Santiago Alquimista - Link para resenha
Alice In Chains - Festival Alive - Link para resenha
Faith No More - Festival Alive - Link para resenha
Rammstein - Rock In Rio
Metallica - Pavilhão Atlântico

18 de dezembro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: MORCHEEBA - "WHO CAN YOU TRUST ?"

Em 1996, a música electrónica mais experimental, nomeadamente proveniente do Reino Unido e da Europa continental, começa a ganhar adeptos. Neste particular, o trip hop surge como género inovador que seguindo premissas do dance e do hip hop, aposta num som mais orgânico que inclui a utilização de instrumentos convencionais. Surgido em 1992 com o álbum "Blue Lines" dos Masive Attack, o estilo foi seguido por várias bandas, como os também famosos Portishead. Os Morcheeba pegaram na cartilha daquelas 2 bandas, por vezes difíceis de digerir, e deram o um toque pessoal mais acessível. Partindo de influências clássicas - Hendrix, Floyd,... - os irmãos Paul e Ross Godfrey acrescentam uns toques de djing hip hop, sons étnicos e todos as ambiências do estilo musical atrás referido. Tudo unificado pela voz cálida e inconfundivel de Skye Edwards. À época, a vocalista cantava unicamente no seu registo mais grave e intimista, o que casava na perfeição com a batida arastada e hipnótica que o grupo praticava na altura, longe dos êxitos pop posteriores.
Se há álbum perfeito para ouvir numa noite fria, silenciosa, no calor de uma lareira, com certeza ele será "Who Can You Trust?". Desde a entrada de "Moog Island", qual casa dos feitiços onde penetramos, passamos por melodías perfeitas como "Trigger Hippie", "Tape Loop" ou "Never An Easy Way", pelo toque clássico de "Howlig" e "Col" e pelas narcóticas "Small Town" e sobretudo "Who Can You Trust?", um longo instrumental que nos põe a flutuar qual THC auditivo. Todo o disco é percorrido uma sensação de silêncio, de sussurrares, de ruídos estranhos e wha-whas borbulhantes. Tudo soa coeso como se de uma trip se tratasse.
Na altura, este álbum foi inovador na forma como misturava as suas influências. Hoje em dia, para além de se gostar mais ou menos do resto da carreira dos Morcheeba, vale a pena ouvir este trabalho como uma peça única e intemporal que vale por si.

Os Morcheeba actuam dia 23 de Julho no CCB em Lisboa e a 22 em Lagoa.



6 de dezembro de 2010

Rubrica "os melhores álbuns de sempre": MINISTRY - "HOUSES OF THE MOLÉ" (2004) / "RIO GRANDE BLOOD" (2006)

Os Ministry são uma da  primeiras e mais originais banda do chamado metal industrial. Surgidos em 1981, é no entanto a partir de 1987 que começam a fase ascendente da sua carreira com álbuns como "The Land Of Rape And Honey", "The Mind Is A Terrible Thing To Tase" e o álbum mais famoso da sua carreira, "Psalm 69", trabalhos onde definiram o seu som.
Depois de vários anos com composições menos inspiradas, de muitas alterações de formação, inconstância a nível da vida pessoal do seu líder e único actual membro fundador do grupo, Al Jourgensen, os Ministry entram neste século com um novo vigor. "Animositisonima", de 2002, já prenuncia bons e variados temas, o regresso à velocidade e à inspiração, para além das letras relacionadas com a realidade político-social (nomeadamente o terrorismo e o 11 de Setembro).
Mas é em 2004 que o grupo lança o seu álbum politicamente mais interventivo de sempre: "Houses Of The Molé" (um trocadilho com o título de um conhecido álbum de Led Zeppellin) é um verdadeiro manifesto contra a ascenção - na altura - dos neo-conservadores ao poder dos Estados Unidos da América e contra então iniciada Guerra do Iraque. Todo o álbum remete para a figura de George W. Bush, a começar pelo facto das canções possuírem como primeira letra do título a letra W. A excepção é a canção "NoW", outro trocadilho: o álbum "Psalm 69" continha o tema "NWO", as iniciais do termo Nova Ordem Mundial, numa alusão aos motins raciais que então ocorriam em Los Angeles; desta vez, repetiram o título mas com a letra "o" em pequeno, ou seja, "NoW" (não ao W).
A nível de composição, o álbum recupera muito da inspiração que os Ministry desenvolveram mais de uma década antes, nos álbuns já referidos, doseando peso das guitarras com ritmos maquinais, por vezes desenfreados, explosivos samples orquestrais, excertos de gravações e vozes off e o som de megafone das vocalizações de Al Jourgensen. A já referida "No W", "Worthless" e "Wrong" são dos temas mais enérgicos dos Ministry, enquanto que as composições  mais arrastadas - como a orquestral "Worm" - são de um fulgor e inspiração como há muito não acontecia nesta banda.

Na altura da edição de "Houses Of The Molé", a banda anuncia que inicia com esse álbum uma trilogia dedicada à decrição crítica das políticas de George W. Bush. Assim surge "Rio Grande Blood" (que com "Last Sucker" (2007) completam a mesma). Este álbum, cujo título faz um paralelismo entre um conhecido "western", a guerra pelo petróleo e os dois grandes rios que atravessam o Iraque (o Tigre e o Eufrates), eleva o peso e a velocidade a um nível superior. Beneficiando de colaborações - em estúdio e ao vivo - de músicos prolíficos de bandas conceituadas como os Killing Joke, os Prong, entre outras, "Rio Grande Blood" aposta num tipo de canções mais pesadas e aceleradas que nos remetem para um universo próximo do thrash metal, mas mantendo o estilo inconfundível dos Ministry. O tema   título, "Señor Peligro", "Fear (Is Big Business)" e "The Great Satan" encontram-se entre as melhores e mais poderosas canções que os Minsitry alguma vez compuseram. "Lies Lies Lies" é a forma perfeita de fazer uma canção metal com contornos pop. No meio do caos, emerge a beleza e exotismo de "Khyber Pass", onde no meio do rugido das batidas marciais plana a voz "oriental" e hipnótica de Liz Constantine.
A segunda parte da carreira dos Ministry, embora não seja a novidade total dos primeiros tempos, é a fase onde, por ventura, a banda fez maior quantidade de canções talentosas, que tocam a mais públicos, sem perder o seu cunho muito personalizado. Vale a pena (re)descobrir esta banda, das poucas que conseguiram ganhar um novo fôlego a meio da carreira.

