20 de outubro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: FLEET FOXES - "FLEET FOXES"

Da mesma cidade onde nasceu o movimento grunge, voltaram a vestir-se camisas de franela de quadrados para marcar um novo marco na historia do rock alternativo. Robin Pecknold, Skye Skjelset, J. Tillman, Casey Wescott y Christian Wargo juntaram-se para recordar os nostálgicos sons quase esquecidos dos The Mamas and The Papas, Beach Boys e Eagles, mas de uma forma totalmente renovada.
Os Fleet Foxes começaram a sua caminhada em 2006 e, pouco a pouco, foram ganhando popularidade graças às suas fortes composições e grandes interpretações que em relativamente pouco tempo os levaram para a crista da onda. Depois de dois EPs aclamados pela imprensa especializada, em Junho de 2008 chegou o seu esperado disco de estreia "Fleet Foxes". As expectativas eram altas, mas eles souberam superá-las editando aquele que é possivelmente um dos discos mais importantes da década.
Com uma produção característica (muito pouco comprimida para os tempos actuais), composições míticas, uma interpretação impecável e vozes harmoniosas, os Fleet Foxes conseguiram um som que parece retirado da directamente essência da historia do rock.
Ouvir este CD é uma experiência memorável. Logo a a abrir, as vozes de "Sun It Rises" tomam conta da mente do ouvinte e transportam-no para um lugar em que a harmonia domina. Depois vem a jóia do disco "White Winter Hymnal", uma obra vocal que se encaixa perfeitamente no que se convenciounou chamar música indie mas que engloba muits mais conceitos (folk, neo hippie, etc).

O disco acelera com "Ragged Wood", como para nos fazer lembrar que se trata de um disco rock, torna-se íntimo em "Tiger Mountain Peasant Song", alegra-se em "Quiet Houses", … e então chega "He Doesn’t Know Why", a prova dos nove de que os Fleet Foxes são compositores e intérpretes magistrais, das melhores músicas pop dos últimos anos, simples e genial.
"Heard Them Stirring" soa a seguir, para que não ficarmos demasiado extasiados, mas 3 escassos minutos depois a maravilha volta aos nossos ouvidos. Por esta altura custa-nos acreditar que "Your Protector" seja un tema escrito por um grupo com tão poucos anos de vida. "Meadowlarks" e "Blue Ridge Mountains" flúem sem sabermos como é possível conseguir um som tão perfeito sem cair na repetição.
Depois de escutar este disco, temos a sensação de se ter escutado uma autêntica obra prima. Só o tempo o dirá se estamos perante um clássico a nível de fama. Para já, foi editado e está aí para quem queira ouvir a arte dos Fleet Foxes.

10 de outubro de 2010

Discos: FEAR FACTORY - "MECHANIZE"

Os Fear Factory editaram este ano o álbum "Mechanize". Com uma nova formação constituída por Burton C. Bell (voz), Dino Cazares (guitarra), Gene Hoglan (bateria) e Byron Stroud (baixo), o grupo oferecem-nos neste álbum um dos trabalhos mais pesados até à data, não deixando de apresentar grande qualidade e uma excelente performance no seu melhor estilo. Em destaque os temas Mechanize, Industrial Discipline, Christxploitation e Controlled Demolition. Do lado mais melódico temos os excelentes Disigning The Enemy e Final Exit. O regresso aos discos para assinalar o regresso aos concertos de uma das bandas mais enérgicas e talentosas deste estilo.

5 de outubro de 2010

U2 AO VIVO EM COIMBRA: A ÚLTIMA SUPERBANDA ?

Grandioso! Estonteante!... Faltam adjectivos para classificar o concerto dos U2 do passado dia 3 em Coimbra. A nível de produção visual e sonora não há palavras: existem os U2 e depois o resto... Mas mais importante é toda a carga histórica das canções que remete para diferentes momentos das vidas de cada um dos ouvintes, canções intemporais a milhas de distância de se resumir a um qualquer álbum ouvido a correr num qualquer mp3 - sem perceber a mensagem nem ouvir os pormenores musicais.
E depois temos os U2 pessoas, músicos de grande sensibilidade e bom gosto, comandados pelo carismático Bono que nos faz passar essa mensagem de optimismo, de esperança e de acção na busca de um sonho. O sonho, neste caso, passou muito pelas mensagens de solidariedade e de incentivo a ajudar casos concretos de pobreza ou de falta de liberdade, presentes no concerto, e até nas campanhas que fora do recinto se levavam a cabo por voluntários junto dos espectadores.
Para a história ficam aqui alguns flashes em vídeo - vejam-nos do princípio ao fim - das emoções vividas nessa noite e o alinhamento que incluiu dois temas novos, um deles em estreia mundial absoluta.



1.Return Of The Stingray; 2.Beautiful Day; 3.New Year's Day; 4.Get On Your Boots; 5.Magnificent; 6.Mysterious Ways w/ Can't Stand The Rain; 7.Elevation; 8.Until The End Of The World; 9.I Still Haven't Found What I'm Looking For; 10.Pride (In The Name Of Love) 11.Boy Falls From The Sky; 12.In A Little While; 13.Miss Sarajevo; 14.City Of Blinding Lights; 15.Vertigo w/ She Loves You; 16.I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight w/ Relax/Two Tribes; 17.Sunday Bloody Sunday; 18.MLK; 19.Walk On w/ You'll Never Walk Alone.
Encore: 20.One; 21.Where The Streets Have No Name w/ Amazing Grace.
Encore 2: 22.Ultraviolet (Light My Way); 23.With Or Without; 24.Moment of Surrender w/ Singing In The Rain.



10 de setembro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD - «WELCOME TO THE PLEASUREDOME" (1984)

Este álbum é inegavelmente um dos álbuns mais inventivos da história e representa, ainda hoje, um exemplo de vanguardismo, para além de personalizar a inclusão das mais recentes tecnologias à data com grande popularidade e originalidade.
Em 1982 os Frankie Goes To Hollywood (ideia vinda de um anúncio de Frank Sinatra) nascem em Liverpool. Em 1983 lançam 3 singles míticos: "Relax", "Two Tribes" e "The Power of Love" pela ZTT Records e produzidos por Trevor Horn, quiçás a peça mais fundamental em todo o processo.
Depois da histeria generalizada pelo "som novo", verdadeiramente "extra-terrestre", é editado, já em 1984, o álbum "Welcome To The Pleasure Dome" e as melhores suspeitas confirma-se. O trabalho é um potento de imaginação, uma autêntica montanha russa de sensações e emoções. A primeira peça é uma composição de quase um quarto de hora constituída pela canção que dá título ao álbum e por uma longa introdução que inclui vozes de ópera até barulhos da selva (do paraíso?). O tema é estrondoso e, talvez, aquele que mais revela a genialidade que está por detrás deste álbum, sejam responsabilidade dos 5 elementos do grupo ou do produtor. Ao longo daqueles minutos dá-se o mote para o que constitui o resto do disco: uma catadupa de sons e de imagens, por eles sugeridas, como se de um filme se trata-se, com música clássica, com sons ambiente, com sintetizadores espaciais. Num conceito: música para sonhar. O imaginário cinematográfico que percorre o álbum extende-se até à própria imagem da banda, que encarnava, nas suas fotografias promocionais e video-clips, personagens - ora representavam sodados, ou aventureiros no meio da selva, ou pousavam com fatos impecáveis, etc.
Depois, os hits: "Relax"- numa versão mais reverbada que melhora o original; "War" - um lado B de single que aqui é todo decomposto permitindo apercebermo-nos de todos os sons e pormenores que compõem estas músicas, uma verdadeira delícia; "Two Tribes" - o hino à "guerra fria", um autêntica vendaval para as pistas de dança. O resto do álbum alterna entre temas mais calmos como o cinemático "Fury", a afrodisíaca "Ballad of 32" ou o nocturno "Black Night, White Light" e outros mais funk ou influenciados pelo music-hall como "Wish The Lads Where Here" e "Only Star In Heaven". Como final, temos esse "slow" assombroso que é "The Power Of Love", ainda hoje arrepia, sem esquecer o belo video-clip para crentes e não crentes.
Como complemento a este álbum, aconselha-se a arranjar as "extended versions" da altura de muitos destes temas, consideradas autênticas peças sónicas pioneiras. Nomeadamente a fantástica anihilation mix de "Two Tribes", onde, entre ambientes épicos, com influencia de música clássica, e uma voz off profética, é glorificado o bombo da bateria e a sua repetição, algo que iria inspirar anos mais tarde (sim, já adivinharam) toda a música de dança.

2 de setembro de 2010

Discos: STONE TEMPLE PILOTS - "STONE TEMPLE PILOTS"

Os Stone Temple Pilots editaram recentemente o seu 6º álbum de originais. Depois de um longo interregno de 9 anos, a banda voltou no ano passado depois da aventura do vocalista Scott Weiland nos Velvet Revolver e do resto do grupo ter gravado sob o nome de Army Of Anyone.
Sendo, reconhecidamente, um dos grupos que melhor sobreviveu à ascenção e queda do grunge, os STP caracterizam-se por fazer álbuns muito inspirados, sem grandes pretensões mas recheados de momentos brilhantes e memoráveis. Beneficiando do talento de um dos melhores vocalistas das últimas décadas e da criatividade dos irmãos De Leo (na guitarra e no baixo), os Pilots fazem música convencional, é certo, mas com uma qualidade que poucos conseguem.
Assim, o álbum agora editado, com o título homónimo, caracteriza-se por apostar mais naquele glam rock/grunge que o grupo sempre desenvolveu e menos nos temas calmos, nos quais também foram sempre  fortes. Assim temos canções como "Between The Lines" e "Take A Load Off", clássicos instantâneos para os concertos, mas existem também algumas surpresas, como é o caso da experimental "Hickory Dichotomy". Temos tambémm as releituras de clásssicos, como na beatlesiana "Dare If You Dare" e na zeppelliniana "Hazy Daze". O momento descaradamente pop que é "Cinnamon" resume o espírito deste grupo: música positiva e decontraída com enorme talento. A bitola começa a descer um pouco para o fim mas acaba em alta com a leitura bossa de "Samba Nova", algo em que a banda já é reincidente, e que constitui praticamente o único momento mais chill out de todo o disco.
Ouvindo este trabalho, às vezes temos pena do grupo não oferecer peças instrumentais mais extensas em que os músicos pudessem dar largas aos seus talentos. Mas não há nada a fazer, desde o início que a concisão sempre foi uma característica sua, tal como fazer o que lhes dá na gana, como desta vez porem de lado as tradicionais baladas.
Falta agora vermos em Portugal vertente live desta banda que, como se sabe, não deixa ninguém indiferente. A ver vamos..

