11 de julho de 2008

RAGE AGAINST THE MACHINE NO FESTIVAL "ALIVE!" - Review

O festival Optimus Alive! teve no seu primeiro dia a presença de uma das bandas que, pode-se dizer, já deixou a sua marca na história da música moderna: os Rage Against The Machine. Perante uma audiência de várias dezenas de milhar de pessoas, que esgotaram todas as bancas de comes e bebes, a tourneé de regresso do grupo passou, felizmente, pelo nosso País.

Ao som sirenes, Zack la Rocha, Tom Morello e companhia entram a todo ogás com "Testify" e instala-se a desordem na plateia. o reboliço continua nos temas subsequentes, "Bulls On Parade", "People Of The Sun", "Bombtrack" e "Know Your Enemy". A parte tema de "Bullet In The Head" é um leve momento de acalmia para depois entrar de novo na parte final quase em hardcore. O concerto prossegue em regime de quase colectânea de sucessos, tal é a quantidade de temas conhecidos do grupo e entoados pela multidão, mesmo sendo em registo rap. É assombroso observar in loco a forma como Morello executa os seus devaneios experimentalistas na guitarra. O vocalista, por seu lado, continua a destilar raiva e contestação, em postura provocante, introduzindo discursos novos em vários temas, enquanto que a sessão rítmica mantém a cadência sem falhas.

"Sleep now In The Fire" é apresentado numa nova versão, mais longa com pormenores novos na guitarra. Na parte final do tema, Zack muda a letra para «don't sleep now in the fire". Pouco depois, o apoiante do movimento zapatista e adepto de Che Guevara, confessa ao público a sua admiração por José Saramago, como se sabe um intelectual conotado com a esquerda. Com "Guerrilla Radio", recebida em apoteose, os Rage abandonam o palco pela primeria vez. O encore foi preenchido com uma versão bem extensa de "Freedom" e com o inevitável "Killing In The Name Of" que pôs aos saltos toda a gente no recinto.

Depois de uma aventura pelos domínios do mainstream noutros projectos, nomeadamente os Audioslave, estes músicos voltaram ao que sabem fazer melhor, que é o som provocador e arrojado dos Rage Agaist The Machine, que influenciou inúmeras bandas da última década e meia sem conseguirem ser, de facto, superados. Resta saber se há vida para além desta tourneé de reunião, tendo em conta que a fórmula específica da música deste grupo só se mantém interessante se "refrescada" regularmente.
Uma palavra ainda para o excelente concerto que os The Hives efectuaram momentos antes do quarteto de L.A., entre outros intérpretes presentes no Festival.

10 de julho de 2008

Iron Maiden ao vivo no Super Rock 2008 - Review 9 de Julho

O dia 9 do festival Super Rock, que decorreu no Parque Tejo em Lisboa, era dedicado às sonoridades metal, mas, na prática acabou quase por ser o dia de uma só banda: os Iron Maiden. A promessa era grande, executar, quase na íntegra, o clássico "Live After Death", recentemente reeditado em DVD. Para muitos era algo como um sonho tornar-se realidade.
As luzes apagam-se, imagens antigas de batalhas passam nos ecrans, o histórico discurso de Churchill no auge da 2ª Guerra Mundial irrompe pelas colunas e a audiência entra em histeria. «...We should fight in the hills, we should never surrender!» e uma explosão pirotécnica dá início a "Aces High".