8 de novembro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: SOILWORK - "STABBING THE DRAMA" (2005)

Os Soilwork são um grupo sueco que inciou funções em meados dos anos 90 tendo obtido gradual reconhecimento como dos mais conceituados representantes do produtivo metal escandinavo.
Depois de vários álbuns em que esticavam a sua música ao extremo, em velocidade, técnica e vocalizações, os Soilwork começaram a tornar-se mais melódicos, com mais qualidade e acessibilidade. É nesse contexto que surge em 2005, "Stabbing The Drama". Este álbum significaa rendição dos Soilwork ao metal moderno, ou groove metal, característico de bandas como Pantera ou Fear Factory e que se caracteriza pela diversidade de ritmos e da composição baseada na sincronização das guitarras com o duplo bombo da bateria. 

O resultado é potentoso com cada canção a ser uma bomba de adrenalina apontada ao âmago de cada ouvinte. A produção é impecável sendo raro encontrar um álbum que soe tão poderoso sem magoar os ouvidos, percebendo-se cada pormenor de cada instrumento. A voz de Speed Bjorn alterna na perfeição potência com partes melódicas e as partes calmas soam brilhantes no meio da intensidade.
É difícil destacar um tema pois todos revelam grande inspiração dentro do género. Apenas se pode dizer que se trata de música para despertar os sentidos, o entusiasmo, e que nos faz levantar e agir estejamos onde estivermos.


Nota: Na Escandinávia costuma-se denominar bandas como os Soilwork como praticantes de death metal, mas isto é uma generalização abusiva e até incorrecta pois acaba por reunir grupos muito diferentes entre si e  até com uma discografia muito diversificada para estar a ser classificada, como é o caso.

30 de outubro de 2010

Discos: JAMIROQUAI - "ROCK DUST LIGHT STAR"

Os Jamiroquai vacabam de lançar o seu novo álbum - o primeiro em 5 anos - com o nome de "Rock Dust Light Star". O trabalho apresenta, como de costume, o funky de qualidade que Jay Kay e companhia já nos têm habituado. Ou seja, o melhor neste estilo a nível mundial, do ponto de vista do talento num contexto pop.
O álbum apresenta um som mais orgânico, fruto de um maior trabalho de composição e de um som mais "live" baseado nos intrumentos clássicos. É claro que o álbum não apresenta a frescura do masterpiece "Travelling Without Moving", os hits de "Synkronized" ou os improvisos funk dos primeiros trabalhos. No entanto, mantém a bitola alta, numa base funk/acid jazz, desta vez com uma tendência um pouco mais chill-out e aproximações a estilos diversos como o disco-sound e o reaggeae. Uma das supresas do álbum é o easy-listening de Two Completely Different Things, bem como a espécie de funk atmosférico de She's a Fast Persuader. De resto, temas como White Knuckle Ride, Blue Skies, Hey Floyd e o tema título do álbum, estão ao mesmo nível dos grandes êxitos que têm caracterizado o grupo. A sonoridade geral do trabalho é bastante diversificada, beneficiando da excelente produção que aposta na sobriedade e na sofisticação, apesar da predominância dos instrumentos convencionais e da gravação live que percorre todo o disco. 
Embora não sejam consensuais, os Jamiroquai são um grupo com uma fama considerável a nível mundial. Uma coisa é certa, com este disco temos mais uma dose de boa disposição (ou mais correctamente good mood) que, entrando na onda, não deixa ninguém indiferente.
O alinhamento que é o seguinte: 1. Rock Dust Light Star 2. White Knuckle Ride, 3. Smoke and Mirrors, 4. All Good In The Hood, 5. Hurtin', 6. Blue Skies, 7. Lifeline, 8. She's a fast Persuader, 9. Two Completely Different Things, 10. Goodbye To My Dancer, 11. Never Gonna Be Another, 12. Hey Floyd.

20 de outubro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: FLEET FOXES - "FLEET FOXES"

Da mesma cidade onde nasceu o movimento grunge, voltaram a vestir-se camisas de franela de quadrados para marcar um novo marco na historia do rock alternativo. Robin Pecknold, Skye Skjelset, J. Tillman, Casey Wescott y Christian Wargo juntaram-se para recordar os nostálgicos sons quase esquecidos dos The Mamas and The Papas, Beach Boys e Eagles, mas de uma forma totalmente renovada.
Os Fleet Foxes começaram a sua caminhada em 2006 e, pouco a pouco, foram ganhando popularidade graças às suas fortes composições e grandes interpretações que em relativamente pouco tempo os levaram para a crista da onda. Depois de dois EPs aclamados pela imprensa especializada, em Junho de 2008 chegou o seu esperado disco de estreia "Fleet Foxes". As expectativas eram altas, mas eles souberam superá-las editando aquele que é possivelmente um dos discos mais importantes da década.
Com uma produção característica (muito pouco comprimida para os tempos actuais), composições míticas, uma interpretação impecável e vozes harmoniosas, os Fleet Foxes conseguiram um som que parece retirado da directamente essência da historia do rock.
Ouvir este CD é uma experiência memorável. Logo a a abrir, as vozes de "Sun It Rises" tomam conta da mente do ouvinte e transportam-no para um lugar em que a harmonia domina. Depois vem a jóia do disco "White Winter Hymnal", uma obra vocal que se encaixa perfeitamente no que se convenciounou chamar música indie mas que engloba muits mais conceitos (folk, neo hippie, etc).