18 de agosto de 2010

Discos: NEVERMORE - "THE OBSIDIAN CONSPIRACY"

Depois de uma paragem de 4 anos, e decorridos 5 anos desde o seu último álbum de originais, os Nevermore estão de volta. Considerada uma das bandas mais representativas do metal no sentido mais puro do termo, os Nevermore caracterizam-se por fazer uma síntese perfeita entre o estilo mais melódico do heavy tradicional com o poder do thrash e o groove do metal dos 90s/ 2000s. Tudo condimentado com uns pozinhos de progressivo e daquela gótica atmosfera enigmática.
"The Obsidian Conspiracy" acaba por ser um álbum representativo do que são os Nevermore, em jeito de apresentação aos desconhecedores e de lembrete aos que já os conhecem. É um passo à frente em relação ao resto da sua discografia, tem elementos inovadores, mas é, acima de tudo, um álbum "à Nevermore": a voz única de Warrel Dane, os riffs complexos de Jeff Loomis e a máquina imparável que é a sessão rítmica.



Logo as três primeiras canções do disco são de arrasar. Embora não sendo o mais pesado ou rápido que a banda já fez, mas são 3 excelentes temas metal. "Your Poison Throne" está destinada a ser um dos momentos altos dos seus concertos, com as palavras de ordem do refrão a pedirem ideal para ser entoadas pelas massas. O primeiro momento mais experimental do disco é "...And The Maiden Spoke", com efeitos de guitarra nunca utilizados por Loomis. "Emptiness Unobstructed" - o primeiro single - é capaz de ser o tema mais comercial que os Nevermore já fizeram, o que tem desculpa para um grupo que semre foi sub-valorizado para a sua qualidade intrinseca. É uma excelente canção rock de fazer inveja a muitos novatos. "Without Morals" é a típica canção de Nevermore, outro clássico. O álbum contém também partes mais calmas, como é habitual nos trabalhos destes norte-americano, das quais se destaca a maravilhosa versão de Crystal Ship, um dos temas mais belos The Doors. Uma das grandes surpresas do disco é o tema "Temptation", uma versão dos Tea Party, com um leve travo funk metal e um refrão forte que eleva o original para um patamar superior.
Os Nevermore regressaram em força, com os traços de personalidade bem vincados, com um disco pejado de temas talentosos dentro dos parâmetros do metal, mas com uma técnica e uma inspiração raras em muitas bandas deste estilo.

4 de agosto de 2010

Os melhores álbuns de sempre - KRUDER & DORFMEISTER - «DJ KICKS» (1996)

Os Kuder & Dorfmeister actuam no Festival Sudoeste que decorre de 4 a 9 de Agosto na Zambujeira do Mar.
Este será, porventura, o único disco desta rubrica que contém música não-original. Trata-se de um disco de remisturas de temas de base lounge-chill out. A mítica dupla de DJs, Kruder & Dorfmeister, é ainda hoje das mais conhecidas daquele estilo de música electrónica, apesar do reduzido número de discos e das quase inexistentes canções originais. Qual a razão isso acontecer? Porque a maneira como abordam as músicas que vão remisturar, a escolha que fazem e o encadeamento das canções é de tal maneira personalizado e com tão bom gosto que acabaram por sobresair como artistas autónomos, unificando e dando forma aquilo que se calhar nunca chegaria aos ouvidos dos seus fãs sob o nome do intérprete original.
O seu álbum mais conhecido é "Sessions" mas, no entanto, o disco onde depuraram o seu trabalho, tendo alcançado a perfeição é "Dj Kicks". Enquanto noutros discos dos Kruder & Dorfmeister, é o ritmo (e mesmo a energia apesar do estilo ser relaxante) que tem muita importância, neste, a multiplicidade dos sons e a sua profundidade fazem-no ser um disco mais para ser ouvido, absorvido e sentir todas as sensações que provoca, apesar do ritmo e da sua multiplicidade estarem presentes e serem importantes para o andamento do trabalho.
Logo o início não podia ser mellhor com o som de ondas em fundo a dar o mote para "A Mother" dos Herbalizer. Os temas sucedem-se de uma forma fluída, com a produção e os novos sons introduzidos pela dupla a unificarem canções que eventualmente teriam pouco a ver umas com as outras na sua versão original.
O álbum no seu todo assemelha-se a uma viagem, exótica, por vários ambientes e climas. É como se trata-se de uma montanha russa, mas feita com planador empurrado por uma suave brisa.
O auge do disco alcança-se com o fantástico "In Too Deep" de JMJ & Flytronix, um drum n' bass paradisíaco, e prolonga-se pelos temas consequentes, "Kauna" dos Aquasky, "Shaolin Sattelite" dos Thievery Corporation (a melhor versão deste tema cheia de ecos), "Keep On Believing" dos Beanfield, etc.
Não há verdadeiramente pontos baixos neste disco, cada faixa parece estar destinada a ser continuação da anterior. Os estilos variam entre o dub, bossanova, tribal,... mas têm como ponto em comum as atmosferas, profundas e relaxantes, a originalidade dos temas, o extremo bom gosto das remisturas e das próprios canções escolhidas, para além da autêntica genialidade das passagens numa espécie de puzzle que se encaixa na perfeição.
Os Kruder & Dorfmeister interromperam a sua carreira conjunta em finais dos anos 90 para voltarem recentemente. Os seus trabalhos de remistura erigiram as traves mestras do que viría a ser o movimento lounge chill-out, que alcançou o seu aguge na transição do século XX para o XXI com a ascenção de alguns grupos bem nossos conhecidos e da miríade de colectâneas dedicadas ao estilo, e que hoje continua a dar cartas junto dos apreciadores do estilo.

MASSIVE ATTACK: A história

Os Massive Attck actuam no próximo dia 8 de Agosto no Festival Sudoeste,  na Zambujeira do Mar.
Os Massive Attack formaram-se no início da década de 90 e tinham, como núcleo duro, os músicos "3D" (Robert Del Naja), "Daddy G" (Grant Marshall) e "Mushroom" (Adrian Vowles). Considerados fundadores do Trip-Hop, os Massive Attack estouraram com o seu primeiro álbum em 1991, Blue Lines para elogio considerável dos críticos e ouvintes afins, foi uma mistura de hip-hop, jazz e soul com batidas desaceleradas e densas que influenciou várias bandas.
O segundo álbum em 1994, Protection, caracterizou mais uso de instumentos de corda e uma adicional batida dub, além da participação da vocalista Tracey Thorn da banda Everything but the Girl. Horace Andy, o histórico falsete jamaicano, mantém a sua presença que se repetirá por todos os álbuns da banda. Tricky também marca presença no hino "Karmacoma".

O álbum seguinte dos Massive Attack, intitulado Mezzanine lançado em 1998, caracterizou-se por ter mais presente as guitarras na base das músicas. Del Naja declarou que este álbum estava mais a seu gosto. O líder da banda adquire também mais importância neste trabalho ao marcar presença vocal em músicas como "Inertia Creeps" e "Risingson". Explorando batidas de várias culturas e com uma maior diversidade de sons, o álbum conta também com a participação de Liz Frazer dos míticos Cocteau Twins nalguns temas, e especialmente naquele que viria a ser um dos mais conhecidos da banda: "Teardrop".
Nesta fase, a vida pessoal e o relacionamento entre os membros da banda eram conturbados. Desentendiam-se publicamente e Mushroom optou mesmo por deixar a banda.
Em 2003 a banda lança "100th Window" que aprofunda a vertente obscura do álbum anterior, ao mesmo tempo que aposta em sons e climas mais influenciados por alguma electrónica mais moderna e ambiental (Bjork, Lamb, etc.), Desta vez a voz que pontifica nalguns dos melhores temas do álbum é a de Sinead O'Connor. Na altura, a banda assume-se como das mais contestatárias contra a guerra do Iraque. Isso ficou bem expresso no excelente concerto que deram à época no Coliseu dos Recreios com uma admirável cenografia.
Após 15 anos de carreira é lançado "Collected" que reúne os maiores sucessos e músicas inéditas e raras. Destaques para as novas faixas "Live with Me" e "False Flags".
Depois de muitos adiamentos, a banda lançou recentemente o álbum "Heligoland", por ventura, o seu trabalho mais experimental e incompreendido até à data. Apesar disto, os seus espectáculos continuam a ser uma experiência única e admirável a todos os níveis. 

18 de julho de 2010

Concerto: DEEP PURPLE NO COLISEU

O Deep Purple passaram pelo nosso país no âmbito de uma disgressão dedicada aos seus maiores êxitos. Num Coliseu repleto de fãs de todas as idades, a banda mostrou com mestria, porque é fundamental para a história da música executando os seus hinos intemporais. E o Coliseu foi ao rubro.