Guitarristas em fúria, Steve Harris a apontar o seu baixo à multidão e Bruce Dickinson imparável na forma como se movimenta. A seguir «2 Minutes To Midnight" e "Revelation", o som está poderoso e o cenário está todo decorado com motivos do egipto antigo. No entanto,o cenário muda ao 4º tema para a capa de "The Trooper", o público aplaude aind anão tinha começado o tema. O vocalista, a rigor como um soldado inglês do século XVIII. "Wasted Years", claro, não podia faltar com o vocalista a lembrar que passam 23 anos desde o álbum/vídeo que se celebrava. Em "Number Of The Beast", chamas irrompem pelo palco ao ritmo do refrão enquanto uma estátua a fazer lembrar um deus mitológico aparece no cenário. Em "Rime Of The Ancient Mariner", o cenário transforma-se numa coberta de um navio com Dickinson vestido como se fosse um náufrago tendo a parte instrumental do tema sido dos momentos mais "cinemáticos" do concerto.
Com "Powerslave" voltam os cenários "egípcios" e o vocalista a cantar de mascarilha. Esta canção foi um exemplo da perfeição do som que os maiden gozam hoje em dia fruto, por um lado, da tecnologia e, por outro, do facto de terem 3 (!) guitarristas. "Heaven Can Wait", com um grupo de fãs a ser levado até ao palco para cantar, "Fear Of The Dark", devidamente entoado por todos, "Run To The Hills" e "Iron Maiden" (com uma múmia gigante a assomar-se à parte detrás do palco) foi o final perfeito para a primeira saída de palco.
No encore, tivemos a surpresa de 2 temas do álbum "Seventh Son...": Moonchild" e "The Clairvoyant", este com um Eddie similar ao da capa de "Somewhere In Time" a passear entre os músicos. No final, para confirmar que estes músicos estão em forma apesar dos anitos em cima, "Hallowed Be Thy Name" impecavelmente executada.
Se há concerto perfeito, pelo menos para os apreciadores desta banda, foi este.
Neste dia do Super Rock, a outra banda mais celebrada foram os Slayer com um concerto ao seu melhor estilo, excepto o facto de ter sido ainda durante o dia. Depois de uma primeira parte com temas menos rodados, mas que incluiu cássicos como "Die by The Sword", "Captor Of Sin" e "Hell Awaits", os Slayer acabaram com os seus melhores temas pondo em delírio a plateia, já por si conquistada. "Dead Skin Mask", com o habitual discurso de introudução, e um potentíssimo "Raining Blood" foram os pontos altos do concerto.
Neste dia ainda actuaram Laurean Harris, Avenged Sevenfold, Rose Tatoo e Tara Perdida.

Links:

http://www.youtube.com/watch?v=wOKkOZO9uL0&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=eC-XzejAPMc&feature=related

6 de julho de 2008

FESTIVAL SUPER BOCK SUPER ROCK NO PORTO: Review

Realizou-se, no passados dias 4 e 5 de Julho, o 1º festival Super Bock Super Rock do Porto com vários pontos de interesse.
No primeiro dia, que decorreu sob alguma chuva, o destaque vai para o primeiro concerto dos Love and Rockets no nosso País, 24 anos depois do seu surgimento. Os 3 ex-Bauhaus deram um curto mas intenso concerto, extremamente bem executado, tanto a nível instrumental como vocal. Iniciando a actuação com uma muito apropriada "Ball Of Confusion", o concerto continuou com os temas mais inspirados da carreira da banda, que regressou recentemente ao activo depois de um longo hiato. A maior parte dos temas eram cantados pelos dois vocalistas, o guitarrista Daniel Ash e o baixista David J, em perfeita conjugação, produzindo um ambiente único que conseguiu conquistar a audiência, apesar de grande parte desconhecer a banda. Um dos fãs mais indefectíveis ostentava até um cartaz a pedir uma nova actuação do grupo na "Invicta". Inesperadamente, quando o concerto se encaminhava para o seu pico, o guitarrista anunciou que só dispunham de 5 minutos de concerto e arranca com uma inesperada e magnífica versão do clássico "Shoudl I Stay Or Should I Go" dos Clash. Faltaram muitas, mas já foi alguma coisa. Para a história, aqui fica o alinhamento: Ball Of Confusion, No Big Deal, It Could Be Sunshine, Dog Of A Day Gone By, Haunted When The Minutes Drag, No New Tale To Tell, An American Dream, Should I Stay Or Should I Go.
O ponto alto deste dia foram os ZZTop que, no seu estilo inconfundível e beneficiando de um bom som de palco, efectuaram um concerto muito competente. Não dispensado o seu visual característico - longas barbas e guitarras "almofadadas" - assim como as habituais coreografias, os veteranos arrancaram jmuitos aplausos com uma actuação que visitou os seus maiores clássicos mais ou menos antigos: de "Legs", a "Gimme All your Lovin'" passndo por "Got Me Under Preassure" (a primeira) e "Sharp Dressed Man". Não faltou até um estranho diálogo com uma moça que entrou no palco apresentando-se como a professora de português dos ZZTop (??!!).
O encerramento desta noite foi para os Xutos & Pontapés que se apresentaram com o Grupo de Metais do Hot Club. Para além da nova roupagem de alguns clássicos, foram ouvidos temas como os menos habituais "Gritos Mudos ", "Fim de Semana", "Esta Cidade" entre outros.
Neste dia ainda actuaram, David Fonseca, numa actuação muito competente e bem recebida, e os Profilers.