O disco acelera com "Ragged Wood", como para nos fazer lembrar que se trata de um disco rock, torna-se íntimo em "Tiger Mountain Peasant Song", alegra-se em "Quiet Houses", … e então chega "He Doesn’t Know Why", a prova dos nove de que os Fleet Foxes são compositores e intérpretes magistrais, das melhores músicas pop dos últimos anos, simples e genial.
"Heard Them Stirring" soa a seguir, para que não ficarmos demasiado extasiados, mas 3 escassos minutos depois a maravilha volta aos nossos ouvidos. Por esta altura custa-nos acreditar que "Your Protector" seja un tema escrito por um grupo com tão poucos anos de vida. "Meadowlarks" e "Blue Ridge Mountains" flúem sem sabermos como é possível conseguir um som tão perfeito sem cair na repetição.
Depois de escutar este disco, temos a sensação de se ter escutado uma autêntica obra prima. Só o tempo o dirá se estamos perante um clássico a nível de fama. Para já, foi editado e está aí para quem queira ouvir a arte dos Fleet Foxes.

10 de outubro de 2010

Discos: FEAR FACTORY - "MECHANIZE"

Os Fear Factory editaram este ano o álbum "Mechanize". Com uma nova formação constituída por Burton C. Bell (voz), Dino Cazares (guitarra), Gene Hoglan (bateria) e Byron Stroud (baixo), o grupo oferecem-nos neste álbum um dos trabalhos mais pesados até à data, não deixando de apresentar grande qualidade e uma excelente performance no seu melhor estilo. Em destaque os temas Mechanize, Industrial Discipline, Christxploitation e Controlled Demolition. Do lado mais melódico temos os excelentes Disigning The Enemy e Final Exit. O regresso aos discos para assinalar o regresso aos concertos de uma das bandas mais enérgicas e talentosas deste estilo.

5 de outubro de 2010

U2 AO VIVO EM COIMBRA: A ÚLTIMA SUPERBANDA ?

Grandioso! Estonteante!... Faltam adjectivos para classificar o concerto dos U2 do passado dia 3 em Coimbra. A nível de produção visual e sonora não há palavras: existem os U2 e depois o resto... Mas mais importante é toda a carga histórica das canções que remete para diferentes momentos das vidas de cada um dos ouvintes, canções intemporais a milhas de distância de se resumir a um qualquer álbum ouvido a correr num qualquer mp3 - sem perceber a mensagem nem ouvir os pormenores musicais.
E depois temos os U2 pessoas, músicos de grande sensibilidade e bom gosto, comandados pelo carismático Bono que nos faz passar essa mensagem de optimismo, de esperança e de acção na busca de um sonho. O sonho, neste caso, passou muito pelas mensagens de solidariedade e de incentivo a ajudar casos concretos de pobreza ou de falta de liberdade, presentes no concerto, e até nas campanhas que fora do recinto se levavam a cabo por voluntários junto dos espectadores.
Para a história ficam aqui alguns flashes em vídeo - vejam-nos do princípio ao fim - das emoções vividas nessa noite e o alinhamento que incluiu dois temas novos, um deles em estreia mundial absoluta.



1.Return Of The Stingray; 2.Beautiful Day; 3.New Year's Day; 4.Get On Your Boots; 5.Magnificent; 6.Mysterious Ways w/ Can't Stand The Rain; 7.Elevation; 8.Until The End Of The World; 9.I Still Haven't Found What I'm Looking For; 10.Pride (In The Name Of Love) 11.Boy Falls From The Sky; 12.In A Little While; 13.Miss Sarajevo; 14.City Of Blinding Lights; 15.Vertigo w/ She Loves You; 16.I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight w/ Relax/Two Tribes; 17.Sunday Bloody Sunday; 18.MLK; 19.Walk On w/ You'll Never Walk Alone.
Encore: 20.One; 21.Where The Streets Have No Name w/ Amazing Grace.
Encore 2: 22.Ultraviolet (Light My Way); 23.With Or Without; 24.Moment of Surrender w/ Singing In The Rain.



10 de setembro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD - «WELCOME TO THE PLEASUREDOME" (1984)