12 de julho de 2010

FESTIVAL OPTIMUS ALIVE 2010

O festival Optimus Alive 2010, realizado nos passados dias 8 a 10 de Julho foi um enorme sucesso comercial e musical. Tivemos enchentes nos três dias e grandes concertos para todos os gostos. No palco secundário tivemos as revelações Gossip, The XX, The Drums, Florence & The Machine, entre outros. No palco principal, a locura Pearl Jam e a sua aparente e supreendente despedida. Deftones arrasaram, Skunk Anansie regressaram em grande e os Manic Street Preachers tiveram o ansiado regresso a solo português.
No entanto, o nosso destaque vai para dois concertos monumentais do primeiro dia do festival. Os Alice In Chains apresentaram um concerto sonoramente perfeito, com os seus conhecidos coros impecavelmente ensaiados a embalarem a multidão para uma recepção entusiasta, onde nem os novos temas deixaram de cativar: E os Faith No More, ainda e sempre uma banda surpreendente (apesar de não terem trabalho novo para mostrar) com um super frontman a todos os níveis - voz, presença, entertainment - e aquela boa disposição aliada com qualidade que só esta banda sabe fazer.
Aqui ficam os alinhamentos e alguns vídeos para mais tarde recordar:
ALICE IN CHAINS: Rain When I Die, Them Bones, Dam That River, Again, It Ain't Like That, Check My Brain, Your Decision, No Excuses, Lesson Learned, Acid Bubble, We Die Young, Man in the Box, Would?, Rooster.
FAITH NO MORE: Midnight Cowboy (John Barry cover), From Out of Nowhere, Be Aggressive, The Real Thing, Evidence (Portuguese version), As The Worm Turns, Last Cup of Sorrow, Cuckoo for Caca, Easy (The Commodores cover), Midlife Crisis, The Gentle Art of Making Enemies, Ashes to Ashes, Ben (Jackson 5 cover), King for a Day, Epic, Just a Man. Encore: Chariots of Fire (Vangelis cover), Stripsearch, Surprise! You're Dead!. Encore 2: Caralho Voador.






5 de julho de 2010

Concerto/review: CHAMELEONSVOX AO VIVO EM LISBOA

E os The Chamelons (os Chameleons Vox para ser mais exacto) arrasaram no concerto que deram em Lisboa, 27 anos depois do único concerto que a banda original deu no nosso país. O Santiago Alquimista foi pequeno para a multidão de fãs - alguns em estado "fanático" mesmo - que encheram o recinto. Um concerto espectacular dedicado à música de uma banda única. Público e banda em simbiose perfeita, músicas inspiradíssimas daquelas que têm o condão de nos fazer levitar. Só num concerto destes é que uma fã sobe ao palco para passar uma chamada de telemóvel ao vocalista ou "cigarrinhos para rir", como aconteceu noutra ocasião. «I like this place» respondeu o vocalista em inevitável boa disposição. Sim, porque apesar das músicas terem uma base soturna e intimista, em concerto a sua beleza transmite uma sensação de bem estar e energia que , neste contexto de reencontro inesperado, torna tudo mais emocionante.
Um concerto épico, histórico e... sobrenatural!
Eis o alinhamento, a roçar a perfeição embora com bastantes ausências, claro, que não dava para tudo: 1. Perfume Garden, 2. Pleasure and Pain, 3. Monkeyland, 4. Mad Jack, 5. Less Than Human, 6. Soul In Isolation, 7. Nostalgia, 8. Seriocity, 9. In Answer, 10. Singing Rule Brittania, 11. Second Skin. 1º Encore: 1. In Shreds, 2. Up the Down Escalator. 2º Encore: 1. Swamp Thing, 2. Tears, 3. Don´t Fall.


10 de junho de 2010

KYUSS: Os gurus do "stone rock"

Os Kyuss (pronuncia-se kaius) é uma banda formada em 1988 em Palm Springs, Califórnia e popularizou o até então desconhecido movimento musical stoner rock. De suas cinzas nasceram os grupos Queens of the Stone Age, Hermano, Slo Burn, Brant Bjork, Che, e Mondo Generator.

Com influências que iam do heavy metal ao punk rock, a banda começou com o nome Katzenjammer composta por John Garcia (vocal), Josh Homme (guitarra), Chris Cockrell (baixo), Brant Bjork (bateria) e Nick Oliveri (guitarra). Essa formação não durou muito quando Oliveri saiu e Josh assumiu o lugar de único guitarrista da banda. Nessa altura, trocam de nome para Sons of Kyuss, inspirados numa criatura do jogo Dungeons & Dragons e começaram a tocar nas chamadas "generator parties", festas no meio do deserto regadas a bebidas e drogas ilícitas, em que as bandas usavam geradores movidos a gasolina para gerar energia para os equipamentos. Josh Homme começou a ganhar uma reputação por tocar guitarra elétrica através de amplificadores de baixo para criar um som pesado e grave. Muitos já não os consideravam apenas outra banda de rock/metal pelo talento de Josh na guitarra e pelo som psicadélico que faziam.
Após o EP Sons of Kyuss, Chris Cockrell deixa a banda e Nick Oliveri é chamado para tocar baixo. A banda encurta o nome para Kyuss e lança em 1991 o álbum Wretch, mas ficam descontentes com a gravação e distribuição do álbum. Num dos seus concertos, que era o grande forte do Kyuss, conheceram Chris Goss da então banda Masters of Reality que é convidado a produzir o álbum seguinte da banda.
Lançado em 1992, Blues for the Red Sun foi aclamado pelo público e pela crítica, a banda ganha um novo folêgo e assina com uma editora major, a Elektra Records, as músicas passam na rádio, começam a fazer tourneés com bandas como Metallica, Soundgarden e Tool. Mas com esse inesperado estouro, começaram alguns desentendimentos: Nick Olivieri sai da banda e em seu lugar, entra Scott Reeder (ex-The Obsessed).  Com essa nova formação gravam o clássico Welcome to Sky Valley‎ lançado em 1994 e produzido por Goss também. O álbum foi um sucesso de críticas e público e iniciam-se mais tourneés. No fim da tour, para a supresa de todos, Brant Bjork sai da banda e em seu lugar entra o músico de jazz Alfredo Hernandez.
Em 1995 sai o último álbum de estúdio da banda o experimental …And the Circus Leaves Town. A banda anuncia seu fim. Josh tinha 22 anos. Garcia tinha 25 anos.
Depois disso os músicos seguiram carreiras iferentes das quais se destaca a carreira dos Queens of the Stone Age de Josh Homme, na qual também particippu Nick Oliveri.
15 anos depois, o cantor John Garcia inicia uma périplo de concertos com o projeto Garcia Plays Kyuss. No mesmo ano, o músico convidou Nick Oliveri e Brant Bjork, ex-companheiros de banda, para subir ao palco no festival francês Hellfest. A recepção foi tão forte, que a banda resolver fazer uma tourneé pela Europa com o nome Kyuss Lives!.

28 de abril de 2010

Os melhores álbuns de sempre: MÃO MORTA - "MUTANTES S.21"

Depois da sua estreia em 1988 com o inovador álbum homónimo, os Mão Morta criaram um estilo único no Mundo, que aliou guitarras estridentes, climas obscuros e um poeta - o inenarrável Adolfo Luxúria Canibal - que declamava ou berrava palavras de opressão urbana ou de histórias macabras. Nos álbuns subsequentes, o maior lirismo, por um lado, bem como a aproximação ao rock mais pesado e a uma melhoria técnica, por outro, prepararam o caminho para a obra prima da banda.

«Mutantes S.21» é um roteiro turístico por histórias do lado escondido de 9 cidades. Logo a começar, "Lisboa" é, ainda hoje, um dos hinos do grupo. Um delírio heavy decorado a estupefaciantes. Ficou para a história a frase «...táxi! Casal Ventoso, se faz favor». "Amesterdão" é o tema que simboliza a fase adulta em que a banda entra com este álbum, muito bem composta, com o Adolfo a recitar um passeio atribulado pela cidade. "Budapeste" é talvez o tema mais conhecido mas que o grupo, precisamente por isso, mais tem renegado, evitando tocá-lo ao vivo numa espécie de declaração de independência (em relação à indústria da música).

O álbum inclui ainda outros temas como "Barcelona", também muito pedida nas suas actuações, a levemente árabe "Marraquexe", entre outras. A genialidade volta a vir ao de cima em "Istambul", onde o exotismo e o calor da cidade se sente em cada nota do tema, e no instrumental "Shambalah", uma magnífica peça electrónica que já chegou a servir de introdução aos seus concertos.

Para além deste disco, os Mão Morta já fizeram muito boas coisas, mais acessíveis ou mais alternativas, mas este álbum marcou sem dúvida a entrada definitiva da banda na galeria dos clássicos da música portuguesa.

10 de abril de 2010

Perdidos no tempo: MY SISTER'S MACHINE

Os My Sister's Machine são um grupo de Seattle que teve uma existência fugaz em plena euforia grunge no início dos anos 90. No entanto foram os autores de um dos álbuns de culto daquele movimento: "Diva", de 1992. Com este disco, os My Sister's Machine estrearam-se com um som grandioso: sucessivas camadas de guitarra em riffs constantes e solos de wha-wha, ritmos endiabrados e uma voz poderosíssima. O álbum foi produzido pelo nosso bem conhecido Ronnie Champagne - que produziu no nosso País trabalhos de Xutos & Pontapés e de Blind Zero, para além de ter sido músico de apoio dos primeiros numa determinada fase da sua carreira (lembram-se do concerto dos 20 anos?).
Um tipo de som com que qualquer ouvinte identifica de imediato os My Sister'sMachine é o dos Alice Im Chains. No entanto, a banda tem ainda bastantes influências do melhor hard-rock que se fazia na altura (Stone Temple Pilots, early Guns N' Roses..) assim como semelhanças com grupos que depontaram posteriormente (Godsmack, Kyuss..).
O pouco sucesso do seu segundo álbum,"Wallflowers", precipitou o final da banda que, assim, não logrou alcançar um nível razoável de sucesso. No entanto, foi o suficiente para nos terem deixado o muito recomendado álbum já citado e grandes temas como "Love at High Speed", "Diva", "Wasting Time" e "I'm Sorry", entre outros.
Recentemente, a banda regressou apenas para alguns concertos.

