Os Testament foram a primeira banda a subir ao palco, e de forma extremamente pontual tendo apanhado uma boa parte do público ainda fora do pavilhão. "Over The Wall" deu início às actividades e serviu para constatar que, infelizmente, o som estava longe de ser o ideal. O público, apesar de tudo, comprendeu o revés que não tinha a ver com directamente com o grupo e aderiu aplaudindo e cantando entusiasticamente os maiores êxitos da banda: "The New Order", "Souls Of Black", "Electric Crown", "Practice What You Preach", "More Than Meets The Eye", entre outros. Os músicos revelaram-se inexcedíveis, com destaque para os guitarristas Alex Scolnick e Eric Peterson e esse potento da bateria que dá pelo nome de Paul Bostaph. O concerto acabou com o poderoso tema título do último álbum - "The Formation of Damnation" que deixou a plateia em delírio. Ainda assim, uma actuação muitos furos abaixo da anterior que este grupo tinha dado em solo português (Cine-teatro de Corroios em 2006) pelo motivo atrás referido e também pelo curtíssimo tempo de actuação.
Com os Megadeth, a história foi outra. Ao som da intro de "Sleepwalker" Dave Mustaine e seus rapazes entram a matar para um concerto verdadeiramente arrasador. O som que saía das colunas estava claramente mais definido que o grupo anterior e os Megadeth aproveitaram para mostrarem que ainda são um dos melhores do mundo neste estilo. Logo ao segundo tema "Wake Up Dead" verificamos que as mudanças de elementos do grupo serviu para que este esteja, porventura, na sua melhor forma de sempre. O ritmo a que foram debitados os temas foi imparável, praticamente sem interrupções e recorrendo a passagens entre uma música e outra. O quarto tema, depois de um trio de temas totalmente desvairados, foi o mais calmo "A Tout Le Monde", executado com tal intensidade que não se notou nenhuma quebra na energia debitada do palco. Temas mais curtos como "Sweating Bullets" ou o inevitável "Symphony Of Destruction" serviram para preparar a audiência para o massacre final (no melhor sentido): "Hangar 18", "Peace Sells" e "Holy Wars", interpretadas na perfeição. Assombroso!




Sem nehuma banda suporte, o concerto começa à hora marcada em escuridão total e ao som do tema "Zikir", do último trabalho dos Bauhaus antes da sua segunda extinção. De seguida, faz-se luz ao toque da bateria de "The Line Between The Devil's Teeth". Podemos ver que Murphy continúa na sua melhor forma, com os habituais gestos miméticos que, em sintonía com a música, contagiam a audiência. "Burning From The Inside", um dos clássicos da sua antiga banda, leva-nos aos ambientes góticos de início dos anos 80. Depois de elogíos à belíssima sala do Coliseu "que os seus músicos americanos ficaram a aconhecer", Murphy interpreta uma belíssima versão de "Hurt" dos Nine Inch Nails. Pelo meio, "Glidding Like A Whale", "I'll Fall With Your Knife" "The Sweetest Drop" e "Deep Ocean Vast Sea" já tinham feito as delícias de quem aprecia a vertente mais acessível da carreira a solo do cantor. "Marlene Dietricht's Favourite Poem" revelou-se absolutamente inebriante na sua execução enquanto "Black Stone Heart" constituiu uma passagem pelo já referido álbum de Bauhaus editado no início deste ano. Com o público entusiasmado e o cantor em boa forma, só a acústica da sala destoava. "All We Ever Wanted", um dos pontos altos dos concertos dos Bauhaus na sua segunda vida, foi igualmente muito bem recebida aqui. Para além das canções em que só emprestava a voz, Murphy deambulava por vários instrumentos como a viola, sintetizador e até gaita, como em "She's In Parties" com a qual abandonou o palco pela primeira vez.
Depois do início com o instrumental "Mandala" - do último álbum “Rádio Retaliation” - os Thievery Corporation atacaram “Lebanese Blonde”, com a voz de Gunjab, gerando os primeiros fortes aplausos da plateia, mas foi com a entrada dos dois dub rappers Rootz e Sleepy Wonder que se agitaram decisivamente as hostes para nunca mais pararem. A cargo deles ficaram temas como “38.45 (A Thievery Number)”, “Vampites” (dedicado aos políticos que nos enganaram), entre outros. Pelo meio já tínhamos tido a iraniana Loulou a cantar “Shadows Of Ourselves”. A sensual Karina cantou “Hare Krsna”, em substituição de Seu Jorge, e “Exílio”, onde incentivou o público a trautear o refrão «la-la-la-laaa…». Emiliana Torrini esteve muito bem em "Heaven's Gonna Burn Your Eyes". Estas duas cantaram “El Pueblo Unido” com direito a tradução em português.
Após lançarem dois EPs, a banda edita agora “Black Diamond”. O som é uma mistura luxuriante de estilos tendo por base o Kuduro mas acrescentando diversos ritmos e sons ligados ao Hip Hop, ao Drum n’ Bass e a outras vertentes da música eletrónica. 

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"Invicta". Inesperadamente, quando o concerto se encaminhava para o seu pico, o guitarrista anunciou que só dispunham de 5 minutos de concerto e arranca com uma inesperada e magnífica versão do clássico "Shoudl I Stay Or Should I Go" dos Clash. Faltaram muitas, mas já foi alguma coisa. Para a história, aqui fica o alinhamento: Ball Of Confusion, No Big Deal, It Could Be Sunshine, Dog Of A Day Gone By, Haunted When The Minutes Drag, No New Tale To Tell, An American Dream, Should I Stay Or Should I Go.
No segundo dia, o destaque foi todo para os Jamiroquai. Logo no início do concerto via-se que muitos foram ao festival especialmente por esta banda. O arranque foi com o mexido "Kids" do 1º álbum, em que se notou, desde logo, o excelente som de palco dando uma dimensão mais potente às músicas. Seguiram-se "High Times", com imagens da carreira da banda nos ecrãs, e "Seven Days In June", entoado em uníssono. Em "Space Cowboy" os slaps do baixista quase que rebentavam com as colunas numa das partes mais dançantes do concerto. A voz de Jay Kay estava mostra-se em bom nível e, apesar da pouca comunicação com o público (se exceptuarmos um "ora viva!"), a qualidade do alinhamento e a presença corporal do vocalista mantiveram a química com audiência em alta. O facto de alguns temas estarem bastante diferentes da sua gravação em disco, havendo muito espaço para o improviso, foi um atractivo extra do concerto permitindo observar os excelentes músicos (e coro) de que a banda dispõe. Exemplo disso foi a versão de "Traveling Without Moving". A parte final em crescendo com "Runaway", "Cosmic Girl" e "Love Foolosophy"(numa versão muito diferente) arrasou a audiência ficando o inevitável "Deeper Underground" para o encore. No final, ficou a impressão que só falta um regresso com um grande sucesso (o último de originais já é de 2005) para os Jamiroquai passarem a fazer parte da primeira divisão das grandes estrelas mundiais da música (daquelas que enchem estádios), se é que já não são.