Este álbum é inegavelmente um dos álbuns mais inventivos da história e representa, ainda hoje, um exemplo de vanguardismo, para além de personalizar a inclusão das mais recentes tecnologias à data com grande popularidade e originalidade.
Em 1982 os Frankie Goes To Hollywood (ideia vinda de um anúncio de Frank Sinatra) nascem em Liverpool. Em 1983 lançam 3 singles míticos: "Relax", "Two Tribes" e "The Power of Love" pela ZTT Records e produzidos por Trevor Horn, quiçás a peça mais fundamental em todo o processo.
Depois da histeria generalizada pelo "som novo", verdadeiramente "extra-terrestre", é editado, já em 1984, o álbum "Welcome To The Pleasure Dome" e as melhores suspeitas confirma-se. O trabalho é um potento de imaginação, uma autêntica montanha russa de sensações e emoções. A primeira peça é uma composição de quase um quarto de hora constituída pela canção que dá título ao álbum e por uma longa introdução que inclui vozes de ópera até barulhos da selva (do paraíso?). O tema é estrondoso e, talvez, aquele que mais revela a genialidade que está por detrás deste álbum, sejam responsabilidade dos 5 elementos do grupo ou do produtor. Ao longo daqueles minutos dá-se o mote para o que constitui o resto do disco: uma catadupa de sons e de imagens, por eles sugeridas, como se de um filme se trata-se, com música clássica, com sons ambiente, com sintetizadores espaciais. Num conceito: música para sonhar. O imaginário cinematográfico que percorre o álbum extende-se até à própria imagem da banda, que encarnava, nas suas fotografias promocionais e video-clips, personagens - ora representavam sodados, ou aventureiros no meio da selva, ou pousavam com fatos impecáveis, etc.
Depois, os hits: "Relax"- numa versão mais reverbada que melhora o original; "War" - um lado B de single que aqui é todo decomposto permitindo apercebermo-nos de todos os sons e pormenores que compõem estas músicas, uma verdadeira delícia; "Two Tribes" - o hino à "guerra fria", um autêntica vendaval para as pistas de dança. O resto do álbum alterna entre temas mais calmos como o cinemático "Fury", a afrodisíaca "Ballad of 32" ou o nocturno "Black Night, White Light" e outros mais funk ou influenciados pelo music-hall como "Wish The Lads Where Here" e "Only Star In Heaven". Como final, temos esse "slow" assombroso que é "The Power Of Love", ainda hoje arrepia, sem esquecer o belo video-clip para crentes e não crentes.
Como complemento a este álbum, aconselha-se a arranjar as "extended versions" da altura de muitos destes temas, consideradas autênticas peças sónicas pioneiras. Nomeadamente a fantástica anihilation mix de "Two Tribes", onde, entre ambientes épicos, com influencia de música clássica, e uma voz off profética, é glorificado o bombo da bateria e a sua repetição, algo que iria inspirar anos mais tarde (sim, já adivinharam) toda a música de dança.

2 de setembro de 2010

Discos: STONE TEMPLE PILOTS - "STONE TEMPLE PILOTS"

Os Stone Temple Pilots editaram recentemente o seu 6º álbum de originais. Depois de um longo interregno de 9 anos, a banda voltou no ano passado depois da aventura do vocalista Scott Weiland nos Velvet Revolver e do resto do grupo ter gravado sob o nome de Army Of Anyone.
Sendo, reconhecidamente, um dos grupos que melhor sobreviveu à ascenção e queda do grunge, os STP caracterizam-se por fazer álbuns muito inspirados, sem grandes pretensões mas recheados de momentos brilhantes e memoráveis. Beneficiando do talento de um dos melhores vocalistas das últimas décadas e da criatividade dos irmãos De Leo (na guitarra e no baixo), os Pilots fazem música convencional, é certo, mas com uma qualidade que poucos conseguem.
Assim, o álbum agora editado, com o título homónimo, caracteriza-se por apostar mais naquele glam rock/grunge que o grupo sempre desenvolveu e menos nos temas calmos, nos quais também foram sempre  fortes. Assim temos canções como "Between The Lines" e "Take A Load Off", clássicos instantâneos para os concertos, mas existem também algumas surpresas, como é o caso da experimental "Hickory Dichotomy". Temos tambémm as releituras de clásssicos, como na beatlesiana "Dare If You Dare" e na zeppelliniana "Hazy Daze". O momento descaradamente pop que é "Cinnamon" resume o espírito deste grupo: música positiva e decontraída com enorme talento. A bitola começa a descer um pouco para o fim mas acaba em alta com a leitura bossa de "Samba Nova", algo em que a banda já é reincidente, e que constitui praticamente o único momento mais chill out de todo o disco.
Ouvindo este trabalho, às vezes temos pena do grupo não oferecer peças instrumentais mais extensas em que os músicos pudessem dar largas aos seus talentos. Mas não há nada a fazer, desde o início que a concisão sempre foi uma característica sua, tal como fazer o que lhes dá na gana, como desta vez porem de lado as tradicionais baladas.
Falta agora vermos em Portugal vertente live desta banda que, como se sabe, não deixa ninguém indiferente. A ver vamos..

18 de agosto de 2010

Discos: NEVERMORE - "THE OBSIDIAN CONSPIRACY"

Depois de uma paragem de 4 anos, e decorridos 5 anos desde o seu último álbum de originais, os Nevermore estão de volta. Considerada uma das bandas mais representativas do metal no sentido mais puro do termo, os Nevermore caracterizam-se por fazer uma síntese perfeita entre o estilo mais melódico do heavy tradicional com o poder do thrash e o groove do metal dos 90s/ 2000s. Tudo condimentado com uns pozinhos de progressivo e daquela gótica atmosfera enigmática.
"The Obsidian Conspiracy" acaba por ser um álbum representativo do que são os Nevermore, em jeito de apresentação aos desconhecedores e de lembrete aos que já os conhecem. É um passo à frente em relação ao resto da sua discografia, tem elementos inovadores, mas é, acima de tudo, um álbum "à Nevermore": a voz única de Warrel Dane, os riffs complexos de Jeff Loomis e a máquina imparável que é a sessão rítmica.



Logo as três primeiras canções do disco são de arrasar. Embora não sendo o mais pesado ou rápido que a banda já fez, mas são 3 excelentes temas metal. "Your Poison Throne" está destinada a ser um dos momentos altos dos seus concertos, com as palavras de ordem do refrão a pedirem ideal para ser entoadas pelas massas. O primeiro momento mais experimental do disco é "...And The Maiden Spoke", com efeitos de guitarra nunca utilizados por Loomis. "Emptiness Unobstructed" - o primeiro single - é capaz de ser o tema mais comercial que os Nevermore já fizeram, o que tem desculpa para um grupo que semre foi sub-valorizado para a sua qualidade intrinseca. É uma excelente canção rock de fazer inveja a muitos novatos. "Without Morals" é a típica canção de Nevermore, outro clássico. O álbum contém também partes mais calmas, como é habitual nos trabalhos destes norte-americano, das quais se destaca a maravilhosa versão de Crystal Ship, um dos temas mais belos The Doors. Uma das grandes surpresas do disco é o tema "Temptation", uma versão dos Tea Party, com um leve travo funk metal e um refrão forte que eleva o original para um patamar superior.
Os Nevermore regressaram em força, com os traços de personalidade bem vincados, com um disco pejado de temas talentosos dentro dos parâmetros do metal, mas com uma técnica e uma inspiração raras em muitas bandas deste estilo.