20 de março de 2010

THE YOUNG GODS - A história

A seminal banda Young Gods foi formada em 1985 por Franz Treichler, Cesare Pizzi e Frank Bagnoud na cidade de Genebra, Suíça. O trio é um dos precursores na utilização do sampler como instrumento musical e tornou-se uma das bandas de rock industrial mais influentes da época. Devido às diversas mudanças de line-up, a sonoridade do grupo foi se modificando ao longo dos anos, passando de um som mais industrial e metalizado para estilos mais influenciados pela música electrónica e ambiental. O nome do grupo foi inspirado pelo EP The Young God da banda de noise rock Swans. Treichler, líder e único membro constante em todas as formações dos Young Gods, actua como vocalista e principal compositor. Al Comet, nos teclados/samplers, e o baterista Bernard Trontin completam o trio atual (agora quarteto com um guitarrista a tempo inteiro).

Dos seus álbuns, destacam-se L'Eu Rouge (1989), TV Sky (1992), "Only Heaven" (1995) e "Second Nature" (2000).  No entanto, todos os lançamentos da banda são sempre aguardados com grande expectativa pela comunidade de músicos e apreciadores de musica inovadora.  A sua discografia caracteriza-se também por incluir alguns trabalhos mais marginais e experimentais, como o assombroso "Heaven Deconstruction".

Embora o grupo nunca tenha alcançado grande êxito comercial, o legado dos Young Gods na música contemporânea é indíscutível. Diversos artistas consagrados já evidenciaram sua admiração e reverência ao trio suíço. De entre as várias bandas e músicos passíveis de citação, destacam-se os Chemical Brothers, , Ministry, Mike Patton (Faith No More), Tool, Nine Inch Nails, The Edge dos U2, etc.


12 de fevereiro de 2010

THIEVERY CORPORATION - A história

A banda que revolucionou a música de cariz mais electrónico no final da década passada é originária de Washington, Estados Unidos, e é composta por Rob Garza e Eric Hilton, para além dos inúmeros músicos de sessão que os acompanham em estúdio e, sobretudo, ao vivo. A sua música pode enquadrar-se dentro do estilo de música electrónica denominado downtempo, com influencias de dub, acid jazz, música indiana e brasileira (nomeadamente bossa-nova) numa fusão combinada com uma estética lounge.
O seu primeiro trabalho é o EP “A Spliff Odyssey” de 1996 a que se seguiram outros. Mas foi em 1997, com o álbum de originais “Sounds from the Thievery Hi-Fi”, que os Thievery Corporation caíram nas bocas do Mundo. Em pleno auge da explosão da música electrónica / dance que ocorreu na altura, com a conquista de popularidade global de bandas como Prodigy e Massive Attack, certas corrente mais relacionadas com o lounge e com o chill out surgiram entre certas camadas de público mais exigente/inteligente que ambicionava por algo mais calmo sem se concentrar demais na batida. O álbum dos Thievery Corporation, com a sua mistura dub rastafari com novos sons electrónicos, foi imediatamente alvo de aproveitamento pelos principias djs de clubes do género. A partir desse primeiro sucesso, rotulado como o melhor álbum do ano por muitos críticos, o dúo editou vários álbuns de remisturas suas de temas de outros músicos que faziam parte do seu imaginário (desde clássicos bossa-nova até pop alternativo). É o caso do seu “DJ Kicks” e do extraordinário “Abductions and Reconstructions”.
Ao segundo trabalho de originais, a expectativa já era grande e a edição de “The Mirror Conspiracy” (2000) foi já um sucesso mundial, com temas a serem aproveitados para bandas sonoras, genéricos televisivos e nos mais diversos locais, como desfiles de moda, estações de metro, etc. Neste álbum a influência étnica alonga-se a outras áres como a música francesa, e as músicas apresentam-se muito inspiradas e concisas, sem experimentalismos exagerados.
Em 2002 editam “The Richest Man in Babylon” (2002) similar no seu timbre ao trabalho anterior mas concentrando-se, ainda mais, no formato canção. A influência de música da América do Sul é uma das mais valias deste trabalho. Participaram nele músicos como Emiliana Torrini, Pam Bricker e Lou-Lou. O álbum teve a sequela “Babylon Rewound” com remixes dos mesmos temas. Paralelamente a isto, começa a aumentar o número das suas actuações, na qual colaboram inúmeros convidados e músicos de palco, constituindo os seus espectáculos autênticas celebrações.
Depois do fantástico “The Outernational Sound” e de outros trabalhos de remisturas de temas alheios, chega-nos o trabalho “The Cosmic Game”, mais psicadélico e ambiental, onde contam com as participações de convidados tão distintos como Perry Farrel (Jane’s Addiction) e David Byrne.
Notoriamente influenciado por alguns dos últimos acontecimentos sócio-políticos mundiais, e norte-americanos em particular, os Thievery Corporation lançaram em 2008 o álbum “Rádio Retaliation”, mais cantado e virado para os espectáculos ao vivo. Nesse ano, o grupo encheu o Coliseu de Lisboa para oferecer um magnífico espectaculo de som e imagem. A este repeito, pode-se ler um comentário neste link.
No ano passado foi a vez de uma colectânea que serve de pano de fundo a esta actuação no âmbito do Festival Alive 2011.
Para abrir o apetite, cá vai uma pequena amostra do que poderemos ver no concerto:

28 de janeiro de 2010

Os melhores álbuns de sempre: SÉTIMA LEGIÃO - "A UM DEUS DESCONHECIDO" (1984)

Agora que uma onda de revivalismo pretende colocar de novo na vanguarda da música o som popularizado pelos Joy Division, aliado ao fime "Control" dedicado à figura carismática do seu vocalista e ao documentário em cena nos cinemas, eis que vale a pena determo-nos sobre o álbum de uma banda portuguesa que, talvez, melhor reencarna o espírito daquele grupo. Falamos de "A Um Deus Desconhecido" o primeiro álbum dos Sétima Legião, para muitos um dos melhores álbuns de sempre da música portuguesa.

Este disco consegue fundir as atmosferas frias e de uma profunda tristeza e nostalgia com sons da música popular, nomeadamente a música de cariz celta do norte de Portugal. O resultado é simplesmente assombroso: aquilo que na banda "modelo" britânica é um sentimento de isolamento e claustrofobia fruto da vivência de uma grande metrópole com parca qualidade de vida, no disco dos Sétima é transformado numa angústia mas dos grandes espaços, do isolamento fisicamente real, intimamente ligado à natureza e às paisagens campestres.

A produção que dá espaço ao silêncio está lá, mas não é o silêncio do interior de uma casa ou de um cubículo, mas de um local ermo e solitário. As letras parecem ser pequenos contos de tradição lusitana o que contribui para a miscelânia característica do disco, original mas extremamente coerente. Para a história ficam temas como "Aguarela", "O Canto E O Gelo" e o espantoso "Mar de Outubro" (não confundir com o álbum com o mesmo nome). Para quem conhece a discografia do grupo, este trabalho é um caso à parte na carreira dos Sétima.

Foi neste disco que músicos como Rodrigo Leão, Ricardo Camacho (também produtor de várias bandas) e o vocalista Pedro Oliveira (aqui num registo propositadamente "Curtis") se iniciaram nas lides musicais, a comprovar que "A Um Deus Desconhecido" não foi obra do acaso mas sim o primeiro vislumbre de talentos que viriam mais tarde a confirmarem-se de várias maneiras.

3 de janeiro de 2010

OS MELHORES DE 2009 - Comenta e dá o teu voto

CDs Rock Metal
Lamb Of God - "Wrath"
Mastodon - "Crack The Skye"
Alice In Chains - "Black Gives Way To Blue"
Divine Heresy - "Bringer Of Plagues"
Baroness - "Blue Record"
Rammstein - "Liebe Ist Fur Alle Da"
Megadeth - "Endgame"
Paradise Lost - "Faith Divide Us, Death Unite Us"
Katatonia - "Night Is The New Day"
Them Crooked Vultures - "Them Crooked Vultures"

CDs Pop Rock Alternativo
The XX- "XX"
Grizzly Bear - "Veckatimest"
Franz Ferdinand - "Tonight"
Artic Monkeys - "Humbug"
Legendary Tiger Man - "Femina"
Animal Collective - "Merrieweather Post Pavillion"
Davendra Banhart – “What Will We Be”;
Editors - "In This Light And On This Evening"
David Fonseca - "Between Waves"
U2 - "No Line On The Horizon"

Concertos
FAITH NO MORE - Festival Sudoeste, Zambujeira do Mar
FESTIVAL OPTIMUS ALIVE - 1º dia
AC/DC - Estádio Alvalade, Lisboa
MEGADETH - Pav. Atlântico, Lisboa
MASSIVE ATTACK - Campo Pequeno, Lisboa
PORCUPINE TREE e STICKMEN - Incrível Almadense
RAMMSTEIN - Pav. Atlântico, Lisboa
THE CULT - Coliseu, Lisboa
DEPECHE MODE - Pav. Atlântico, Lisboa
THE PRODIGY - Pav. Atlântico, Lisboa

20 de dezembro de 2009

Os melhores álbuns de sempre: THE LAST SHADOW PUPPETS - "THE AGE OF UNDERSTATMENT" (2008)

O cantor da banda Arctic Monkeys, Alex Turner, formou, juntamente com o então cantor da banda The Rascals, Miles Kane, os The Last Shadow Puppets que lançam o álbum The Age Of The Understatement a 21 de Abril de 2008. Uma semana após o seu lançamento, o álbum já ocupava a primeira posição como o mais vendido no Reino Unido. A banda chegou a ser indicada ao Mercury Prize, o prémio que nomeia o melhor álbum britânico no ano.
O álbum é curto, com canções igualmente concisas e diretas, e não tem rasgos técnicos extraordinários. Mas o que é certo é que a mistura de rock'n'roll romântico, inspirado nos anos 50 início de 60, misturado com os admiráveis arranjos de James Ford, dos Simian Mobile Disco, cria uma atmosfera única que nos conquista de cada vez que se ouve este trabalho.
Efetivamente, a orquestralidade à John Barry assenta que nem uma luva nas composições da dupla e transporta-no para um cenário cinematográfico, um mundo de sonho e de aventuras. Ao mesmo tempo o álbum é bastante enérgico - fruto da juventude e da origem musical dos integrantes do projeto - não se deixando enredar pelo baixo ritmo do estilo musical em que se inspira.
Pelo seu som único e pelo carácter refrescante, este álbum merece figurar nesta rubrica de "Os melhores álbuns de sempre".
Apesar de oficialmente os The Last Shadom Puppets serem um projeto de um só álbum, os seus membros têm admitido recentemente fazer um novo disco. A ver vamos.