No segundo dia, o destaque foi todo para os Jamiroquai. Logo no início do concerto via-se que muitos foram ao festival especialmente por esta banda. O arranque foi com o mexido "Kids" do 1º álbum, em que se notou, desde logo, o excelente som de palco dando uma dimensão mais potente às músicas. Seguiram-se "High Times", com imagens da carreira da banda nos ecrãs, e "Seven Days In June", entoado em uníssono. Em "Space Cowboy" os slaps do baixista quase que rebentavam com as colunas numa das partes mais dançantes do concerto. A voz de Jay Kay estava mostra-se em bom nível e, apesar da pouca comunicação com o público (se exceptuarmos um "ora viva!"), a qualidade do alinhamento e a presença corporal do vocalista mantiveram a química com audiência em alta. O facto de alguns temas estarem bastante diferentes da sua gravação em disco, havendo muito espaço para o improviso, foi um atractivo extra do concerto permitindo observar os excelentes músicos (e coro) de que a banda dispõe. Exemplo disso foi a versão de "Traveling Without Moving". A parte final em crescendo com "Runaway", "Cosmic Girl" e "Love Foolosophy"(numa versão muito diferente) arrasou a audiência ficando o inevitável "Deeper Underground" para o encore. No final, ficou a impressão que só falta um regresso com um grande sucesso (o último de originais já é de 2005) para os Jamiroquai passarem a fazer parte da primeira divisão das grandes estrelas mundiais da música (daquelas que enchem estádios), se é que já não são.
Neste dia, releve-se também a actuação dos Morcheeba, num registo calmo e psicadélico, com a nova vocalista, Manda, a estar ao nível nos temas antigos (a maior parte do alinhamento). "Moog Island", "Otherwise", "The Sea" (dedicada à protecção dos oceanos) foram alguns dos temas ouvidos com o guitarrista a mostrar todo a sua paleta de sons e efeitos, desde a cítara oriental a solos hendrixianos. Os temas mais enérgicos ficaram para o final como "Let Me See", "Be Yourself" e "Rome Wasn't Built In A Day", entremeados pelo exclente "Blindfold". Muito bom, a pedir concerto em nome próprio.
Neste dia ainda actuaram os Brand New Heavies (outro regresso), os Clã (muito aplaudidos), Paolo Nuttini (interessantes blues e sonsas baladas) e Jorge Palma (pareceu em forma...para quem gosta).
Segundo a organização, para o ano há mais. A ver vamos.

6 de junho de 2008

Rock In Rio, dia do metal: REIS E PRÍNCIPES

No dia 5 de Junho, um furacão varreu o parque da bela Vista, cortesia dos Metallica e dos Machine Head, principalmente, mas também dos nossos Moospell.



O Metallica são uma força viva da música actual. A sua actuação foi impecável, tanto na execução como na atitude, com uma energia contagiante e beneficiando do facto de ter público, desde o início, a seu favor. Com um alinhamento ligeiramente diferente de outras anteriores, apostando em mais temas dos álbuns "Load e "Reload", o clássicos, porém, não faltaram. Ouviram-se os inevitáveis "Creeping Death" (a começar), "One" (com a sua introdução "bombástica"),"Master Of Puppets", (com o solo entoado de forma impressionante pelo público) e "Enter Sandman" (com direito a fogo de artifício). As surpresas passaram também por temas não executados nos últimos concertos no nosso país, como "No Remorse" e "Damage Inc." espectaculares e a soarem melhores do que nunca. Ainda houve tempo para as brincadeiras punk "Last Caress" e "So What" e o final apoteótico com "Seek and Destroy". Pecou por não mostrarem nenhum tema novo.

Antes da actuação dos reis, actuaram os seu príncipes. Os conterrâneos da Bay Area (a zona metropolitana de San Francisco, EUA, onde nasceu o thrash metal), Machine Head, esmagaram autenticamente a multidão com um concerto soberbo a todos os níveis: grandes temas, energia, técnica, presença e uma comunicação constante com o público, graças a esse excelente mestre de cerimónias que é o vocalista/guitarrista Robb Flyn.

O início foi arrasador, com o quatro primeiros temas a serem debitados sem interrupções. "Clenching The Fists Of Dissent" e "Imperium", principalmente, soaram grandiosas, ao nível do cenário que os recebia. "Aestethics of Hate", dedicada ao metal e ao seu público, e "Old" foram também muito bem recebidas. A surpresa da noite aconteceu quando a banda resolveu excutar, em primeríssima mão, uma versão de "Hallowed Be Thy Name" dos Iron Maiden. "Take My Scars" e "Davidian", entremeadas com o excelente "Descend The Shades Of Night", foram um final extraórdinária com grande parte do muito público a manifestar-se de forma totalmente louca (como se pode comprovar no link abaixo). Um verdadeiro concerto de metal como todos deviam ser.