4 de agosto de 2010

Os melhores álbuns de sempre - KRUDER & DORFMEISTER - «DJ KICKS» (1996)

Os Kuder & Dorfmeister actuam no Festival Sudoeste que decorre de 4 a 9 de Agosto na Zambujeira do Mar.
Este será, porventura, o único disco desta rubrica que contém música não-original. Trata-se de um disco de remisturas de temas de base lounge-chill out. A mítica dupla de DJs, Kruder & Dorfmeister, é ainda hoje das mais conhecidas daquele estilo de música electrónica, apesar do reduzido número de discos e das quase inexistentes canções originais. Qual a razão isso acontecer? Porque a maneira como abordam as músicas que vão remisturar, a escolha que fazem e o encadeamento das canções é de tal maneira personalizado e com tão bom gosto que acabaram por sobresair como artistas autónomos, unificando e dando forma aquilo que se calhar nunca chegaria aos ouvidos dos seus fãs sob o nome do intérprete original.
O seu álbum mais conhecido é "Sessions" mas, no entanto, o disco onde depuraram o seu trabalho, tendo alcançado a perfeição é "Dj Kicks". Enquanto noutros discos dos Kruder & Dorfmeister, é o ritmo (e mesmo a energia apesar do estilo ser relaxante) que tem muita importância, neste, a multiplicidade dos sons e a sua profundidade fazem-no ser um disco mais para ser ouvido, absorvido e sentir todas as sensações que provoca, apesar do ritmo e da sua multiplicidade estarem presentes e serem importantes para o andamento do trabalho.
Logo o início não podia ser mellhor com o som de ondas em fundo a dar o mote para "A Mother" dos Herbalizer. Os temas sucedem-se de uma forma fluída, com a produção e os novos sons introduzidos pela dupla a unificarem canções que eventualmente teriam pouco a ver umas com as outras na sua versão original.
O álbum no seu todo assemelha-se a uma viagem, exótica, por vários ambientes e climas. É como se trata-se de uma montanha russa, mas feita com planador empurrado por uma suave brisa.
O auge do disco alcança-se com o fantástico "In Too Deep" de JMJ & Flytronix, um drum n' bass paradisíaco, e prolonga-se pelos temas consequentes, "Kauna" dos Aquasky, "Shaolin Sattelite" dos Thievery Corporation (a melhor versão deste tema cheia de ecos), "Keep On Believing" dos Beanfield, etc.
Não há verdadeiramente pontos baixos neste disco, cada faixa parece estar destinada a ser continuação da anterior. Os estilos variam entre o dub, bossanova, tribal,... mas têm como ponto em comum as atmosferas, profundas e relaxantes, a originalidade dos temas, o extremo bom gosto das remisturas e das próprios canções escolhidas, para além da autêntica genialidade das passagens numa espécie de puzzle que se encaixa na perfeição.
Os Kruder & Dorfmeister interromperam a sua carreira conjunta em finais dos anos 90 para voltarem recentemente. Os seus trabalhos de remistura erigiram as traves mestras do que viría a ser o movimento lounge chill-out, que alcançou o seu aguge na transição do século XX para o XXI com a ascenção de alguns grupos bem nossos conhecidos e da miríade de colectâneas dedicadas ao estilo, e que hoje continua a dar cartas junto dos apreciadores do estilo.

MASSIVE ATTACK: A história

Os Massive Attck actuam no próximo dia 8 de Agosto no Festival Sudoeste,  na Zambujeira do Mar.
Os Massive Attack formaram-se no início da década de 90 e tinham, como núcleo duro, os músicos "3D" (Robert Del Naja), "Daddy G" (Grant Marshall) e "Mushroom" (Adrian Vowles). Considerados fundadores do Trip-Hop, os Massive Attack estouraram com o seu primeiro álbum em 1991, Blue Lines para elogio considerável dos críticos e ouvintes afins, foi uma mistura de hip-hop, jazz e soul com batidas desaceleradas e densas que influenciou várias bandas.
O segundo álbum em 1994, Protection, caracterizou mais uso de instumentos de corda e uma adicional batida dub, além da participação da vocalista Tracey Thorn da banda Everything but the Girl. Horace Andy, o histórico falsete jamaicano, mantém a sua presença que se repetirá por todos os álbuns da banda. Tricky também marca presença no hino "Karmacoma".