9 de dezembro de 2009

Prodigy no pavilhão Atlântico: EUFORIA ELECTRO PUNK

Os The Prodigy actuaram no nosso país no passado dia 7 de Dezembro. Uma audiência em histeria colectiva preencheu pouco mais que metade do pavilhão Atlântico, em Lisboa, mostrando que a banda já tem uma legião fiel, e louca, de fãs em Portugal.
Na primeira parte tivemos um dos projectos mais originais que surgiram no Reino Unido nos últimos anos. Os Enter Shikari oferceram ao público três quartos de hora da sua curiosa mistura de emo-core e electrónica, numa actuação que respirou energia e originalidade. Mostrando músicas do seu primeiro álbum, destacou-se principalmente o trabalho do guitarrista e a inovação das canções. Se aprofundarem a sua veia mais experimental e não derivarem para o rock mais banal, de certeza que vai se ouvir falar muito neles.
Depois tivemos um dj set de um convidado dos Prodigy que apostou no tipo de música que mandava nessa noite: o rock misturado com a dança. Depois de uma longa espera, cai o pano e os Prodigy entram no meio de fumo e focos a contra-luz. "World's On Fire" dava o mote para o que se sguiria: energia a rodos com os dois vocalistas - Maxim e Keith Flint - imparáveis e o som altamente nítido e poderoso. O cenário encontra-se repleto de luzes de várias formas e cores que mudam conforme o tema. O guitarrista e baterista que acompanham o grupo providenciam uma dose extra de energia em palco, apesar de estarem em regime semi-karaoke já que o grosso do som que sai das colunas é proporcionado pelo mago dos teclados, Liam Howlet, o grande criativo e líder do grupo.
Se o início já tinha sido esfusiante, com a segunda música provoca novo momento de euforia:"Breathe" põe toda agente ao pulos. "Omen" foi muito bem recebido e entoado por muitos dos presentes, bem como "Poison", com muitas partes diferente em relação à gravação original embora tenha sido dos temas que careceu de melhor som. As alterações ou melhorias de arranjos de temas antigos foi uma contante e tudo para melhor. Com "Warrior's Dance" o público entra de novo em ebulição com o tema a soar muito mais pesado do que em disco. Aliás as músicas do último álbum soam bem melhores ao vivo. A seguir veio a melhor parte do concerto com "Firestarter", numa versão próxima do original ao contrário de outros concertos, encadeada com "Run With The Wolves" com Keith Flint, que recuperou o seu penteado mais popular, naturalmente em destaque. "Voodoo People" surge com um intermezzo rock a acentuar o estilo mais agreste dos Prodigy actuais.
O sensaboroso tema título do último trabalho surgiu numa abordagem totalmente diferente com Maxim a intercalar vocalizações com gritos de incentivo ao público, e depois, sem paragens, inicia-se "Diesel Power" que agora beneficia de uma ladainha tipo celta a encher mais o tema. Em "Smack My Bitch Up", Maxim incentiva os presentes a agacharem-se para saltarem no momento do refrão e foi neste clima que o grupo abandona o palco por breves instantes. Não demoraram muito até voltarem com "Take Me To The Hospital", outra do último muito bem recebida, "Out Of Space" e "No Good". Para o fim executaram o saudoso "Their Law", com os seus graves a abanar as estruturas do recinto.

O concerto pecou por escasso o que se insere no espírito "curto e directo" da banda mas que sabe a pouco tendo em conta a extensa discografia da banda. Ou seja, um verdadeiro concerto raw, como o grupo gosta de dizer, em que o estatuto de música de dança ou de djeeing se encontra bastante diluído. Numa altura em que já não são "A" banda da moda, os Prodigy acabam mesmo assim por garantir um espectáculo bombástico, único e personalizado, mostrando ser os dignos representantes da música electrónica-dance no grupo das maiores bandas globais.

25 de novembro de 2009

THE MISSION: A história



Em 1986, Wayne Hussey (então apenas guitarrista) e Craig Adams (baixista) deixam a banda seminal do rock gótico, The Sisters Of Mercy, formando os The Mission. As primeiras edições da banda - como os singles "Serpent Kiss" e "Stay With Me" - atingiram de imediato o top britânico, bem como de outros países europeus, sendo rotulada como a "next big thing". Os concertos encontravam-se esgotados e não demorou para que o grupo assinasse um contrato com a Phonogram Records.

O álbum de estréia “God's Own Medicine” é editado e alcança o 14º lugar do top britânico sendo aclamado por toda a crítica. Pegando na matriz gótica de que descendem e no som característico da guitarra solo de Simon Hinkler, os The Mission adoptam um som mais acessível e ligeiro, piscando o olho ao hard rock e à pop mais vanguardista, para além de acrescentar o ritmo do punk - um pouco ao jeito do que faziam bandas como os The Cult da altura e os primeiros U2.

Os álbuns seguintes foram "The First Chapter" (espécie de colectânea de singles e ep's prévios ao primeiro álbum) e "Children", que continuaram na senda de sucesso, sendo aclamados também nos Estados Unidos e por todo o continente americano. Nos seis anos seguintes a banda lançou seis álbuns e 10 grandes sucessos incluindo verdadeiros clássicos como “Wasteland”, “Tower Of Strength”, “Severina”, “Beyond The Pale”, “Deliverance” e “Butterfly On A Wheel”. O total mundial de discos vendidos chegou a 3.000.000 de unidades. Durante este período, os The Mission aumentam a sua reputação como uma das melhores e mais excitantes bandas ao vivo no mundo com recepções calorosas, aceitação por parte da imprensa, e uma fanática audiência de seguidores um pouco por todo o Mundo. Dois dos pontos altos da carreira do grupo foram as sete noites consecutivas no lendário Astoria Theatre em Londres e as actuações no famoso Reading Festival por duas vezes. Tocaram junto com U2, The Cure e Robert Plant.

Em 1994, a banda rescindiu contrato com a Phonogram depois de inúmeras disputas jurídicas. Montaram o selo “Neverland”, com distribuição da Sony Dragnet da Alemanha. Após dois anos, mais dois discos, a banda decide fazer um descanso sabático. Em 1999, com um espírito revigorado, os The Mission reúnem-se novamente e, depois de alguns bem sucedidos concertos, empreendem uma cansativa e espetacular tour mundial (Recon 2000) incluindo memoráveis aparições nos festivais Eurorock e M'era Luna. A tour culminou com uma tour européia em Novembro/Dezembro de 2000 e com a assinatura de um novo contrato com a Playground Recordings. Pouco depois, editam “AurA”,  produzido pelo próprio Wayne Hussey, tendo o tema “Evangeline” como hit principal.

Depois de mais alguns anos de descanso, onde o vocalista e líder da banda aproveitou para efectuar várias tourneés a solo que passaram pelo nosso País, a banda anuncia em 2011 o seu regresso aos concertos.

 

23 de novembro de 2009

Massive Attack ao vivo em Lisboa: O ESPÍRITO DO TEMPO

Os Massive Attack efectuaram, no passado dia 21 de Novembro, na primeira de duas noites de actuação no Campo Pequeno em Lisboa, mais uma irrepreensível actuação no nosso País. Englobado na tour de pré-apresentação de um novo álbum a ser lançado o ano que vem, o concerto segue uma linha em termos de conceito cénico que remete já para o novo disco.
O primeiros quatro temas do alinhamento, assim como uma boa parte deste, é constituído por temas desconhecidos do público. Assim desfilaram composições que se distinguem pelo seu experimentalismo, bem como pelo seu ambiente soturno mas nem por isso menos atractivo. As novas canções, para além da dos novos sons que trazem, distinguem-se também pela maior diversidade rítmica, procurando fugir ao estereótipo trip-hop.
Com "Risingson" veio o primeiro grande aplauso da noite e a constatação que o som beneficiava de excelentes condições. Nas vocalizações, para além do núcleo duro da banda - 3D e Daddy G - tivemos Howard Andy, que volta a marcar presença em 2 novos temas, para além do clássico "Angel"; Martina Topley-Bird, que actuou a solo na 1ªa parte, canta em várias das novas canções dos Massive Attack e ainda fez uma perninha em "Teardrop", para além de ajudar nos sintetizadores; e Deborah Miller que interpreta os mais solarengos, "Safe From Harm" e "Unfinished Sympathy".
A cenografia de palco, constitída por um ecrã de leds que recortava os músicos de apoio - que incluiu dois bateristas, um teclista , baixo e guitarra - revelou-se extraordinário. Cada canção sugeria um novo motivo para as imagens, fossem apenas imagens abstractas, iluminações psicadélicas, sugestões de paisagens e as mais variadas informações escritas ...em português (thank you!). Numa das músicas, números estatísticos que comparavam o mundo desenvolvido com os países menos desenvolvidos apareciam no ecrã. Noutra, eram citações de personalidades como Che Ghevara ou Mandela; noutra, apareciam títulos de notícias (algumas sobre futebol que suscitaram aplausos ou apupos conforme o gosto),... enfim uma panóplia de informação que exigia ao público permanente concentração ao mesmo tempo que sustentava o perfil cinemático deste estilo musical.
Para os encores tivemos o apontamento curioso (mas apenas isso) que é "Splitting The Atom", do EP com o mesmo nome acabado de editar, o já referido "Unfinished Sympathy" e um surpreendente "Marrakesh", com um final intenso e hipnótico com o ecrã a passar imagens frenéticas e coloridas de simbologia oriental e não só. "Karmacoma", com novos e mais ricos arranjos, marcou a despedida finda a qual todos os participantes e músicos subiram ao palco para os agradecimentos.
Os Massive Attack aproveitam a sua música aparentemente calma e relaxante para despertar consciências e, acima de tudo, permanecer na crista da onda, não só a nível sonoro como a recriar lírica e visualmente os grandes temas e questões do mundo actual, para além de oferecer um espectáculo que respira modernidade.