A primeira banda do palco principal foram os Moospell que executaram bastantes canções do seu último álbum contando, durante estas, com a colaboração de um grupo de cantoras que também efectuaram algumas coreografia. Apesar de grande parte do muito público presente manifestar-se efusivamente durante todo o concerto, foi com os grande clássicos que toda plateia foi conquistada. "Opium", "Alma Matter" e "Full Moon Madness" foram os pontos mais altos de um concerto que pecou por ter sido efectuado sob sol radiante o que, neste caso, tira um pouco de encanto à música destes portugueses.

Os Apocalyptica cumpriram a sua função de entreter as hostes que deambulavam pelo recinto entre os inúmeros locais de divertimento e os come e bebes. Nada a apontar à sua dedicação mas, entre tantos grupos do espectro hard'n'heavy que podiam estar presentes, não se compreende que a escolham um grupo que, quer queiramos quer não, tem características muito específicas.

Esperemos que na próxima edição também haja dia de metal ... com ou sem Metallica : )

Links:

http://www.youtube.com/watch?v=FDNxq8R0mko

http://www.youtube.com/watch?v=eu9fdu7k34k

Fotos: cortesia iol.com e music.aol.com

13 de maio de 2008

STONE TEMPLE PILOTS REGRESSAM!

Os Stone Temple Pilots anunciaram o seu regresso e já actuaram, no passado mês de Abril, num pequeno concerto em Los Angeles para convidados. Depois de alguns boatos e de os seus músicos terem cessado os projectos que vinham desenvolvendo, a banda norte-americana divulgou que se prepara para efectuar uma tourneé pelos EUA e, possivelmente, gravará novo disco.

Os Stone Temple Pilots formaram-se no início da década de 90 quando os irmãos Dean (guitarrista) e Robert De Leo (baixista) encontraram um louco vocalista chamado Scott Weiland. Juntamente com o baterista de sempre, Eric Kretz, gravaram o álbum "Core" (1992) que, em plena euforia grunge, é considerado um clássico do estilo. É neste trabalho que estão temas intemporais da história da música como "Plush", "Creep" ou "Sexy Type Thing". Cada canção do álbum é mesmo um single em potência.

Depois do sucesso mundial e de 2 anos recheados de touneés a banda grava o segundo trabalho, "Purple", no qual aprofundam as características mais personalizada do primeiro trabalho, demarcando-se dos rótulos que lhes haviam posto. Deste álbum - onde se notam influencias de pop-rock dos sixities - destacam-se o excelente "Interstante Love Song","Vasoline", "Big Empty", entre outras. O grupo é novamente aclamado por público e por crítica.

Datam desta altura os primeiros problemas de Scott relacionados com droga e até com a justiça. Ainda assim , o grupo consegue gravar mais um álbum fabuloso, "Tiny Music" (1996), por ventura o trabalho mais diversificado do grupo - onde até interpretam um original de "bossa nova" - não abandonando, claro, os seus traços característicos e o sentido pop de cada tema. O disco praticamente não tem concertos de promoção pois o vocalista entra em várias curas de desintoxicação, para além de ter tido uma condenação com pena suspensa.

Depois de um interregno, o quarto álbum "Nº4" mostram os Stone Temple Pilots de novo em grande forma e Scott Weiland, apesar de tudo, a cantar melhor do que nunca. Temas como "Sour Girl", "Down" ou "I've Got You", entre outros, provam o extremo talento conjugar em doses certas acessibilidade com a criatividade, não descurando nenhum pormenor na execução e na produção. E depois é a heterogeneidade que permite misturar estilos aparentemente díspares como garage, hard rock até revival pop e slows psicadélicos, tudo cabe e soa bem aqui.

O menos bem sucedido último trabalho de originais até à data, "Shangri-La Dee Da"(2001), precipitou o final da banda. Ainda antes desse termo, tiveram ocasião de passar por Portugal (festival Paredes de Coura) num concerto onde o endiabrado vocalista deixou os mais deprevenidos boquiabertos com a sua performance, tendo, inclusivamente, acabado a actuação literalmente "em pêlo".

Aguardemos, pois, por concertos e por música nova desta banda que, pode-se dizer, já faz parte dos grandes nomes da história do rock no seu sentido lato. Big Bang Baby, crash crash crash!!!