O álbum seguinte dos Massive Attack, intitulado Mezzanine lançado em 1998, caracterizou-se por ter mais presente as guitarras na base das músicas. Del Naja declarou que este álbum estava mais a seu gosto. O líder da banda adquire também mais importância neste trabalho ao marcar presença vocal em músicas como "Inertia Creeps" e "Risingson". Explorando batidas de várias culturas e com uma maior diversidade de sons, o álbum conta também com a participação de Liz Frazer dos míticos Cocteau Twins nalguns temas, e especialmente naquele que viria a ser um dos mais conhecidos da banda: "Teardrop".
Nesta fase, a vida pessoal e o relacionamento entre os membros da banda eram conturbados. Desentendiam-se publicamente e Mushroom optou mesmo por deixar a banda.
Em 2003 a banda lança "100th Window" que aprofunda a vertente obscura do álbum anterior, ao mesmo tempo que aposta em sons e climas mais influenciados por alguma electrónica mais moderna e ambiental (Bjork, Lamb, etc.), Desta vez a voz que pontifica nalguns dos melhores temas do álbum é a de Sinead O'Connor. Na altura, a banda assume-se como das mais contestatárias contra a guerra do Iraque. Isso ficou bem expresso no excelente concerto que deram à época no Coliseu dos Recreios com uma admirável cenografia.
Após 15 anos de carreira é lançado "Collected" que reúne os maiores sucessos e músicas inéditas e raras. Destaques para as novas faixas "Live with Me" e "False Flags".
Depois de muitos adiamentos, a banda lançou recentemente o álbum "Heligoland", por ventura, o seu trabalho mais experimental e incompreendido até à data. Apesar disto, os seus espectáculos continuam a ser uma experiência única e admirável a todos os níveis. 

18 de julho de 2010

Concerto: DEEP PURPLE NO COLISEU

O Deep Purple passaram pelo nosso país no âmbito de uma disgressão dedicada aos seus maiores êxitos. Num Coliseu repleto de fãs de todas as idades, a banda mostrou com mestria, porque é fundamental para a história da música executando os seus hinos intemporais. E o Coliseu foi ao rubro.

12 de julho de 2010

FESTIVAL OPTIMUS ALIVE 2010

O festival Optimus Alive 2010, realizado nos passados dias 8 a 10 de Julho foi um enorme sucesso comercial e musical. Tivemos enchentes nos três dias e grandes concertos para todos os gostos. No palco secundário tivemos as revelações Gossip, The XX, The Drums, Florence & The Machine, entre outros. No palco principal, a locura Pearl Jam e a sua aparente e supreendente despedida. Deftones arrasaram, Skunk Anansie regressaram em grande e os Manic Street Preachers tiveram o ansiado regresso a solo português.
No entanto, o nosso destaque vai para dois concertos monumentais do primeiro dia do festival. Os Alice In Chains apresentaram um concerto sonoramente perfeito, com os seus conhecidos coros impecavelmente ensaiados a embalarem a multidão para uma recepção entusiasta, onde nem os novos temas deixaram de cativar: E os Faith No More, ainda e sempre uma banda surpreendente (apesar de não terem trabalho novo para mostrar) com um super frontman a todos os níveis - voz, presença, entertainment - e aquela boa disposição aliada com qualidade que só esta banda sabe fazer.
Aqui ficam os alinhamentos e alguns vídeos para mais tarde recordar:
ALICE IN CHAINS: Rain When I Die, Them Bones, Dam That River, Again, It Ain't Like That, Check My Brain, Your Decision, No Excuses, Lesson Learned, Acid Bubble, We Die Young, Man in the Box, Would?, Rooster.
FAITH NO MORE: Midnight Cowboy (John Barry cover), From Out of Nowhere, Be Aggressive, The Real Thing, Evidence (Portuguese version), As The Worm Turns, Last Cup of Sorrow, Cuckoo for Caca, Easy (The Commodores cover), Midlife Crisis, The Gentle Art of Making Enemies, Ashes to Ashes, Ben (Jackson 5 cover), King for a Day, Epic, Just a Man. Encore: Chariots of Fire (Vangelis cover), Stripsearch, Surprise! You're Dead!. Encore 2: Caralho Voador.






5 de julho de 2010

Concerto/review: CHAMELEONSVOX AO VIVO EM LISBOA

E os The Chamelons (os Chameleons Vox para ser mais exacto) arrasaram no concerto que deram em Lisboa, 27 anos depois do único concerto que a banda original deu no nosso país. O Santiago Alquimista foi pequeno para a multidão de fãs - alguns em estado "fanático" mesmo - que encheram o recinto. Um concerto espectacular dedicado à música de uma banda única. Público e banda em simbiose perfeita, músicas inspiradíssimas daquelas que têm o condão de nos fazer levitar. Só num concerto destes é que uma fã sobe ao palco para passar uma chamada de telemóvel ao vocalista ou "cigarrinhos para rir", como aconteceu noutra ocasião. «I like this place» respondeu o vocalista em inevitável boa disposição. Sim, porque apesar das músicas terem uma base soturna e intimista, em concerto a sua beleza transmite uma sensação de bem estar e energia que , neste contexto de reencontro inesperado, torna tudo mais emocionante.
Um concerto épico, histórico e... sobrenatural!
Eis o alinhamento, a roçar a perfeição embora com bastantes ausências, claro, que não dava para tudo: 1. Perfume Garden, 2. Pleasure and Pain, 3. Monkeyland, 4. Mad Jack, 5. Less Than Human, 6. Soul In Isolation, 7. Nostalgia, 8. Seriocity, 9. In Answer, 10. Singing Rule Brittania, 11. Second Skin. 1º Encore: 1. In Shreds, 2. Up the Down Escalator. 2º Encore: 1. Swamp Thing, 2. Tears, 3. Don´t Fall.


10 de junho de 2010

KYUSS: Os gurus do "stone rock"

Os Kyuss (pronuncia-se kaius) é uma banda formada em 1988 em Palm Springs, Califórnia e popularizou o até então desconhecido movimento musical stoner rock. De suas cinzas nasceram os grupos Queens of the Stone Age, Hermano, Slo Burn, Brant Bjork, Che, e Mondo Generator.