10 de novembro de 2009

Rammstein ao vivo: ...E LISBOA PEGOU FOGO

Soberbo! Extraordinário! Faltam adjectivos para qualificar esta actuação dos Rammstein, apesar de algumas vozes discordantes que se calhar preferiam um alinhamento mais em regime de colectânea de sucessos. No entanto, tal como seria previsível, o novíssimo álbum do grupo acabou por servir de base a grande parte do espectáculo a que se assistiu no passado dia 8 de Novembro no Pavilhão Atlântico.
O concerto iniciou-se com o pavilhão Atlântico às escuras enquanto o ruído de obras acontevia e o palco, do qual só se perspectivava um muro negro, começou a abrir brechas, numa alusão, talvez, ao recente aniversário da queda do muro de Berlin (recorde-se que os Rammstein proveêm da ex-RDA). "Rammlied", "B*****" e "Waidmanns Heil" deram início às hostilidades com o show cénico já característico do grupo. O poderosíssimo "Keine Lust" e o tecno-metalaleiro "Weisses Fleish" foram os primeiros clássicos a desfilar. De resto, tudo o que a gente poderia querer de um concerto dos Rammstein: chamas, labaredas, explosões e inúmeras nuances cénicas e de luzes. Nem faltou um suposto intruso a ser atingido pelo lança-chamas do vocalista, correndo depois pelo palco em chamas, num truque que deve ter assustado os mais desprevenidos. Em "Wiener Blut" bonecas de plástico descem do tecto numa atmosfera macabra, em "Ich Tu Dir Weh" o vocalista sobe um pequeno elevador para dar um banho de fogo de artifício ao teclista e em "Feuer Frei" assistiu-se à já tradicional luta de "lança-chamas faciais".
Depois do fantástico tema título do último álbum, assistiu-se a um desfilar de êxitos como "Benzin", "Links 2 3 4", "Du Hast" - com raios laser e foguetes a passar por cima da plateia - e "Pussy" - com Tll Lienderman em cima de um foguete a enviar espuma para o público até uma explosão de confetis na primeira despedida do palco.
Nos encores assistimos a um fantástico "Sonne", com luzes alaranjadas a crias um fantástico ambiente, "Ich Will" entoado por todos, o velhinho "Seemann" e o assobio do épico "Engel" para as despedidas.
Em suma, um concerto grandioso que confirma os Rammstein como a banda rock-metal com melhor produção em palco do Mundo. Uma espécie de Pink Floyd do metal.
Nota negativa para grande parte do público presente, mais preocupado em filmar o concerto em vez de nele participar mostrando-se, por isso, muito estático para concertos desta natureza.
Na primeira parte tivemos os gótico-industriais, Combichrist, que surpreenderam positivamente. Esperemos ouvi-los mais vezes nos próximos tempos.

5 de novembro de 2009

Discos: RAMMSTEIN - "LIEBE IST FUR ALLE DA"

No próximo dia 8 de Novembro os Rammstein vão actuar em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. A banda acabou de lançar o seu primeiro álbum de originais em 4 anos - "Liebe ist für alle da" (O amor cura tudo - que é bem capaz de ser dos melhores, senão o melhor, álbum da sua carreira.

Os Rammstein começaram a cimentar o seu estatuto através dos seus espectáculos, literalmente incendiários, em que a vertente visual assumia um importante papel. A sua fama era mais notória na Alemanha e a sua música caracterizava-se por ser uma mistura uma espécie de crossover tecno-metal com influências de algum rock industrial - nomeadamente bandas como Ministry. Quando a fama começou a bater à porta, o grupo cerrou fileiras e resolveu apostar em temas de mais qualidade e densidade. Com o álbum "Mutter" os Rammstein deram um novo impulso à sua carreira, com temas com outra estrutura, procurando efectuar bons temas metal, no sentido lato do termo, enérgicos, acrescentando uma nova vertente melódica, patente nos refrões orlhudos e nos aranjos épicos. "Reise Reise" continuou essa evolução, apresentando temas de maior qualidade, enquanto que em "Rosenrot" se pressentiu já alguma estagnação, apesar de alguns pontos altos. Posto isto, a banda dedidiu fazer uma paragem tendo-se dedicado a outros projectos, como os Emigrate do guitarrista Richard Kruspe.

Ao fim deste tempo, pode-se dizer que a paragem foi frutuosa pois os Rammstein apresentam-nos aqui um trabalho de grande nível. Logo àbrir, "Rammlied" mostra a maior novidade a nível técnico com reflexo no som geral da banda: a bateria tem agora duplo bombo, que acompanha os power chords das guitarras na perfeição. Ou seja, a agressividade característica soa amplificada. Sinistros sons electrónicos fazem a introdução para o segundo tema, "Ich Tu Dir Weh" é na certa um novo hino nos concertos da banda. Outro dado assinalável: a voz de Till Lindemann está muito mais eclética, sendo as suas opções melódicas muito mais diversificadas do que até aqui.

"Waidmanns Heil" é apenas uma boa réplica de "Feuer Frei", mas "Haifisch" é diferente de tudo o que o grupo já fez , uma espécie de electro-ska clashiano. "B*******" é uma grande canção à Rammstein e "Frühling in Paris" é uma versão de Edit Piaf, num estilo folk semelhante a outros temas que a banda já fez. "Pussy", o single de avanço, é já um hit com o som único e personalizado do grupo em acção. Para o fim, ficamos talvez com dois dos temas mais fortes de todo o álbum: o espectacular tema título e ainda "Mehr", metal limpo e mecânico, com uma produção irrepreensível a roçar a perfeição, no fundo a mistura que é o segredo da banda.

Na tendência ascendente que tem caracterizado a sua carreira, os Rammstein dão outro passo em frente com este novo trabalho, em termos de qualidade, talento e, possivelmente, sucesso, afirmando-se cada vez mais como uma das bandas mais destacadas do planeta.

2 de novembro de 2009

António Sérgio: a voz que marcou uma era

A importância que António Sérgio teve para a rádio e para a divulgação musical foi enorme. O seu maior feito terá sido, por ventura, numa época como o pós 25 de Abril e toda a década de 80, em que as rádios eram poucas e a diversidade musical escassa, foi o primeiro (e durante muito tempo o único) a divulgar o que de melhor, mais inovador e com mais qualidade se fazia no Mundo em termos musicais.
Numa altura em que as rádios e a tv só passavam música pop comercial, numa autêntica ditadura do “gosto”, foi ele o responsável em Portugal por muitos terem conhecido bandas que hoje são consensualmente das melhores de todos os tempos. Através daquele programa histórico chamado "Som Da Frente", António Sérgio foi, provavelmente, a pessoa em Portugal que primeiro deu a conhecer a música dos U2, The Cure, The Cult, Joy Division, New Order, Bauhaus, Depeche Mode, Cocteau Twins, etc. Através do seu "Lança Chamas" foi também responsável pela introdução da palavra metal no vocabulário de muitos melómanos, numa altura em que só se ouvia o hard-rock politicamente correcto e que um homem com cabelo comprido era apontado na rua (meados de 80).
Apesar de todo o talento na investigação e divulgação musical que continuou a ter ao longo dos anos, essa importância histórica e geracional na divulgação da música é o traço mais meritório de todos na carreira de António Sérgio. Não o esqueceremos sempre que ouvirmos boa música!

10 de outubro de 2009

Discos: ALICE IN CHAINS - "BLACK GIVES WAY TO BLUE"

Os Alice In Chains regressaram aos originais, 14 anos depois do seu último trabalho de inéditos e 7 anos depois do desaparecimento do seu inigualável vocalista, Layne Staley. A importância do talentoso cantor na banda não fazia crer que ela voltasse sem a sua presença. Mas a vida dá muitas voltas e aqueles que viram os Alice In Chains em Portugal, no festival Super Rock de 2006 durante a sua tour de regresso, puderam observar que o novo vocalista recriava os clássicos da banda de forma quase perfeita. Assim, o passo seguinte seria, como é óbvio, regressar aos discos.

Assim, no final de Setembro acaba por ver a luz do dia o novo álbum que traz de volta o som característico que tanto distinguiu o grupo. A qualidade e o talento mantém-se, com as composições a serem escolhidas a dedo, sendo todas de grande nível, muito mais inspiradas, por exemplo, do que a generalidade dos álbuns a solo do guitarrista Jerry Cantrell. O novo vocalista, William Duvall, segue a preceito a cartilha do seu predecessor tanto no tipo de melodias como na sua produção, constituída por várias pistas de voz conjugadas num todo harmónico e característico. Agora em estúdio até se verifica-se a voz de Duvall não é tão igual à de Layne Staley, embora se adapte que nem uma luva ao estilo da banda, para além de contar com a colaboração estreita de Jerry.