Para avivar a memória, eis algumas pérolas:

http://www.youtube.com/watch?v=lEHyrvQOCAU

http://www.youtube.com/watch?v=y2xNyxc5VWs&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=LGbO-nVBaFo

http://www.youtube.com/watch?v=494HNSbRWyw

http://www.youtube.com/watch?v=3XSJjzheHs8&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=WwS_Eu-HLZo





28 de abril de 2008

Down ao vivo em Lisboa: O CLÁSSICO NOVO

No passado Domingo, dia 27 de Abril, o Coliseu dos Recreios em Lisboa viu um dos melhores concertos de puro rock’n’roll que se viu em anos no nosso País. Fala-se constantemente em novas “big thing” e em novas modas que depois se revelam demasiado fugazes, mas quando toca a distinguir o trigo do joio, quem sabe, sabe. E os Down sabem muito bem o que estão a fazer, ou não fossem constituídos por músicos com anos de estrada e de diversas experiências musicais.
Ao vivo, com um vocalista que encarna na perfeição o papel de mestre de cerimónias, a música dos Down – já por si bastante talentosa - sobe a outro patamar e o grupo projecta-se criando um clima de autêntica festa e adrenalina. De facto, se o “factor Phil Anselmo” já teria algum peso previamente, este concreto provou a fantástica reabilitação (a nível físico, psíquico e da própria voz) do vocalista que, para além das inúmeras tourneés à volta do Mundo com os seus míticos Pantera, sobreviveu a inúmeros excessos e a, pelo menos, uma overdose quase fatal. A atitude do frontman, sempre a olhar nos olhos do público, a incentivá-lo a participar nas músicas, e introduzir os temas com as mais variadas dissertações, são um bónus à mera execução das canções, já por si um autêntico espectáculo tal a entrega dos músicos.

O grupo ainda não tinha entrado em palco e já estava a dar cartas graças a um fantástica ideia: prescindiram da habitual banda de suporte e apostaram na projecção de um vídeo em que misturavam gravações caseiras dos Down em tournée com vídeos raros de alguns monstros sagrados que fizeram a história do rock, nomeadamente aquelas bandas de génese hard do início da década de 70, com influência do blues americano e sulista. Para além dos clássicos incontornáveis, vimos actuações de nomes outrora famosos como os Rainbow, Thin Lizzy, UFO, etc. Não poderia ser melhor como introdução a uma banda que assume frontalmente o seu cariz “retro”.

Logo a abrir as hostilidades, “Underneth Everything”, criou bastante reboliço, uma constante na plateia apesar do ritmo mid-tempo da maior parte dos temas. “Lifer” dedicada a Dimebag Darrel, foi atacada com fúria, enquanto “Ghosts Along The Mississipi” foi das mais bem recebidas. Os músicos tranpiravam boa disposição. O duo de guitarristas Pepper Keenan e Kirk Windstein tocam já de olhos fechados ao ponto de não ser estranho entrarem em diálogo a meio de uma canção, resultando delicioso ouvir e ver a execução das inúmeras harmonias que polvilham o reportório dos Down. A sessão rítimica foi irrepreensível, pontificando o outro “pantera”, Rex Brown, a manter o mesmo ar cool de há 20 anos.

Depois de uma primeira saída de palco, com a excelente “Eyes Of The South”, Phil Anselmo aproveita para agradecer a uma longa lista de elementos da equipa de roadies, tendo em conta ser este o último concerto da tourneé que os levou um pouco por toda a Europa. Aproveita para chamar ao palco um amigo aniversariante - o guitarrista dos Skid Row, Snake, que viaja com o grupo - que teve direito a “parabéns” e a executar um excerto de uma canção do seu grupo. Já valia tudo. O espírito era de festa.A banda toca, então, o hino “Stone The Crow” em tom de apoteose e, perante a surpresa dos próprios músicos, a audiência entoa o riiff e o solo da música. Um momento único. Mais tarde, foi a vez do público ficar surpreendido quando, na parte final de um tema, e quando os efeitos de fumo envolviam o palco, os músicos livres de instrumentos se acercaram à beira do palco para agradecer; e no entanto, a música… continuava(??!!)!. Quando a névoa se dissipou, surgiu a explicação: sem interromper o tema, cada músico foi cedendo os instrumentos a roadies ou até às namoradas tendo estes continuado a tocar aquele bocado da música. Brilhante!