Com influências que iam do heavy metal ao punk rock, a banda começou com o nome Katzenjammer composta por John Garcia (vocal), Josh Homme (guitarra), Chris Cockrell (baixo), Brant Bjork (bateria) e Nick Oliveri (guitarra). Essa formação não durou muito quando Oliveri saiu e Josh assumiu o lugar de único guitarrista da banda. Nessa altura, trocam de nome para Sons of Kyuss, inspirados numa criatura do jogo Dungeons & Dragons e começaram a tocar nas chamadas "generator parties", festas no meio do deserto regadas a bebidas e drogas ilícitas, em que as bandas usavam geradores movidos a gasolina para gerar energia para os equipamentos. Josh Homme começou a ganhar uma reputação por tocar guitarra elétrica através de amplificadores de baixo para criar um som pesado e grave. Muitos já não os consideravam apenas outra banda de rock/metal pelo talento de Josh na guitarra e pelo som psicadélico que faziam.
Após o EP Sons of Kyuss, Chris Cockrell deixa a banda e Nick Oliveri é chamado para tocar baixo. A banda encurta o nome para Kyuss e lança em 1991 o álbum Wretch, mas ficam descontentes com a gravação e distribuição do álbum. Num dos seus concertos, que era o grande forte do Kyuss, conheceram Chris Goss da então banda Masters of Reality que é convidado a produzir o álbum seguinte da banda.
Lançado em 1992, Blues for the Red Sun foi aclamado pelo público e pela crítica, a banda ganha um novo folêgo e assina com uma editora major, a Elektra Records, as músicas passam na rádio, começam a fazer tourneés com bandas como Metallica, Soundgarden e Tool. Mas com esse inesperado estouro, começaram alguns desentendimentos: Nick Olivieri sai da banda e em seu lugar, entra Scott Reeder (ex-The Obsessed).  Com essa nova formação gravam o clássico Welcome to Sky Valley‎ lançado em 1994 e produzido por Goss também. O álbum foi um sucesso de críticas e público e iniciam-se mais tourneés. No fim da tour, para a supresa de todos, Brant Bjork sai da banda e em seu lugar entra o músico de jazz Alfredo Hernandez.
Em 1995 sai o último álbum de estúdio da banda o experimental …And the Circus Leaves Town. A banda anuncia seu fim. Josh tinha 22 anos. Garcia tinha 25 anos.
Depois disso os músicos seguiram carreiras iferentes das quais se destaca a carreira dos Queens of the Stone Age de Josh Homme, na qual também particippu Nick Oliveri.
15 anos depois, o cantor John Garcia inicia uma périplo de concertos com o projeto Garcia Plays Kyuss. No mesmo ano, o músico convidou Nick Oliveri e Brant Bjork, ex-companheiros de banda, para subir ao palco no festival francês Hellfest. A recepção foi tão forte, que a banda resolver fazer uma tourneé pela Europa com o nome Kyuss Lives!.

28 de abril de 2010

Os melhores álbuns de sempre: MÃO MORTA - "MUTANTES S.21"

Depois da sua estreia em 1988 com o inovador álbum homónimo, os Mão Morta criaram um estilo único no Mundo, que aliou guitarras estridentes, climas obscuros e um poeta - o inenarrável Adolfo Luxúria Canibal - que declamava ou berrava palavras de opressão urbana ou de histórias macabras. Nos álbuns subsequentes, o maior lirismo, por um lado, bem como a aproximação ao rock mais pesado e a uma melhoria técnica, por outro, prepararam o caminho para a obra prima da banda.

«Mutantes S.21» é um roteiro turístico por histórias do lado escondido de 9 cidades. Logo a começar, "Lisboa" é, ainda hoje, um dos hinos do grupo. Um delírio heavy decorado a estupefaciantes. Ficou para a história a frase «...táxi! Casal Ventoso, se faz favor». "Amesterdão" é o tema que simboliza a fase adulta em que a banda entra com este álbum, muito bem composta, com o Adolfo a recitar um passeio atribulado pela cidade. "Budapeste" é talvez o tema mais conhecido mas que o grupo, precisamente por isso, mais tem renegado, evitando tocá-lo ao vivo numa espécie de declaração de independência (em relação à indústria da música).

O álbum inclui ainda outros temas como "Barcelona", também muito pedida nas suas actuações, a levemente árabe "Marraquexe", entre outras. A genialidade volta a vir ao de cima em "Istambul", onde o exotismo e o calor da cidade se sente em cada nota do tema, e no instrumental "Shambalah", uma magnífica peça electrónica que já chegou a servir de introdução aos seus concertos.

Para além deste disco, os Mão Morta já fizeram muito boas coisas, mais acessíveis ou mais alternativas, mas este álbum marcou sem dúvida a entrada definitiva da banda na galeria dos clássicos da música portuguesa.

10 de abril de 2010

Perdidos no tempo: MY SISTER'S MACHINE

Os My Sister's Machine são um grupo de Seattle que teve uma existência fugaz em plena euforia grunge no início dos anos 90. No entanto foram os autores de um dos álbuns de culto daquele movimento: "Diva", de 1992. Com este disco, os My Sister's Machine estrearam-se com um som grandioso: sucessivas camadas de guitarra em riffs constantes e solos de wha-wha, ritmos endiabrados e uma voz poderosíssima. O álbum foi produzido pelo nosso bem conhecido Ronnie Champagne - que produziu no nosso País trabalhos de Xutos & Pontapés e de Blind Zero, para além de ter sido músico de apoio dos primeiros numa determinada fase da sua carreira (lembram-se do concerto dos 20 anos?).
Um tipo de som com que qualquer ouvinte identifica de imediato os My Sister'sMachine é o dos Alice Im Chains. No entanto, a banda tem ainda bastantes influências do melhor hard-rock que se fazia na altura (Stone Temple Pilots, early Guns N' Roses..) assim como semelhanças com grupos que depontaram posteriormente (Godsmack, Kyuss..).
O pouco sucesso do seu segundo álbum,"Wallflowers", precipitou o final da banda que, assim, não logrou alcançar um nível razoável de sucesso. No entanto, foi o suficiente para nos terem deixado o muito recomendado álbum já citado e grandes temas como "Love at High Speed", "Diva", "Wasting Time" e "I'm Sorry", entre outros.
Recentemente, a banda regressou apenas para alguns concertos.