"All Secrets Known" é uma espécie de valsa com dedilhado de guitarra que começa muito adequadamente com o verso «A new begining...», "Check My Brain" é o perfeito cartão de apresentação do disco, enquanto que "A Looking In View" é o tema mais forte à la Alice In Chains. Existem também os temas que citam o universo acústico do grupo (popularizado em trabalhos como o EP "Jar Of Flies" de 1993) como "Your Decision" e "When The Sun Rose Again". "Acid Buble" é outra grande e inspirada composição, a fazer lembrar levemente Bauhaus, enquanto que o tema título é, porventura, o tema mais comercial de todo o disco.


Este álbum não chega ao génio da obra prima dos Alice In Chains, "Dirt" (de 1992): por um lado porque ao tempo em que aquele álbum surgiu este som era mais inovador e, por outro lado, porque a maior parte das obras primas não surgem de forma propositada. Em todo o caso, é um regresso bombástico, com um som único e canções plenas, a milhas de diatância dos inúmeros imitadores da banda, alguns deles com basto sucesso.

26 de setembro de 2009

The Cult ao vivo: O ROCK DEVIA SER SEMPRE ASSIM

Os The Cult actuaram no passado dia 25 de Setembro no Coliseu de Lisboa, numa tourneé detinada a celebrar o clássico álbum "Love". E o mínimo que se pode dizer é que foi um concerto com C grande. Desde a introdução até ao final, o espectáculo foi vibrante quer da parte da banda quer do público.O início fez-se de uma introdução que junto com as imagens de fundo aludiu à imagética índia, desde sempre muito associada à banda. Com a entrada de rompante com "Nirvana", os Cult deram início à execução na íntegra daquele mítico álbum (excepto os temas bónus de certas edições). O espectáculo visual é assombroso e o público delira. "Big Neon" e o tema título mostram-se poderosos, com solos cortantes, enquanto que "Brother Wolf and Sister Moon" soou mágico na sua espiritualidade mística. Mas foi com "Rain" e "She Sells Sanctuary" que houve as grandes explosões da parte do público que enchia o Coliseu, entoando os riffs e ajudando o vocalista Ian Astbury nos refrões.
O guitarrista e compositor Billy Duffy (com as suas poses imagem de marca) e a restante banda mostram-se ireepreensíveis na execução técnica, as projecções vídeo no fundo do palco são excelentemente bem escolhidas e Ian Astbury continúa um mestre de cerimónias, apesar dos seus devaneios vocais ao vivo, incentivando o público e atirando panderentas para a plateia.
Depois de uma saída de palco, os Cult regressam para um encore potentoso num rodopio de sucessos - como "Wild Flower", "Sun King" e "Fire Woman", entre outras - recebidos esfusiantemente, para além da passagem pelos singles dos últimos álbuns: "Rise" (de "Beyond Good And Evil") e "Little Rock Star" (de "Born Into This"). Para o final ficou guardado o hino "Love Removal Machine" com o seu final em hardcore para a despedida.
A reacção dos fãs merecia por ventura um regresso mas as luzes do recinto acenderam-se em sinal de adeus definitivo. O público ainda estava ainda embasbacado com o fulgor da actuação. A execução do álbum em destaque neste espectáculo, "Love", soou maravilhosa, beneficiando da excelente qualidade das músicas, do seu alinhamento, da boa produção visual e do som mais sofisticado que agora ganham. O encore realizou-se num ambiente de clímax constante com êxitos em catadupa e, por isso mesmo, talvez tenha carecido de um tema calmo para ficar mais bem composto.
Em todo o caso, uma actuação quase perfeita a mostrar como se faz um verdadeiro concerto rock com talento e técnica.
Link vídeo aqui.

10 de agosto de 2009

Faith No More no festival Sudoeste: ABENÇOADA LOCURA ÉPICA!

Não há palavras! É sempre maravilhoso quando artistas verdadeiramente arrojados e talentosos decidem voltar ao activo para nos oferecerem um concertão destes que nos deixam totalmente atordoados. Um autêntico espectáculo no sentido mais lato da palavra.
Os Faith No More regressaram a Portugal para uma actuação no festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar, no passado dia 8 de Agosto. Ao contrário do publicitado, a audiência não estava conquistada à partida. Tirando uma boa fatia de público que se concentrou à frente do palco, havia uma atitude de expectativa em grande parte dos presentes no Festival.
As desconfianças aumentaram quando a banda entra em palco de fato a rigor com o tema, muito easy-listening, "Reunited" de Peaches & Herb. Mas quem é fã de longa data já sabe o que a casa gasta, pois logo em seguida atacam "Land Of Sunshine" uma das canções que mais simbolizam o estilo aventureiro e louco da banda de San Francisco. A mutação nota-se ainda mais no vocalista Mike Patton. De crooner romântico passa para esgares metaleiros em questão de segundos.

O teclista Rody Button solta um «como 'fuckin' vais» e Mike Patton canta uma versão integralmente em português de "Evidence". Fantástico, apesar da pronúncia.
Os hits "Last Cup Of Sorrow", "Ashes To Ashes" e "Midlife Crises" foram muito bem recebidos, com o vocalista a deixar o público cantar o refrão nesta última sem nenhum instrumento a acompanhar. Com as calmas "Easy" e "I Starded a Joke" a audiência entrou em delírio, acompanhando as coreografias de Patton.
A atitude o vocalista é sempre jocosa e provocante, como quando se meteu com um espectador que envergava uma máscara de cirugião. De resto a referência a Portugal e as provocações bem humoradas ao público foram uma constante. Espectacular é a energia em palco de Patton em conjugação com o admirável nível vocal, por vezes melhor ainda do que nos discos, para além de todos os pequenos pormenores, ruídos etc. e da presença e sentido de comunicação que são contagiantes. Apesar da importância do cantor, os músicos são também de uma qualidade excepcional, nomeadamente Billy Gould, com os seus riffs de baixo e passagens, que juntamente ao rigoroso Mike Bordin na bateria asseguram a base rítimica e boa parte da criatividade deste grupo. O teclista, por seu lado, mantém a sua importância na música da banda, para além dos backing vocals e de substituir às vezes Patton como comunicador oficial do grupo. O guitarrista John Hudson mantém a postura discreta, mas nem por isso deixa os seus créditos por mãos alheias no que respeita à impecável execução dos temas.
Na parte final da canção "King For A Day", o grupo deriva para um improviso, com Patton a manipular a caixa de efeitos de voz e a sonoridade geral a aproximar-se de um ambientalismo psicadélico que nunca tínhamos ouvido antes, o que pode significar um prenúncio de novas abordagens num eventual regresso do grupo aos originais.
O final da actuação principal foi já em êxtase, com a totalidade do público rendido e conquistado,desfilando "Be Agressive", o fantástico "Epic" e "Just A Man" com Patton a envergar um chapeu de palha atirado por um espectador e a descer até junto da plateia incentivando os presentes a cantar.

Para o encore ticvemos um inenarrável "Charriots Of Fire" de Vangelis, com Patton a simular um atleta em câmara lenta, um espectacular de "Stripsearch", com os teclados bem salientes ao contrário de outros temas em que pareceram um pouco baixos, e "Ugly In The Morning", um tema que exmplifica bem o "som Faith No More": sessão rítmica deambulante (impossível ficar quieto), mudanças de ritmo rápidas, e a voz a alternar a melodia com palavras de ordem berradas. «Do you want some 'mais'?» atirava o frotman. Depois do instrumental "Midnight Cowboy", com Patton a acertar umas ao lado na gaita («aouch!»), o vocalista anuncia que tem que redimir-se e executam "We Care A Lot" com a garra toda e a audiência a correponder entoando o tema quase todo. O público, à semalhança das outras saídas de palco, ainda gritou e cantou mas a banda depediu-se ao som de «olé, olés».
O futuro dos Faith No More ainda é uma incógnita mas, para já, o regresso foi mais que justificado, efectuando uma actuação de encher o olho que deve ter deixado as gerações mais novas de boca aberta tal a energia e criatividade transmitidas. O que mais impressiona neste grupo é o seu conceito que se pode classificar de "música total": beneficiando da versatilidade dos seu vocalista e dos talento dos seus músicos, os Faith No More são daqueles raros artistas que apostam em preencher a paleta inteira de gostos de um ouvinte médio. Do funk e do metal ao easy-listening e ao rock sinfónico, os Faith No More abarcam todos estes estilos, tudo com muita coesão e um elevado sentido pop que acaba por ser o que atrai as multidoões.

25 de julho de 2009

Perdidos no tempo: MORITURI

Criadores de uma música de excepcional qualidade, os Morituri foram uma banda que existiu na segunda metade da década de 80, tendo feito algum furor no underground lisboeta. Praticavam uma música extremamente avançada para a altura, tendo sido dos primeiros (do Mundo se calhar) a cruzar estilos tão díspares à época como o gótico, o metal, o punk e o rock sinfónico. Anteciparam até movimentos e correntes que viriam a surgir anos depois, como as bandas de metal operático ou black sinfónico (proporções à parte, claro).
A sua carreira foi curta e, lamentavelmente, não deixou nenhum registo discográfico editado comercialmente. Assim, cancões de grande talento como "Tédio", "Luzes Vermelhas", "Viver A Sua Vida ", "Crime no Paraíso", entre outras, ficaram, por isso, esquecidas no tempo.
Dos grupos que fizeram parte do boom criativo da segunda metade da década de 80 e que nunca chegaram a editar nenhum disco, e não foram poucos, os Morituri serão, por ventura, o caso mais emblemático dessa injustiça.
Para conhecer a banda, consulte-se o seu My Space: http://www.myspace.com/morituri1986

12 de julho de 2009

Festival Alive: 5 ESTRELAS E 1 SOL

O dia dedicado ao metal do Festival Alive foi, como se esperava, magnífica, com música de grande qualidade, som e e espectáculo visual a nível elevado e o público a condizer nas suas manifestações, até porque se tratava da sempre expressiva tribo metaleira.
A abrir as hostilidades, no palco principal, estiveram os portugueses Ramp, que regressaram aos grandes concertos depois de um largo período de reduzida ou quase nula actividade. A banda fez questão de lembrar isso mesmo ao dar as boas vindas "novamente" aos Metallica, eles que já tinham feito a 1ª parte dos norte-americanos há precisamente 10 anos (um dos pontos altos da sua já longa carreira para além de outros como, por exemplo, a presença no Ozzfest). A banda, em jeito de festejo, realizou uma actuação onde executaram os seus temas mais conhecidos com toda a sua energia e com grande receptividade por parte do público. Ficamos à espera de mais concertos, se possível, na preferência deste escriba, com maior destaque para o clássico "Intersection".
A seguir veio um dos concertos mais esperados do dia. Os Mastodon realizaram uma actuação que percorreu o seu longo leque estilístico, indo do mais rápido ao mais calmo, do mais enérgico ao mais psicadélico, tudo sob um manto de grande criatividade e inspiração. Se temas como "The Wolf Is Loose" e "Blood And Thunder" instalaram o caos na plateia, os temas do último álbum convidaram mais à observação e audição. Para daqui a alguns meses está previso o merecido concerto em nome próprio com direito a cenografia e projecções vídeo.
Muito mosh e muita e locura aconteceram durante o concerto de Lamb Of God. A intensidade e o peso da música fizeram desta a actuação mais pesada do dia. O grupo aproveitou o facto do tempo de actuação ser curto para brindarem os presentes com as melhores canções do seu catálogo desde o fantático "In Your Words", do último álbum, até ao velhinho "Now You've got Something To Die For". O peso e os ritmos extremamente balanceados não dã hipótese de deixar algum corpo quieto. Fantástico também é observar como a influência de uns Pantera perdura nas novas bandas passados todos estes anos.
Os Machine Head já são uma banda consagrada, conforme se viu pela recepção calorosa de grande parte do público. Um ano depois da actuação no Rock In Rio, o grupo apresentou um alinhamento que inclui muitos dos grandes temas da sua carreira - como "Struck A Nerve" ou "Bulldozer", para além da recuperação de "Beautiful Morning", que consta do jogo "Guitar Heroe - Metallica". Este facto fez com que todo o tempo do espectáculo tenha decorrido em apoteose constante, com hits atrás de hits, refrões entoados e mosh do palco até à mesa de som. Nem a presença em palco da mãe «100% portuguese» de Phil Demmel faltou. E Robb Flyn continúa um verdadeiro mestre de cerimónias.

Os Slipknot não deixaram os créditos por mãos alheias e efectuaram também um grande concerto. Começando com os clássicos "(Sic)" e "Eyeless", o grupo apostou numa mistura dos seus temas mais conhecidos, como "People =Shit" e "Psychosocial", com outros mais técnicos, como "Sulfur" ou "Disasterpiece". O público mais chegado ao palco notou-se ser mais jovem do que quele mais adepto de outras bandas, entoando em coro temas como "Duality" e "Wait And Bleed". "Surfacing" e "Spit It Out", com Corey Tyler a mandar o público agachar-se, foram os temas para acabar em beleza (??).
Os Metallica, como banda mais esperada, foram recebidos em delírio e corresponderam com um concerto impecavelmente bem executado. Ao contrário do que se estava à espera, algumas canções do último álbum ficaram de fora e as maiores novidades acabaram por ser "Broken, Beated & Scared", "Cyanid", "All Nightmare's Long" e "The Day That Never Comes", para além da recuperação do esquecido "Holier Than Thou". De resto, o grupo aposta em agradar aos convertidos que agradecem o conservadorismo dos seus ídolos e entram em êxtase com clássicos como "Blackened", "For Whom The Bell Tolls", "Fade To Black", "One", "Master Of Puppets" e "Fight Fire With Fire". O final com "Enter Sandman" foi apoteótico, com fogos de artifício, tal como o final do encore com "Seek And Destroy", com a maior parte dos presentes a entoarem o refrão.
Depois deste dia, e perante a reacção do público em relação às bandas, pode-se concluir que há espaço para um festival na área do rock/metal com grandes nomes (o Ermal aposta mais na quantidade do que na dimensão comercial das bandas). Vamos ver quem se arrisca a fazê-lo.... sem trazer cá os Metallica.

Para ler a crítica aos outros dias, consultar:
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&m=5&fokey=bz.stories/48591
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&m=5&fokey=bz.stories/48633

20 de junho de 2009

Perdidos no tempo: XMAL DEUTSCHLAND

Os XMAL DEUTSCHLAND são uma banda alemã de rock gótico, formada em Hamburgo, em 1980, por Anja Huwe (vocais), Manuela Rickers (guitarra), Rita Simon (baixo), Fiona Sangster (teclado) e Caro May (bateria).O primeiro single da banda, Großstadtindianer é lançado em 1981. Neste ano, Rita Simon é substituída Wolfgang Ellerbrock. O primeiro sucesso, Incubus Sucubus, data de 1982, e é um dos grandes marcos do estilo gótico. Caro May é substituída por Manuela Zwingmann. No mesmo ano, o grupo faz a primeira parte de concertos dos Cocteau Twins, em Inglaterra, e a editora destes, a 4AD, contrata-os. Um ano depois, em 1983, os XMAL DEUTSCHLAND lançam o seu primeiro álbum, Fetisch. O álbum é bem aceite no Reino Unido, atingindo o terceiro lugar na tabela independente. Manuela Zwingmann sai da banda e é substituída por Peter Bellendir.

Com "Tocsin", de 1985, afirmam-se como um dos expoentes da corrente gótica / pós-punk embora facilmente identificáveis pela voz de Anja, mas também por belas canções em que a preponderância da violabaixo se misturava com os teclados e a guitarra, que alternava distorção com som limpo reverbado.
A carreira dos XMAL DEUTSCHLAND atinge o seu auge com o álbum Viva, em 1987. Dois anos depois, o álbum "Devils", em inglês e com um som mais comercial, representou uma mudança que não foi bem recebida pelos seus seguidores acabando por ditar o fim da banda.

5 de junho de 2009

Concerto - AC/DC: IGUAIS A SI PRÒPRIOS

E como se esperava, o concerto dos AC/DC no passado dia 3 de Junho no Estádio de Alvalade foi de arrasar. Uma grande produção cénica e sonora para aquela que é uma das maiores bandas de todos os tempos. No cenário despontava uma locomotiva, ladeada por 4 ecrãs enormes que alternavam imagens dos músicos com outras alusivas às canções. Neste aspecto, a maior curiosidade ainda foram os inocentes chifres de mafarrico luminosos que, durante o concerto, criavam um efeito magnífico com as luzinhas vermelhas a piscar por todo o estádio.
Iniciando o concerto com "Rock 'N Roll Train", os AC/DC apostaram nos temas cássicos da sua carreira, nomeadamante uma boa mão cheia de temas da fase Bon Scott que já não eram executados há muitos bons anos como: "Hell Ain't No Bad Place To Be", "Shot Down In Flames" e "Dog Eat Dog". O resto, foram algumas canções do seu último trabalho misturadas com os clássicos de sempre: "Back In Black", "Thunderstruck", "You Shook Me All Night Long", etc. Pelo meio houve os inevitáveis números habituais como o strip de Angus em "The Jack", a boneca insuflável no imparável "Whole Lotta Rosie" e o sino de "Hells Bells". A cavalgada de "Let There Be Rock" serviu como pano de fundo para o solo do mítico do guitarrista que culminou numa explosão de confettis que se espalharam por todo o recinto. Para o encore ficaram "Highway To Hell" e "For Those About Rock", com os canhões a ressoarem em jeito de cerimónia.
Surpreendente mesmo, no meio disto tudo, é a disposição física destes sexagenários que aceitaram regressar ao activo apesar de tudo o que isso implica: extrema energia destilada, tanto ao nível da execução musical como da postura dos músicos em palco. Tal como a sua música, os AC/DC continuam iguais a si próprios, E os fãs, pelos vistos, não quereriam que fosse de outra maneira.

10 de maio de 2009

Perdidos no tempo: KING CRIMSON por Alexandre Quintela

Na Primavera de 1969 os King Crimson começaram a ganhar alguma fama e notoriedade underground devido às suas actuações explosivas. Proveniente de Inglaterra e composto por Robert Fripp (guitarra), Greg Lake (voz, baixo), Ian McDonald (saxofone, flauta, mellotron), Michael Giles (bateria), e Peter Sinfield (letrista), a banda evidenciava uma espantosa qualidade técnica e uma incrível maturidade musical.
Quando lançaram In The Court of The Crimson King, debut album, receberam rasgados elogios de críticos e público em geral, mas mais surpreendentemente da comunidade musical. Pete Townshend dos The Who foi dos músicos que classificaram o disco como sendo uma obra-prima. O som assentava numa união da energia e improvisação do jazz com riffs extremados e proto-metal, aliado a um imaginário literário muito bem delineado por Pete Sinfield. Pessoalmente e atendendo à genialidade e rigor técnico, é daquelas bandas que me ultrapassam, sendo sem dúvida uma banda do meu top five além de grande fonte inspiradora.
Muito bom e percursor de sonoridades actuais..e datado de 1969.