Enfim, foi uma grande noite de rock com uma banda em grande forma, a dar uma excelente demonstração de vitalidade e também de criatividade a nível de espectáculo, conforme se viu. E o que saltou à vista foi o facto destes músicos, apesar do inegável profissionalismo, estarem ali, simplesmente, pelo gozo de tocar.


Vídeos no You Tube (filmados por espectadores, mas dá para ter uma ideia da coisa):
http://br.youtube.com/watch?v=ZWe0O00BHr0#GU5U2spHI_4
http://www.youtube.com/watch?v=wY9ZozfrriY

1 de abril de 2008

The Cure, ao vivo no Pavilhão Atlântico: UMA CONSAGRAÇÃO INESPERADA

Falou-se muito das razões dos The Cure terem esgotado o Pavilhão Atlântico depois vários concertos no nosso país, ao longo da última década e meia, que não suscitaram grande atenção. Para além da invasão espanhola bastante nítida em vários locais do pavilhão, existiam outras: uma é a febre revivalista dos anos 80, que faz com que se realizem inúmeras festas dedicadas àquela década com os cabelos de Robert Smith a servirem de iconografia. A outra, mais a nível internacional, o surgimento de inúmeras bandas novas que se declaram herdeiras do grupo inglês.
Início do concerto. Ruídos mágicos soam no ar, silhuetas no palco, de repente... uma explosão de magia percorre todo o pavilhão. É "Plainsong", o primeiro tema do clássico "Desintegration". A falta da teclas parece plenamente compensada pela guitarra de Porl Thompson e os seus efeitos. Este facto introduz até um elemento novidade que torna este concerto mais único e atractivo. Se calhar por isso, os temas apresentados acabam por ser os menos instrumentais e sim os mais acessíveis, mais formato canção, que não os menos interessantes. Percorrendo toda a discografia da banda, uma conclusão salta à vista: a música dos The Cure é pop com todas as letras. De qualidade, é certo, mas simples e trauteável, mantendo a dose certa de personalidade e de inspiração.
Os pontos altos foram, claro, os hits mais conhecidos: "Just Like Heaven", "In Between Days", "Pictures Of You", "Friday, I'm In Love", entre outras. "A Hundred Years" soou poderosa e, durante"A Forest", o publico quase que chegou à histeria. Os temas onde era mais notória a ausência de sintetizadores foram compensados pelo coro da plateia, que acompanhava as vocalizações de Robert Smith com entusiasmo.
Os encores foram muito interessantes, preenchidos, praticamente, com canções dos primeiros álbuns, se calhar aquelas mais relacionadas com o tal corrente new wave tão em voga. Os imprescindíveis "Boys Don't Cry" e "Killing An Arab" não ficaram de fora, servindo de remate para uma actuação quase perfeite.
Assistimos, neste concerto, à reabilitação de uma banda; quer em termos criativos, devido à nova relevância da sua música, quer em termos populares. Neste aspecto, pode-se dizer, tendo em conta as recentes actuações um pouco por todo o lado, que os The Cure podem ter superado até a sua anterior fase de maior popularidade. Pelo menos já conquistaram um estatuto sério e respeitável perante as massas, em clara oposição ao que antes representavam. Resta saber por quanto tempo se conseguem manter no topo e injectar algum sangue novo a essa fama.

3 de março de 2008

KORN AO VIVO EM LISBOA

Perante um pavilhão Atlântico a meia casa, os Korn regressaram a Portugal. Com uma formação diferente, da qual restam o baixista Fieldy, o guitarrista Munky e o carismático vocalista Jonathan Davies, os Korn deram um espectáculo extremamente enérgico ajudados pelo seu (sempre) entusiástico público.
Iniciando a actuação com "Right Now", a actuação percorreu temas de toda a sua, já extensa carreira. Do seu último trabalho, não foram muitos os temas executados e, inclusivamente, até tiveram ocasião de estrear um tema novo.
Hinos como "Adidas", "Freak On A Leach", "Beating Me Down", não faltaram, sendo entrelaçdos com outros temas de menor impacto mas de igua l qualidade e originalidade.
Em "Faggot", a casa veio a baixo com público a entoar o refrão em uníssono. Em "Blind", como sempre sublime, o vocalista pediu à plateia para se agachar e saltar ao seu sinal; o resultado foi caótico. Os 3 Korn originais parecem felizes e com vontade de continuar a avaliar por este concerto. Os novos músicos, com detaque para o baterista, foram irrepreensíveis.
Para conclusão, ficou "Got The Life" em jeito the mensagem.
Apesar dos discos menos inspirados, os Korn continuam a deixar a sua marca.