20 de março de 2010

THE YOUNG GODS - A história

A seminal banda Young Gods foi formada em 1985 por Franz Treichler, Cesare Pizzi e Frank Bagnoud na cidade de Genebra, Suíça. O trio é um dos precursores na utilização do sampler como instrumento musical e tornou-se uma das bandas de rock industrial mais influentes da época. Devido às diversas mudanças de line-up, a sonoridade do grupo foi se modificando ao longo dos anos, passando de um som mais industrial e metalizado para estilos mais influenciados pela música electrónica e ambiental. O nome do grupo foi inspirado pelo EP The Young God da banda de noise rock Swans. Treichler, líder e único membro constante em todas as formações dos Young Gods, actua como vocalista e principal compositor. Al Comet, nos teclados/samplers, e o baterista Bernard Trontin completam o trio atual (agora quarteto com um guitarrista a tempo inteiro).

Dos seus álbuns, destacam-se L'Eu Rouge (1989), TV Sky (1992), "Only Heaven" (1995) e "Second Nature" (2000).  No entanto, todos os lançamentos da banda são sempre aguardados com grande expectativa pela comunidade de músicos e apreciadores de musica inovadora.  A sua discografia caracteriza-se também por incluir alguns trabalhos mais marginais e experimentais, como o assombroso "Heaven Deconstruction".

Embora o grupo nunca tenha alcançado grande êxito comercial, o legado dos Young Gods na música contemporânea é indíscutível. Diversos artistas consagrados já evidenciaram sua admiração e reverência ao trio suíço. De entre as várias bandas e músicos passíveis de citação, destacam-se os Chemical Brothers, , Ministry, Mike Patton (Faith No More), Tool, Nine Inch Nails, The Edge dos U2, etc.


12 de fevereiro de 2010

THIEVERY CORPORATION - A história

A banda que revolucionou a música de cariz mais electrónico no final da década passada é originária de Washington, Estados Unidos, e é composta por Rob Garza e Eric Hilton, para além dos inúmeros músicos de sessão que os acompanham em estúdio e, sobretudo, ao vivo. A sua música pode enquadrar-se dentro do estilo de música electrónica denominado downtempo, com influencias de dub, acid jazz, música indiana e brasileira (nomeadamente bossa-nova) numa fusão combinada com uma estética lounge.
O seu primeiro trabalho é o EP “A Spliff Odyssey” de 1996 a que se seguiram outros. Mas foi em 1997, com o álbum de originais “Sounds from the Thievery Hi-Fi”, que os Thievery Corporation caíram nas bocas do Mundo. Em pleno auge da explosão da música electrónica / dance que ocorreu na altura, com a conquista de popularidade global de bandas como Prodigy e Massive Attack, certas corrente mais relacionadas com o lounge e com o chill out surgiram entre certas camadas de público mais exigente/inteligente que ambicionava por algo mais calmo sem se concentrar demais na batida. O álbum dos Thievery Corporation, com a sua mistura dub rastafari com novos sons electrónicos, foi imediatamente alvo de aproveitamento pelos principias djs de clubes do género. A partir desse primeiro sucesso, rotulado como o melhor álbum do ano por muitos críticos, o dúo editou vários álbuns de remisturas suas de temas de outros músicos que faziam parte do seu imaginário (desde clássicos bossa-nova até pop alternativo). É o caso do seu “DJ Kicks” e do extraordinário “Abductions and Reconstructions”.
Ao segundo trabalho de originais, a expectativa já era grande e a edição de “The Mirror Conspiracy” (2000) foi já um sucesso mundial, com temas a serem aproveitados para bandas sonoras, genéricos televisivos e nos mais diversos locais, como desfiles de moda, estações de metro, etc. Neste álbum a influência étnica alonga-se a outras áres como a música francesa, e as músicas apresentam-se muito inspiradas e concisas, sem experimentalismos exagerados.
Em 2002 editam “The Richest Man in Babylon” (2002) similar no seu timbre ao trabalho anterior mas concentrando-se, ainda mais, no formato canção. A influência de música da América do Sul é uma das mais valias deste trabalho. Participaram nele músicos como Emiliana Torrini, Pam Bricker e Lou-Lou. O álbum teve a sequela “Babylon Rewound” com remixes dos mesmos temas. Paralelamente a isto, começa a aumentar o número das suas actuações, na qual colaboram inúmeros convidados e músicos de palco, constituindo os seus espectáculos autênticas celebrações.
Depois do fantástico “The Outernational Sound” e de outros trabalhos de remisturas de temas alheios, chega-nos o trabalho “The Cosmic Game”, mais psicadélico e ambiental, onde contam com as participações de convidados tão distintos como Perry Farrel (Jane’s Addiction) e David Byrne.
Notoriamente influenciado por alguns dos últimos acontecimentos sócio-políticos mundiais, e norte-americanos em particular, os Thievery Corporation lançaram em 2008 o álbum “Rádio Retaliation”, mais cantado e virado para os espectáculos ao vivo. Nesse ano, o grupo encheu o Coliseu de Lisboa para oferecer um magnífico espectaculo de som e imagem. A este repeito, pode-se ler um comentário neste link.
No ano passado foi a vez de uma colectânea que serve de pano de fundo a esta actuação no âmbito do Festival Alive 2011.
Para abrir o apetite, cá vai uma pequena amostra do que poderemos ver no concerto: